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29/01/2009 20:24

OAB/MS avalia o pior resultado da história de exame

Jefferson da Luz e Aline dos Santos , Campo Grande News

Em toda a história da prova, neste ano os candidatos tiveram o pior desempenho no exame da OAB/MS, avalia a entidade. Apenas 234 dos 1389 inscritos conseguiram passar para a segunda fase, ou seja, 16,85%.

Entre as notas de quem passou, poucos ultrapassara os 65 pontos, a maioria ficou na casa entre os 50 e 60. Apenas um conseguiu mais de 80 pontos: Mateus Castriani Quirino, que atingiu 84 na prova objetiva.

Na tarde de hoje, o vice-presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Vladimir Rossi, disse que “há uma crise no ensino jurídico do Brasil”. Ele fez a afirmação depois da divulgação do número de aprovados.

Quem não passou ainda pode recorrer do resultado. No exame passado os recursos fizeram uma grande diferença no resultado final da primeira fase. Na lista inical divulgada, o percentual de aprovados foi de 38%, depois dos recursos este número subiu para 50,97%.

Embasando-se em dados dos exames anteriores, o presidente do Conselho de Exames da OAB-MS, Alexandre Bastos, prevê um número de aprovados ainda menor na segunda fase do exame: “em uma visão otimista pode ser que 10% do total de inscritos sejam aprovados”. Ele destacou ainda que o teste é focado na aferição do conhecimento e que “não há pegadinhas”.

Na primeira fase os candidatos a advogados têm de acertar 50% de uma prova com cem questões objetiva, elaboradas pela Universidade de Brasília.

Segundo o presidente da OAB-MS, Fábio Trad, houve uma queda “brutal” no número de aprovados em comparação aos último exame, quando 50,97% dos inscritos foram aprovados na primeira fase, e no anterior 32,39%. “Em Mato Grosso do Sul nós estávamos com um número de aprovação estabilizado e crescente”, comentou.

Rossi atacou as instituições de ensino, disse que nos últimos anos tem havido uma mercantilização no Brasil e que a OAB pode fazer muito pouco para mudar a situação.

“O máximo que podemos fazer é opinar sobre a abertura ou não de um novo curso. Enquanto o Ministério da Educação valoriza mais o acesso ao ensino superior na hora de autorizar o funcionamento de um curso. No fim, o aluno é engodado, paga pelo curso e não consegue ser advogado”, comenta lembrando em 2003 havia 360 cursos de direito no País e que hoje há 1100.

Fábio Trad esclareceu as reclamações de que o número baixo de aprovados seria uma forma de a entidade arrecadar dinheiro com a taxa de inscrição. “Se todos os inscritos tivessem sido aprovados, hoje nós teríamos quatro milhões de advogados pagando anuidade. O que geraria muito mais recursos para a Ordem”.

Para tentar aumentar o número de aprovados, Fábio Trad disse que já agendou uma série de palestras em universidades do Estado para conscientizar os alunos da importância de ser aprovado no exame da Ordem. A mesma estratégia foi anunciada no ano passado.

Para quem não foi aprovado, ele lembra que ainda há opções de trabalho na área do direito, até a próxima tentativa. “O bacharel em direito pode trabalhar como assessor jurídico em um escritório de advocacia, pode lecionar ou tentar concursos públicos”.

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