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28/07/2007 05:19

Pan: o resumo da participação do Brasil ontem

COB

O Brasil alcançou nesta sexta-feira (dia 27) mais um objetivo no Rio 2007. Depois de superar, na última segunda-feira (dia 23), seu recorde de ouros, o País bateu agora seu recorde de medalhas em uma edição dos Jogos Pan-americanos. Em Santo Domingo-03, os brasileiros haviam trazido na bagagem 123 medalhas, mas a marca foi superada quando o hipismo garantiu a vitória na prova de saltos por equipes. O número foi ainda ampliado com as conquistas do atletismo, do boxe e da ginástica rítmica, fechando o dia com 13 pódios, sendo cinco medalhas de ouro, cinco de prata e três de bronze.

O chefe de Missão da Delegação Brasileira no Rio 2007, Marcus Vinícius Freire, comemorou o resultado e atribuiu a conquista ao trabalho desenvolvido durante os quatro últimos anos. “Estamos satisfeitos com o desempenho de nossos atletas. Essas conquistas e os resultados históricos alcançados pela Delegação Brasileira são conseqüência de uma programação e de um planejamento desenvolvidos pelo Comitê Olímpico Brasileiro, em parceria com as Confederações Brasileiras Olímpicas. Os números consolidam a posição do Brasil como uma das potências esportivas do continente”, destacou Marcus Vinícius. “Nada melhor do que festejar esses números em casa, com a nossa torcida”, completou.

Os esportes que mais contribuíram para engordar o quadro de medalhas brasileiro no Rio 2007 nesta sexta-feira foram o atletismo e a canoagem: ambos conquistaram um ouro e duas pratas. Valem destaque também as medalhas de ouro do boxe, que o País não conquistava desde os Jogos de São Paulo-63; do hipismo, recuperando sua posição no lugar de honra do pódio; e o tricampeonato da ginástica rítmica na prova de conjunto geral.

Na canoagem, a sexta-feira (dia 27) entrou para a história do Brasil em Jogos Pan-americanos. Foi a primeira vitória do País no K-4 1000m e o segundo ouro no esporte. Anteriormente, apenas o K-2 500 havia conseguido a façanha. Já Guto Campos tornou-se o primeiro brasileiro com duas medalhas douradas na modalidade: ele dividia o caiaque com Fábio Demarchi em Santo Domingo-03 e integrava o barco com Roberto Maehler, Sebastian Cuattrin e Édson Silva no Rio 2007.

Cuattrin, que ganhou também a prata no k-1 1.000m, chegou à invejável marca de 11 pódios em Jogos Pan-americanos (um ouro, seis pratas e quatro bronzes). A equipe medalhista de ouro, aliás, dedicou a vitória ao argentino naturalizado brasileiro. Pioneiro do esporte no País e com 34 anos de idade, Cuattrin defende o Brasil desde Havana-91, mas ainda não havia conquistado o ouro. “Já me sentia brasileiro antes de me naturalizar. Hoje, não preciso provar para ninguém que amo esse País e tenho muito orgulho de representá-lo em todas as competições. Esse ouro é inesquecível. Agora, meu sonho é disputar Pequim 2008”, destacou.

No C-2 1.000 metros masculino, dois jovens atletas atingiram outra marca histórica. O baiano Vílson Conceição, de 22 anos, e o santista Wladimir Moreno, de 24 anos, ganharam a primeira medalha brasileira da canoa nos Jogos Pan-americanos. “É um alívio muito grande. A responsabilidade era imensa e estávamos muito ansiosos. Estou realizado e muito orgulhoso por entrar para a história da canoagem brasileira”, comemorou Wladimir.

No atletismo, a felicidade veio em dobro para o casal Juliana Santos e Marílson dos Santos. No Estádio João Havelange, ela ganhou o ouro nos 1.500m e ele, que já havia garantindo o bronze nos 5.000m, levou a prata nos 10.000m. Juliana dedicou sua medalha ao marido. “O Marilson foi fundamental para o meu resultado. Sempre me passou toda sua confiança e experiência. É uma pessoa muito humilde”, disse, emocionada, a campeã do Rio 2007. “Fiquei mais feliz com a vitória dela do que com a minha prata”, retribuiu o marido, abatido por um forte resfriado.

Keila Costa também conquistou sua segunda medalha de prata no Rio 2007. Depois do salto em distância, ela garantiu lugar no pódio no salto triplo. A pernambucana lembrou que poucas atletas têm a chance de subir duas vezes ao pódio em uma mesma competição. “Estou muito feliz com mais essa medalha e me sinto uma privilegiada. Sabia que seria uma prova dura. A cubana é uma forte adversária, saltou muito bem hoje. Mas tentei alcançá-la até o último salto”, disse Keila, que só ficou decepcionada por não alcançar sua melhor marca, os 14,57 metros que deram a ela o titulo e o recorde sul-americano do salto triplo.

