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24/10/2005 13:41

Os estragos da febre aftosa

Famasul

Estimativas da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) indicam que as exportações brasileiras de carne bovina poderão sofrer perdas de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões este ano em função dos casos de febre aftosa registrados no Mato Grosso do Sul. Até a noite de sexta-feira, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tinha confirmado dez focos da doença naquele Estado, além da suspeita de quatro focos no Paraná. "A imagem do Brasil está seriamente arranhada com esses episódios, que poderiam ter sido evitados", afirma o diretor da AEB, José Augusto de Castro.

Segundo Castro já existem analistas apontando para prejuízos da ordem de US$ 1 bilhão em 2006, embora considere prematuro fazer esse tipo de projeção no momento. Para ele, é preciso primeiro ter uma idéia da extensão da doença. "Infelizmente a culpa de tudo isso é do Governo federal, que não liberou os recursos necessários para controle sanitário nas áreas de risco, principalmente nas áreas de fronteira, apesar da posição de destaque que o País vinha ocupando no cenário internacional depois de conquistar a liderança como exportador de carne. Isso não poderia ter acontecido", afirma. O diretor da AEB destaca que, embora os casos de aftosa tenham sido localizados, perante a opinião pública internacional o País é afetado como um todo, da mesma forma que ocorreu com os Estados Unidos quando enfrentou registros de mal da vaca louca. "Conquistar mercados é difícil, manter é mais ainda, mas para perder é fácil. Essa falha realmente foi lamentável", analisa.

Castro lembra que o Mato Grosso do Sul tem o maior rebanho bovino brasileiro: 25 milhões de cabeças. Na impossibilidade de continuar atendendo à demanda internacional, ele considera difícil que outros Estados produtores, como São Paulo e Minas Gerais, tenham condições de assumir a responsabilidade.

No acumulado de janeiro a setembro, as exportações de carne bovina brasileira alcançaram receita de US$ 1,933 bilhão, com crescimento de 34% em relação a igual período do ano passado. Os preços se recuperaram em função da oferta menor que a demanda internacional. Havia perspectivas de mais crescimento e até a possibilidade de o País passar a vender carne in natura para os Estados Unidos. "As discussões sobre isso estavam adiantadas, mas agora esses planos serão interrompidos", conclui Castro.

Já o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, minimizou os impactos da crise provocada pelos casos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e afirmou que não acredita em prejuízos de graves proporções. Segundo ele, havia uma expectativa no início do ano de que em 2005 o Brasil conseguiria exportar de 1,7 milhão de toneladas a 1,8 milhão de toneladas de carne bovina, com receita de US$ 3 bilhões a US$ 3,1 bilhões, o que representaria um incremento de cerca de 30% em relação ao exercício anterior. "Ainda é muito cedo para fazer estimativas de impacto", opina.

Nogueira ressalta que os cinco maiores frigoríficos brasileiros, responsáveis por 85% das exportações de carne bovina do País, têm mais capilaridade atualmente e são capazes de superar situações adversas. As empresas possuem plantas industriais em diferentes Estados do País, o que permite manter as exportações em casos extremos como o de embargos a produtos de uma determinada área, afirmou. "Isso permite a manutenção de contratos de exportação e, por isso, a CNA entende que os impactos no caso da carne bovina não serão tão grandes como se imagina", reforça.

Mais credibilidade junto ao mercado internacional

Nogueira considera que o Brasil também agiu com transparência informando prontamente sobre todos os casos de aftosa suspeitos e confirmados, o que garante ao País mais credibilidade junto ao mercado internacional. Da mesma forma, ele considera que as autoridades sanitárias têm atuado com objetivo de debelar os focos da doença. Apesar das expectativas positivas do dirigente da CAN, 41 países já cancelaram importações de carne bovina do Brasil. A União Européia, que representa o maior mercado em bloco, responde por 45% das exportações brasileiras, seguida da Rússia, maior importador isolado, o Egito e o Chile. Todos já impuseram embargos. Para analistas da GRC Visão, a perda das exportações de carne bovina devido à febre aftosa, entretanto, pode ser compensada pelo incremento da demanda internacional pela carne de frango em função da gripe aviária na Ásia. Em boletim divulgado pelo grupo na última semana, a carne de frango tem papel de destaque nas exportações do complexo de carnes do Brasil, tendo alcançado em setembro último uma receita de US$ 331,5 milhões, o que representou um aumento de 57% em relação a igual período de 2004.

Alckmin prevê desemprego em frigoríficos

O embargo imposto contra a carne procedente do Brasil em razão da identificação de focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e suspeita no Paraná vai gerar desemprego em muitos frigoríficos e perdas consideráveis nas exportações do produto, segundo avaliou ontem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Alguns importadores embargaram o produto do Centro-Oeste, outros dos corredores por onde passa essa carne até sua chegada ao porto (caso do Estado de São Paulo e do Paraná). Há também os países que já vetaram a entrada de carne de qualquer parte do Brasil.

O governador observou que o complexo carnes, que envolve bovinos, aves e suínos, é o segundo item na pauta de exportação brasileira, perdendo apenas para o complexo soja.

Alckmin ressaltou as barreiras sanitárias adotadas para que a doença não se alastre por outras regiões. Desde a descoberta do foco no Mato Grosso, São Paulo não permite a entrada do gado em pé no Estado e só pode chegar ao estado carne desossada e leite pasteurizado. Ele lembrou que é o osso que transmite a doença. Ontem foi erguida uma barreira contra a carne procedente do Paraná. O governador informou que os animais que foram adquiridos nos leilões paranaenses e que já entraram em São Paulo foram localizados e coletado material para exame sorológico.

Elizabeth Oliveira e Silvia Araujo

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