Cassilândia, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

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18/06/2009 13:56

O retrato do comportamento sexual do brasileiro

Agência Saúde

O Ministério da Saúde acaba de concluir a maior pesquisa já realizada sobre comportamento sexual do brasileiro. Entre os meses de setembro e novembro de 2008, pesquisadores percorreram as cinco regiões do país para fazer 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o estudo, 77% dessa população (66,7 milhões) teve relações sexuais nos 12 meses que antecederam a pesquisa.


As principais diferenças de comportamento estão entre homens e mulheres. Entre eles, 13,2% tiveram mais de cinco parceiros casuais no ano anterior à pesquisa; entre elas, esse índice é três vezes menor (4,1%). 10% deles tiveram, pelo menos, um parceiro do mesmo sexo na vida, enquanto só 5,2% delas já fizeram sexo com outras mulheres. A vida sexual deles também começa mais cedo – 36,9% deles tiveram relações sexuais antes dos 15 anos; entre elas esse índice cai para menos da metade, 17%. A pesquisa traz ainda recortes por escolaridade e região. Nesses dois casos, não há diferenças estatísticas relevantes.



Indicadores de comportamento sexual da população

sexualmente ativa entre 15 e 64 anos, por sexo (em%)



Indicador
Homens
Mulheres
Total

Relações sexuais nos últimos 12 meses
81
73,7
77,3

Relações sexuais antes dos 15 anos
36,9
17
26,8

Mais de 10 parceiros na vida
40,1
10,9
25,3

Mais de 5 parceiros casuais no último ano
13,2
4,1
8,8

Relação sexual com pessoa do mesmo sexo, na vida
10
5,2
7,6

Pelo menos um parceiro fixo nos últimos 12 meses
84,2
89
86,5

Pelo menos um parceiro casual nos últimos 12 meses
36,8
18,5
27,9

Pelo menos um parceiro que conheceu pela internet nos últimos 12 meses
10,3
4,1
7,3


Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008

SEXO PROTEGIDO – A pesquisa constatou ainda que quase metade da população (45,7%) faz uso consistente do preservativo com seus parceiros casuais (usou em todas as relações eventuais nos últimos 12 meses). As principais diferenças estão entre homens e mulheres e por faixa etária. Homens usam mais preservativos que as mulheres em todas as situações. Os jovens são os que mais fazem sexo protegido em relação aos mais velhos (veja texto anexo). A análise dos dados com recorte de região e de escolaridade não mostra diferenças significativas.

Uso do preservativo na população sexualmente ativa entre

15 e 64 anos, por sexo (em%)



Uso do preservativo
Homens
Mulheres
Total

Na primeira relação sexual (15 a 24 anos)
63,8
57,6
60,9

Na última relação sexual dos últimos 12 meses
40,2
29,7
35,1

Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses
65,1
45,5
58,8

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos
21,5
17,3
19,4

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais
51,0
34,6
45,7


Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008.



Uso do preservativo na população sexualmente ativa

entre 15 e 64 anos, segundo faixa etária, em 2008 (em%)



Uso de preservativo
15-24
25-49
50-64
15-64 (Total)

Na primeira relação sexual (15 a 24 anos)
60,9
-
-
60,9

Na última relação sexual dos últimos 12 meses
55,0
30,2
16,4
35,1

Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses
67,8
54,4
37,9
58,8

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com qualquer parceiro
32,6
17,2
10,5
20,6

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos
30,7
16,6
10,0
19,4

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais
49,6
44,6
32,0
45,7


Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008

INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO – A população brasileira possui um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e de prevenção da aids – mais de 95% da população sabe que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. O conhecimento é maior entre pessoas de maior escolaridade. Mas mesmo entre aqueles com primário incompleto, o preservativo é bastante conhecido. Além disso, 90% dos brasileiros afirmaram saber que a aids ainda não tem cura. Não há diferenças relevantes sobre o conhecimento entre as regiões nem entre os sexos.

Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 64 anos, com conhecimento correto
sobre as formas de transmissão do HIV, por escolaridade. Brasil, 2008



Formas de transmissão
Primário Incompleto
Primário Completo e Fundamental Incompleto
Fundamental Completo
Total

Sabe que uma pessoa com aparência saudável pode estar infectado pelo HIV
81,2
91,6
96,6
92,0

Acha que ter parceiro fiel e não infectado reduz o risco de transmissão do HIV
78,6
81,5
80,2
80,5

Sabe que o uso de preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV
95,2
96,9
96,9
96,6

Sabe que pode ser infectado ao compartilhar de seringa
85,1
88,6
96,0
91,2

Sabe que pode ser infectado nas relações sexuais sem preservativo
92,2
95,9
96,8
95,7

Sabe que não que existe cura para a aids
90,6
93,1
95,3
93,6


Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008


Esse é um dos índices mais elevados do mundo. Pesquisa realizada em 64 países indicou que 40% dos homens e 38% das mulheres de 15 a 24 anos tinham conhecimento exato sobre como evitar a transmissão do HIV. Além disso, dados do relatório da Assembléia Geral das Nações Unidas em HIV/Aids (UNGASS) de 2008 apontam que, no mundo, há diferenças importantes entre os sexos: pouco mais de 70% dos homens jovens sabem que usar preservativo é uma estratégia de prevenção eficaz contra a transmissão do HIV. Entre as mulheres, são apenas 55%.




