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16/07/2015 11:00

Overtraining: quando o exagero não leva à perfeição!

Portal Educação Física

O descanso também faz parte do treinamento, pois o corpo precisa de repouso e se isso não ocorre, o organismo desenvolve efeitos nocivos à saúde, ao corpo e à mente.

O ditado alerta: tudo em excesso faz mal. Muito doce engorda, muito remédio causa dependência e exercícios a todo instante faz mal à saúde. Você não leu errado. A atividade física em doses altíssimas pode, inclusive, ser a responsável por essa fadiga que você está sentindo diariamente, por essa dor nas costas que não passa nunca ou até mesmo por essa falta de paciência. Acha que agora sou eu quem está exagerando? Então confira esse post especial sobre overtraining, uma síndrome desencadeada quando a pessoa realiza mais exercícios do que o corpo suporta e que vem se tornando cada vez mais comum, principalmente entre os adeptos de academia.

Antes de tudo, é necessário entender e aceitar que o descanso tambem faz parte do seu treinamento, pois nosso corpo precisa de repouso e se isso não ocorre corretamente, o organismo fica prejudicado, desenvolvendo efeitos nocivos à saúde, ao corpo e à mente, como por exemplo:

– Cansaço anormal

– Irritabilidade

– Falta de vontade de malhar

– Perda de apetite

– Perda de força

– Contusões e resfriados freqüentes

– Dores de cabeça

– Sede anormal

– Insônia

– Tremor nas mãos

– Depressão

– Ansiedade

O overtraining traz várias consequências, entre elas: lesões musculoesqueléticas, dentre as quais, destacam-se os microtraumas, a depressão, a fadiga, tremores e etc.

Agora veja as causas fisiológicas e metabólicas:

– Elevação do nível do cortisol (hormônio que quebra o tecido muscular para forma energia);

– Déficit protéico;

– O catabolismo (reações de quebra de moléculas para produzir energia) supera o anabolismo (reações de síntese de substâncias);

– Estresse no sistema nervoso central provocando distúrbios hormonais

– Tempo insuficiente para reparar os micro-traumas no músculo esquelético provocados pelo exercício.

Segundo o profissional de Educação Física Átila Paiva, se você vem malhando bastante e tem sentido algum destes sintomas listados acima é recomendado que pare de treinar durante duas semanas e procure ingerir alimentos de alto valor nutritivo. O uso de suplementos vitamínicos também é indicado. Seu corpo usará este tempo de descanso para voltar ao estado normal e permitir que você volte a ter ganhos musculares e de performance. Depois do seu treino com pesos você precisa não só dar a chance para seus músculos se recuperarem, mas também para crescerem.

O overtraining pode ser desencadeado tanto em atletas profissionais, quanto em amadores, independente do esporte que pratica.

“De nada adianta treinar sete vezes na semana, se o seu corpo não se regenera entre uma sessão e outra. Você não terá resultados e mais cedo ou mais tarde, seu corpo entrará em overtraining. Lembre-se que um bom treino de musculação é baseado em três pilares: treino, descanso e alimentação. Quando um deles deixa de funcionar, os resultados desaparecem. Tenha seu descanso planejado, leve em consideração sua rotina fora da academia, pois ela também interfere diretamente no overtraining”, destaca Paiva.

Ainda de acordo com o profissional de educação física, malhar antes do músculo se recuperar completamente não apenas impede o crescimento, como também pode diminuir os músculos que já tem. Você precisa de tempo para o músculo se recuperar e depois de um intervalo para ele crescer. Sendo assim, é necessário dar um descanso de pelo menos um dia para voltar a exercitar o mesmo grupamento muscular.

Uma das consequências do overtraining tambem são as lesões musculoesqueléticas, dentre as quais, destacam-se os microtraumas. Esses microtraumas não causam dor, edema ou impotência funcional, mas devido a repetição excessiva de exercícios, produzem lesões no tecido muscular. Os microtraumas mais comuns são as osteocondites, fraturas por estresse, miosites, tendinites, rupturas parciais ou totais de tendões. O caráter silencioso com que essas lesões ocorrem é o que mais preocupa.

