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18/08/2012 12:20

Pai pede ajuda para tirar filha de 7 meses da fila de espera do SUS

Campo Grande News/ Elverson Cardozo

Nos braços do pai, Vanessa Sthefany Ortiz Cardoso, de 7 meses, não faz ideia do que passa ao seu redor e sorri o tempo todo, com os olhos brilhando de felicidade. O pai, de 23 anos, está preocupado, mas tenta demonstrar à filha que tudo está sob controle. Não é verdade.

O futuro e a saúde de Vanessa Sthefany estão em jogo e há meses a situação tira o sono do pai, João Antonio dos Santos Cardoso. Quando nasceu, em janeiro deste ano, a menina apresentou suspeita de deslocamento do quadril esquerdo e precisava ser avaliada por um ortopedista.

Mas a consulta, que deveria ter sido de urgência, só aconteceu nesta semana. É que Vanessa, como milhões de brasileiros, ficou na fila de espera do SUS (Sistema Único de Saúde) e o quadro dela pode ter se agravado.

Ao pai, o pediatra que atendeu a menina após o nascimento informou que Vanessa precisava usar um aparelho, mas tinha que passar, antes, pela avaliação de um ortopedista. Agora, 7 meses depois, devido à demora, ela corre o risco de ser submetida a uma cirurgia para corrigir a deficiência.

O problema é que Vanessa está, novamente, na fila do SUS. Desta vez, aguardando vaga para realizar uma ultra-sonografia de quadril e dar continuidade ao tratamento.

“E eu não tenho condições de pagar particular”, disse o pai, que está desempregado. “Tenho mais dois filhos epilépticos e minha esposa também é”, acrescenta, justificando o fato de estar em casa, parado.

O retorno da menina é na quarta-feira (2) e a recomendação do médico é que o pai esteja com o exame em mãos. “Se não conseguir eu nem vou voltar lá”, disse.

João Antonio mora no bairro Caiçara II, em Campo Grande, com a esposa, Walquíria Ortiz de Souza, de 29 anos, e os três filhos, a pequena Vanessa e o casal Wanderson Gabriel, de 3 anos, e Amanda Gabrieli, de 1 ano e 9 meses.

Wanessa tem crises epilépticas e faz uso de medicamentos controlados, como os filhos, que passam a maior parte do dia dormindo, em decorrência do tratamento. João culpa o poder público pela falta de assistência e a situação a que tem passado nos últimos dias.

“Tudo isso é por causa do SUS que não consegue tratamento para eles”, afirmou. A esposa e as crianças, declarou, precisam ser acompanhadas por um neurologista, mas também não conseguem vaga na rede pública.

Laudo médico (datado do dia 12 de novembro de 2010) assinado pelo ginecologista e obstreta Neudes Ribeiro Cardoso, à época da gestação do segundo filho, aponta que Wanessa “não tem condições de permanecer sozinha”, pois as crises convulsivas traziam risco para ela e para o recém-nascido.

A situação, segundo o marido, persiste. Wanessa ainda não pode cuidar das crianças, o que o obriga a ficar em casa, sob o risco de perder a guarda dos filhos. “Eu não aguento mais”, afirmou, ao dizer que está vivendo de doações há 3 meses, época em que deixou o último serviço.

Interessados em ajudar a família podem ligar nos telefones 9263-8635 ou 3385-0878.

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