O baiano Pedro Lima também fez história nesta sexta-feira (dia 27), ao conquistar a primeira medalha de ouro do boxe brasileiro em Jogos Pan-americanos desde São Paulo-63. Pedro derrotou o americano Demetrius Andrade, por 7 a 6, na final da categoria meio-médio (até 69kg), após uma luta decidida a seu favor nos últimos segundos, quando virou o placar favorável ao adversário e foi ovacionado pelos torcedores. A medalha também confirmou o melhor resultado do País nos Jogos.

“Foram dois meses de treinamento. De abnegação, de dedicação total. O trabalho foi feito. Agora é dar seqüência ao trabalho”, comemorou o lutador, que há sete anos é treinado por Luiz Carlos Dorea Barreto, um dos preparadores da Seleção Brasileira de boxe nos Jogos Pan-americanos.
Para o técnico, Pedro Lima ainda vai evoluir muito: “Ele tem uma base muito boa. E a base é a família”, ressaltou Dorea, que pretende preparar Pedro e Éverton Lopes, que conquistou uma medalha de prata, para os Jogos Olímpicos.

A ginástica rítmica do Brasil também conseguiu resultado invejável ao conquistar seu terceiro título consecutivo em Jogos Pan-americanos no conjunto geral. Após duas apresentações – de cinco cordas e de três arcos e duas maças – a equipe formada por Daniela Leite, Tayanne Mantovanelli, Luisa Matsuo, Marcela Menezes, Nicole Muller e Natália Peixinho conquistou o lugar mais cobiçado do pódio sem dar chance às adversárias.

Com exceção de Tayanne, o grupo é formado por atletas estreantes em Jogos Pan-americanos. “Nossa preparação para o Rio 2007 foi feita com muito empenho de toda a equipe. Estamos no caminho certo e podemos chegar em Pequim-08 com um time competitivo”, disse Tayanne, de 20 anos, que conquistou o bronze em Winnipeg-99, no individual e na maça. Já a técnica Monika Mello Queiroz disse que a falta de experiência na competição não pesou na hora da apresentação da equipe. “Há dois anos nos preparamos em Vitória para a exibição. Lá, a gente trabalha e confia”, disse a técnica, emocionada com o desempenho das ginastas.

O hipismo brasileiro também recuperou o lugar mais alto do pódio, que havia perdido em Santo Domingo-03. Encabeçada pelo campeão olímpico Rodrigo Pessoa, a equipe formada ainda por Bernardo Rezende Alves, Pedro Veniss e César Almeida garantiu a sexta medalha de ouro do esporte em Jogos Pan-americanos. O resultado valeu ainda a classificação da equipe de saltos para os Jogos Olímpicos de Pequim-08.

O cavaleiro Nélson Pessoa, pai de Rodrigo e treinador da equipe de saltos, comemorou intensamente a conquista da medalha de ouro: “Foi uma satisfação enorme participar dessa conquista. O dever está cumprido, especialmente porque conseguimos garantir a vaga em Pequim, ano que vem.”

O karatê brasileiro também tinha motivos para comemorar. Com mais duas medalhas de bronze no kumitê (Vinícius Silva, até 70kg, e Douglas Brose, até 60kg), no Complexo Esportivo Miécimo da Silva, o esporte garantiu a melhor participação do Brasil nos Jogos Pan-americanos. “Conquistamos duas medalhas de ouro, duas de prata e três de bronze”, festejou o chefe de equipe Edgar Ferraz de Oliveira.

Na natação sincronizada, Lara Teixeira e Caroline Hildebrandt ficaram satisfeitas com o bronze conquistado no dueto, no Parque Aquático Maria Lenk. Na hora de subir ao pódio, ao lado das americanas e canadenses, as brasileiras não esqueceram a famosa sombrinha pernambucana, que caracteriza o frevo, música-tema da apresentação da dupla na prova de rotina livre.

“Estamos felizes por ter escolhido o frevo como a nossa música. Conseguimos o resultado esperado, com uma das maiores notas da rotina livre. O público ficou empolgado com a apresentação e nos transmitiu uma energia muito positiva para o sucesso da coreografia”, disse Lara. “As coreografias estão cada vez mais dinâmicas e com movimentos mais rápidos, o que aumenta o grau de dificuldade. Felizmente houve um encaixe perfeito da música com o que executamos na água”, explicou a carioca Caroline, lembrando que o frevo já havia feito sucesso em outras apresentações internacionais da dupla nesta temporada.

O Brasil garantiu nesta sexta-feira (dia 27), no mínimo, a medalha de prata no futsal, vôlei masculino e tênis masculino. As decisões serão neste sábado (dia 28). A do futsal, às 10h15, contra a Argentina, a do vôlei, às 22h, contra os Estados Unidos, e a de Flávio Saretta, às 12, diante de Adrian Garcia, do Chile.

Já no tênis de mesa, Thiago Monteiro e Hugo Hoyama passaram às semifinais do torneio individual masculino e já garantiram, pelo menos a medalha de bronze. Caso vençam os jogos que terão pela manhã deste sábado, disputam a final, à tarde.

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