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01/07/2016 08:56

Paixão das adolescentes no passado, fotógrafa ressuscita o caderno de perguntas

Campo Grande News
Arumi encontrou a si mesma na caixinha do passado e resolveu ressuscitar ideia do caderno de perguntas.Arumi encontrou a si mesma na caixinha do passado e resolveu ressuscitar ideia do caderno de perguntas.

Quando a caixa de recordações da Arumi menina foi aberta, o passado de adolescente veio à tona. O material guardado na casa da mãe trouxe a ela grandes lembranças da época de escola. Agendas antigas, com recados de amigas, poesias e o que sobrou da paixão das meninas: uma única folha do caderno de perguntas.

"Fui fazer um limpa, sabe? Eu sempre fui de guardar tudo. Acabei achando coisas de adolescente, de 98, 99... Fiquei vendo as agendas, meu caderno de poesias e pensando quanta história e como o tempo passa rápido", conta a fotógrafa Arumi da Silva Santos Figueiredo, hoje com 31 anos.

Junto dessas aventuras, veio a recordação do "Caderno de perguntas", que até merece letra maiúscula de tão significativo. "A gente fazia e passava o caderno com o intuito de chegar no carinha, descobrir do que ele gostava e assim agradar", resume Arumi. Era essa a função dos cadernos que tinham em média 30 perguntas.

Ao abrir a caixa, ela sabia com o que iria se deparar, a melhor fase da vida: seus 13 anos. "Acho que me marcou tanto, foi uma fase muito boa de pular elástico, brincar de bets... Curti tanto que até hoje minha vontade é de voltar no tempo", descreve.

Como o tempo não pode voltar, para remediar a saudade, Arumi resolveu ressuscitar o caderno. "Percebo que hoje essa meninada não tem isso. É bom ter rede social? É, claro. Mas não pode deixar anular a vida real e ficar só mexendo em Whats, Face, que são coisas que eu acho superficiais nas relações", avalia.

O caderno tomou forma a partir do momento que vieram à memória as perguntas da época: "Seu signo, como foi seu primeiro beijo, quem você levaria para uma ilha deserta", enumera. Com a idade, vem também a diferença nos questionamentos e a abertura para entrar até em temas polêmicos.

"Parece que não tem mais aquela inocência, a fantasia, a bobeira de ser criança e adolescente", compara. Agora entraram perguntas como: "qual emoji você mais usa no WhatsApp" e até "de quem é a culpa pelo Brasil estar uma meleca?"

"Acho que dá para discutir assuntos sérios, ver a opinião das pessoas em determinados temas como política. Mas também coloquei: 'orgamos múltiplos, mito ou realidade?'" exemplifica Arumi. A penúltima pergunta continua sendo aquela: faça-me uma pergunta e na outra página, vem a resposta, encerrando com o pedido para que ali seja deixada uma recordação.

Qual emoji você mais usa no Whats? Resposta inclui também o desenho. (Foto: Arumi Figueiredo)
"Qual emoji você mais usa no Whats?" Resposta inclui também o desenho. (Foto: Arumi Figueiredo)
A amiga Joziane Fernandes de Arruda, foi a primeira a responder, 14 anos depois do último contato com o caderno. "Foi uma emoção, uma recordação da adolescência, do tempo de escola..." tenta descrever a administradora de 31 anos.

Para ela o caderno também era o momento de saber o que pensava o garoto por quem seu coração batia forte. "Era a forma da gente paquerar. As meninas de hoje, elas nunca vão sentir a emoção desse tempo", brinca.

Joziane lembra até hoje quais eram as perguntas preferidas: "que música você gosta" e "qual é o grande amor da sua vida". As respostas agora seriam bem diferentes. Casada, a administradora se lembra que o amor da adolescência era André, o menino que toda a escola era fascinada.

"Respondendo eu fiquei rindo sozinha... Pensando que tempos atrás eu responderia de outra forma, é outro mundo, outro sentimento", resume Jozi.

A dona do caderno já passou as perguntas adiante... "Resolvi ressuscitar por essa parte saudosa e como uma recordação. Assim como eu lembro hoje 15 anos depois, daqui 15, 30 anos eu quero poder pegar e lembrar de agora", diz Arumi.

E aí, se anima a responder um caderno de perguntas?

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