Cassilândia, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

Últimas Notícias

12/02/2013 15:24

Pacientes sabem dos riscos de anticoncepcionais e aceitam restrições

Carolina Gonçalves, Agência Brasil

Brasília - Aos 24 anos, Thais Rezende Xavier não mostra pesar por ter que assumir cuidados redobrados com a saúde por toda a vida. Ao relatar, com exclusividade à Agência Brasil, o drama que vive desde que descobriu uma embolia pulmonar, provocada pelo uso de anticoncepcional, a estudante carioca mostrou que, hoje, encara com tranquilidade as restrições impostas por médicos que ainda tratam e acompanham o caso.

“Eu corri grande risco de morte e só por um milagre estou aqui hoje contando”. Nos últimos meses de 2011, depois de um ano tomando o medicamento Diane 35, recomendado por uma ginecologista, Thais começou a sentir falta de ar e cansaço. Não demorou mais que um mês para que o quadro se agravasse.

“Tinha procurado médicos e feito exames, mas não apareceu nenhum problema. Teve um dia em que desmaiei na rua, o médico que me atendeu identificou a embolia e a primeira coisa que me perguntou foi se usava algum hormônio”, conta.

No dia 7 de dezembro, Thais foi internada. Ela passou por três cateterismos e a implantação de filtros nas veias, para evitar que a coagulação seguisse para os pulmões, o cérebro e o coração. “Hoje, não posso tomar uma série de remédios e continuo fazendo tratamento com anticoagulantes. Tenho várias restrições. Foi tudo restrito. Voltei à minha ginecologista para contar e ela ficou assustada”, disse.

A estudante garante que não fumava, não registrava sobrepeso ou histórico familiar de trombose – principais fatores de propensão ao problema. Segundo ela, o Diane 35 foi o único hormônio que tomou. Thaís também se submeteu a exames para identificar qualquer predisposição do organismo a desenvolver trombose, mas os médicos não conseguiram detectar qualquer problema.

Para o ginecologista Rogério Bonassi, a estudante pode ser um dos casos raros de trombofilia que existem no mundo. O problema, também conhecido como hipercoagulabilidade, indica uma propensão de a paciente desenvolver trombose por ter alguma deficiência no sistema de coagulação.

Vice presidente da comissão de Anticoncepcionais da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e da Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (Sogesp), Bonassi diz que o Diane 35 não apresenta mais riscos que qualquer outro hormônio. Todos os medicamentos indicados como anticoncepcionais no país têm a descrição do risco de trombose na bula.

“O uso de qualquer hormônio pode ter um risco. Mas, o risco de quem não usa anticoncepcionais ou similares é de cinco em cada 10 mil mulheres. Se elas tomam pílula, o risco passa a ser de 9 para 10 mil mulheres”, explicou.

Há poucos dias, dirigentes da agência francesa de segurança dos medicamentos declararam que, até abril deste ano, a pílula anticoncepcional Diane 35 e todos os genéricos do medicamento vão deixar de ser vendidos no país. A medida foi adotada em resposta aos 125 casos de trombose venosa e quatro mortes de mulheres usuárias da pílula relatados nos últimos 25 anos. As mulheres que apresentaram graves problemas de saúde com a pílula Diane 35, com idades entre 18 e 42 anos, sofreram acidentes vasculares variados, como embolia pulmonar ou derrame.

Para Bonassi, a decisão instiga mais temor do que informa. “O Diane 35 não tem mais riscos que outros hormônios. Não sabemos o que motivou a decisão da França porque o risco é muito pequeno e não se trata de um estudo clínico, mas de relatos de casos”, avaliou.

De acordo com estatísticas da comunidade médica brasileira e internacional, a incidência da trombose na população feminina em geral é de cinco casos para cada 10 mil mulheres. No caso de pessoas que tomam pílula, o risco passa a ser de nove casos para cada 10 mil. Em mulheres grávidas, sem o uso de hormônios, as estatísticas adotadas universalmente apontam que 30 mulheres, em cada 10 mil, poderiam desenvolver a doença.

“A pílula é segura. Mas, o uso indiscriminado não deve ocorrer e sabemos que muitas mulheres tomam pílulas indicadas por amigas ou vizinhas. Outro dia, estava em uma farmácia e presenciei uma moça pedindo indicações de anticoncepcionais para o farmacêutico que descrevia qual pílula [além de contraceptiva] melhora a pele ou não retém líquido”, disse ele.

Edição: José Romildo

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
Últimas notícias
Scroller Top
Sábado, 03 de Dezembro de 2016
10:00
Receita do Dia
06:50
Loterias
Sexta, 02 de Dezembro de 2016
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)