Cassilândia, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

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12/04/2008 06:53

O recado do Cheida: Multar resolve?

Luiz Eduardo Cheida




Ontem, morreu no Rio de Janeiro a 80ª pessoa com dengue. Para o ano que vem, estima-se que 15 dos 27 estados brasileiros estejam tão conflitados quanto está hoje o estado carioca.

A revolução da indústria farmacêutica, com seus antibióticos e vacinas, causou a falsa crença de que, para todo mal, havia remédio. Crentes de que a tecnologia nos livrara de pandemias mortais como a gripe espanhola, relaxamos a guarda. Sem prestar a devida atenção de que, a cada ano, morrem no mundo cerca de 30 milhões de pessoas contaminadas por vírus, bactérias, fungos e protozoários, demos mais valor à cura que à prevenção.

Além disso:

1. Os deslocamentos populacionais no mundo crescem absurdamente.
2. As viagens internacionais são mais intensas e de menor duração.
3. Superpopulações tornam precárias as condições sanitárias das cidades.
4. Invasões de novos habitats expõem os humanos a novos vetores.
5. Alterações ambientais, em especial as mudanças climáticas, turbinam de forma surpreendente, estes e outros males.

Agora, um espectro ronda o nosso planeta: são as doenças reemergentes.
São velhas conhecidas. Consideradas sob controle e que, por isso mesmo, não amolavam tanto nem se constituíam problema de saúde pública, mas que ressurgiram com força total. São elas, dentre outras, a cólera, difteria, febre amarela, tuberculose, leishimaniose e a dengue.

A dengue, depois de aterrorizar países do sudeste asiático, reemergiu pra valer, aqui em solo pátrio, há 15 anos.
Desde então, o mosquito transmissor da doença, este verdadeiro flagelo alado, aterroriza populações e faz morrer de forma indiscriminada.
A divulgação do modo de transmissão e as campanhas governamentais de prevenção são de tal modo insistentes, que dificilmente haja quem desconheça que água parada favorece a doença. Estima-se que 95% dos casos deixariam de ocorrer caso a população resolvesse agir com mais responsabilidade em seu local de moradia e trabalho.

Mesmo informada, a população facilita para que os ovos do Aedis continuem sendo postos e suas larvas continuem a desenvolver-se pelos quintais do Brasil. O que acontece? Tendência ao suicídio? Instinto masoquista? Desleixo crônico? Irresponsabilidade aguda?

Não sei. Apenas sei que a cooperação popular é a única arma que pode por um fim a esta tragédia anunciada.

Por isso, imaginei obrigar os profissionais da Vigilância à Saúde a multarem, em caso de reincidência, aqueles que facilitam a reprodução do mosquito. Cingapura, debaixo de fortíssima epidemia, ao lado de outras medidas, teve a coragem de fazer isso. Resultado: reduziu em 78.6% os casos de contágio de dengue simples e hemorrágica entre 2005 e 2006.

Estou apresentando Projeto de Lei que especifica valores e determina multas cada vez mais severas conforme a reincidência. Será que resolve?
- O mosquítio diz que não – fala Genivaldo, um caboclinho que cometeu a imprudência de votar em mim.
- Sei não... – matuta no seu canto a minha tia – o marvado fala isso porque as multa desfavorece ele.
Tonho, meu compadre, intervém:
- Taca logo a murta, cumpadi, depois nós pesquisa a opinião do mosquítio.
Daí, eu óio procê e pirgunto:
- Quiceacha?

Um forte abraço e até sexta que vem.











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Luiz Eduardo Cheida é médico, deputado estadual e presidente da Comissão de Ecologia da Assembléia Legislativa do Paraná. Premiado pela ONU por seus projetos ambientais, foi prefeito de Londrina, secretário de Estado do Meio Ambiente, membro titular do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

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