Cassilândia, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

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23/11/2007 07:56

O recado do Cheida: Peixe de mentiroso morre diferente

Luiz Eduaro Cheida

E quando Jacó Timbozeiro, no segredo da madrugada, pegava o rumo do mato, desarmado de vara de pescar, o mundo já sabia: ia tirar timbó.

Da casca e raiz, macetadas a boas pauladas, a unha de Jacó beliscava um veneno leitoso e, com ele, tinguinjava a água do rio.

Minutos depois de jogar o veneno na água, os peixes boiavam, intoxicados e ele, assoviando, partia para a colheita.

Bem antes do almoço, voltava com o embornal recheado de lambari, bagre e traíra. Era peixe de fartar até os gatos da mais longínqua vizinhança.

Mas timbó sempre fora proibido por lei. E ali, em Cabreúva do Banhado, proibido e meio.

Cansado de avisar, o cabo Durvalino Matoso naquele dia também rumou para o mato no rastro de Jacó Timbozeiro.

No calor das dez, mal boiaram os primeiros lambaris, Matoso brotou por detrás de uma touceira de capim, em jeito de aparição. E do alto de sua patente, foi logo dando a ordem certa, como era merecedor um caso daquele tamanho:

- Teje preso!

De costas, o timbozeiro nem precisou se virar para reconhecer a voz de trombone do militar.

- E por que, meu cabo? – soprou, em voz de caniço.

- Não sabe que timbó na água dá cadeia, seu Jacó?

- Quê timbó, cabo Matoso?

- Como, quê timbó? O que estes peixes estão fazendo de barriga pra cima?

- Tá tudo morto, sim senhor.

- E morreram de quê? – já correndo a mão nas algemas por pura perda de paciência.

- Afogamento.

Na cadeia, Jacó Timbozeiro lembrou-se que peixe não morre afogado. Nem em Cabreúva do Banhado nem em nenhum lugar do mundo.

Mas já era tarde.



Um forte abraço e até sexta que vem.









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Luiz Eduardo Cheida é médico, deputado estadual e presidente da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Paraná. Foi prefeito de Londrina, Secretário de Estado do Meio Ambiente, membro titular do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

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