Se você identificou que está com overtraining agora é hora de descansar e “desligar os motores”.

E agora?

Tempos atrás, o overtraining era uma doença associada somente a atletas profissionais e amadores. Porém, atualmente, o culto ao corpo perfeito está desenvolvendo essa doença nos frequentadores de academias, principalmente no verão, quando muitas pessoas fazem dietas hipocalóricas e ficam horas na academia, com a doce ilusão que irão “secar” e “ganhar” massa muscular rapidamente. Nessa busca incessante pelo corpo “sarado” muitos exageram e acabam ficando doentes e desistem de se exercitar e, assim não conseguem sequer chegar perto dos seus objetivos.

Se você identificou que está com overtraining agora é hora de descansar, “desligar os motores”. Nesse meio tempo, de uma semana mais ou menos, opte por procurar profissionais capacitados que irão auxiliar você a se recuperar e a afastar essa síndrome e ter qualidade funcional. Para tanto, é necessário contar com a ajuda de um nutricionista, um profissional de educação física e, se puder, de um fisioterapeuta.

O nutricionista será o responsável por indicar uma dieta balanceada, capaz de combater a ansiedade, o cansaço e a falta de energia, proporcionando um cardápio saudável. O profissional de educação física irá preparar, antes de tudo, uma avaliação física. Diante dela, ele terá os dados necessários para indicar quais exercícios e ou esportes mais indicados para você de acordo com sua capacidade física e biológica, preservando e respeitando os limites do seu corpo (por exemplo: se você tiver escoliose, o profissional de educação física vai evitar determinados exercícios e irá substituí-los por outros, que irão beneficiá-lo da mesma forma), além disso, ele será o responsável por atuar como personal trainer e desenvolverá junto com você a sua planilha de treinos. Já o fisioterapeuta terá a missão de tratar as lesões sofridas com o overtraining e realizará um trabalho de prevenção, para que os músculos do pacientes sejam estimulados e não sofram com os impactos das futuras atividades físicas.

O Fisioterapeuta, o Profissional de Educação Física e o Nutricionista, são as “pessoas” que irão auxiliar você a se recuperar e afastar desta síndrome.

“O tratamento do overtraining é obrigatoriamente a redução drástica do treino ou em casos mais graves a interrupção da atividade física e das competições. Quando o atleta busca bons resultados e melhor qualidade de vida, ele deve ter acompanhamento de um médico, profissional de educação física, nutricionista e também um fisioterapeuta. Sendo diagnosticado em tempo, sem que haja complicações mais sérias, principalmente as provocadas pelos distúrbios hormonais, o quadro felizmente é reversível”, afirma Átila.

Atenção à programação!

Diferente do que muitos pensam, o overtraining não é mais propício aqueles que são adeptos da academia. Pelo contrário, a síndrome pode afetar atletas profissionais e amadores praticantes de qualquer modalidade, seja corrida, jiu-jítsu, triathlon, vôlei, entre outros. Isso porque, da sobrecarga de treinos, pode ser caracterizada pelo excesso de participações em competições também, o que leva a pessoa à exaustão.

Por isso, é fundamental que antes de sair se inscrevendo em “20” corridas que tem durante ano, priorize aquelas que para você são as mais importantes, independente do percurso. O ideal é participar de provas com “descanso” de pelo menos dois meses. Ou seja, se em julho você fizer uma prova de 5 km, já sabe que aquela maratona de 21 km só poderá ser realizada se cair em setembro ou adiante. Esse tempo é ideal para elevar seu treinamento e consequentemente seu desempenho na pista. Por isso, programa-se, monte uma planilha e comece a colecionar bons resultados.

Até a próxima!

Por Fabricio Lima

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