MAIS EXPOSTOS – A comparação dos resultados da PCAP 2008 com os da mesma pesquisa realizada em 2004 acenderam o alerta para o Ministério da Saúde. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice foi mais que o dobro, passando para 9,3%. Ao lado disso, o conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou uma tendência queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.



Indicadores de comportamento sexual da

população sexualmente ativa, em 2004 e 2008 (em %)



Indicador
2004
2008

Relações sexuais nos últimos 12 meses
81,4
79,0

Relações sexuais antes dos 15 anos
25,2
27,7

Mais de 10 parceiros na vida
19,3
25,9

Mais de 5 parceiros casuais no último ano
4,0
9,3


Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 54 anos de idade, 2004; Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008




Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 54 anos sexualmente ativos,
segundo o uso de preservativo, em 2004 e 2008



Indicador
2004
2008

Na primeira relação sexual (15 a 24 anos)
53,2
60,9

Na última relação sexual dos últimos 12 meses
38,4
36,8

Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses
67
59,9

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com qualquer parceiro
25,3
21,5

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos
24,9
20,3

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais
51,5
46,5


Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 54 anos de idade, 2004; Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008




PARCERIAS FIXAS E CASUAIS – Pela primeira vez, a PCAP analisou a ocorrência das relações casuais no mesmo período das relações fixas. De acordo com a pesquisa, 16% dos brasileiros traem – dos 43,9 milhões que viviam com companheiros (as), 7,1 milhões tiveram parceiros (as) eventuais, no mesmo período. São os homens os que mais traem: 21% (4,7 milhões). Já para as mulheres, esse índice é de 11% (1,8 milhão).


A pesquisa analisou também o uso do preservativo nas parcerias casuais fora da relação estável. O uso nessa situação é baixo. 63% não adotaram preservativo em todas as vezes que fizeram sexo com parceiro eventual. Entre os homens, o índice é de 57% e entre as mulheres 75%.




Parcerias casuais de quem vive com companheiros no último ano (em %)




%
N

Homens
Mulheres
Total
Homens
Mulheres
Total

Dentre os sexualmente ativos no ano

Vivem com companheiro
63%
68%
66%
21.888.461
21.985.459
43.873.920

Têm parceiro casual e vivem com companheiro
21%
11%
16%
4.673.452
2.404.832
7.078.284

Não usou preservativo em todas as relações casuais
57%
75%
63%
2.652.805
1.798.108
4.450.913

Não usou preservativo na última relação casual
49%
68%
56%
2.291.572
1.632.638
3.924.210


Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008



O QUE PROMOVE O USO DO PRESERVATIVO – O Departamento de DST e Aids – responsável pelo estudo – criou um modelo estatístico para analisar as informações da pesquisa e identificou quais são os principais fatores que impactam a adoção do preservativo. Gênero, acesso gratuito à camisinha e quantidade de parcerias casuais são as características mais importantes:


– Homens têm 40% mais chance de usar camisinha que as mulheres;

– Quanto mais jovem, maior a probabilidade de uso de preservativo (a cada ano, diminui 1% a chance de o indivíduo usar preservativo);

– Quem teve mais de cinco parceiros casuais nos últimos 12 meses tem quase duas vezes mais chance de usar que os que não tiveram;

– Quem já pegou preservativo de graça tem duas vezes mais chance de usar que aqueles que nunca pegaram.


A divisão por sexo mostra que alguns fatores têm impacto diferenciado sobre homens e mulheres. Entre eles, os “solteiros” têm quase quatro vezes mais chance de usar a camisinha que os com relações estáveis; os que já pegaram preservativo de graça têm 80% mais chance de usar que os que nunca pegaram. Entre as mulheres, as “solteiras” têm mais que o dobro de chance de usar que as “casadas”. As que já pegaram preservativo de graça têm mais que o dobro de chance de fazer sexo seguro que as que nunca pegaram.

CAMISINHA DE GRAÇA


30% dos brasileiros pegaram camisinha de graça no último ano. O principal local para ter acesso ao preservativo gratuitamente são os serviços de saúde, seguidos pelas escolas.


Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 64 anos, que declara ter recebido
preservativo de graça, nos últimos 12 meses, por faixa etária, segundo locais de retirada



Indicadores
15-24
25-49
50-64
15-64

Serviço de saúde
37,7
27,0
10,7
27,2

ONG
7,8
5,6
2,7
5,7

Escolas (dentre os que estudavam)
16,5
-
-
-

Pegou preservativo de graça pelo menos uma vez nos últimos 12 meses
41,4
28,6
11,6
29,2


Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008

METODOLOGIA


A Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids na População Brasileira de 15 a 64 anos foi realizada por técnicos do Ibope em todas as regiões do país em novembro de 2008, com 8 mil entrevistados. A amostragem foi estratificada por macrorregião geográfica (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste) e situação urbano/rural. As características sociodemográficas apresentadas na pesquisa se assemelham às do Censo do IBGE: quase 49% eram homens; 53,3% tinham entre 25 e 49 anos; 42,6% tinham o nível de escolaridade fundamental completo; 46,3% declarou sua cor ou raça como parda e 38,9% como branca; em torno de 57% vivia com companheiro; 48,5% pertenciam à classe econômica C; quase 7% residiam na região Norte, 26,7% no Nordeste, 44,4% no Sudeste, 15,2% no Sul e 7% na região Centro-Oeste; grau de urbanização foi de quase 83%. A análise dos dados foi feita pela equipe técnica do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, com o apoio do Centro de Informação Científica e Tecnológica (LIS/CICT) da Fundação Oswaldo Cruz.



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