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18/10/2013 15:05

O que tem a ver o cadarço do sapato com a saúde?

Fabio Ravaglia*

Até as coisas mais simples, cotidianas, contam quando a questão é a saúde. Um detalhe que poucos relacionam com a saúde é o cadarço do sapato. O que tem a ver o cadarço lá no pé com a saúde? Já respondo, começando pelo que é mais grave: a hora de amarrar o sapato é um momento de tensão, muitos acabam por cair e se machucar. Desamarrado, então, é um vilão para todos. Quem ainda não tropeçou no próprio cadarço? O sapato adequadamente preso faz a diferença no instante em que é requisitado para proteger o pé. Conforto e segurança ficam em evidência quando é feito um bom ajuste do calçado ao pé e o cadarço é devidamente posto a exercer a sua função.

Acostume-se com a posição correta do corpo para executar a tarefa de amarrar o calçado com segurança. O risco de perder o equilíbrio é grande quando se faz isto com o corpo curvado ou abaixado. Uma boa posição é apoiar o pé do sapato a ser amarrado no degrau da escada, por exemplo, e manter o outro no chão, com atenção para não perder o equilíbrio. Sentado é a posição mais segura. Crianças podem sentar no chão e pessoas idosas ou com problemas de saúde podem sentar na cadeira e usar um banco mais baixo para apoiar o pé. Escorado ou apoiado nem sempre é uma boa opção.

Seja eficiente ao dar o laço para que ele não solte facilmente. Mas, como manter o laço firme? Após dar o laço, segure o cadarço no ponto entre o buraco do sapato e o nó do laço com os dedos polegar e indicador, dos dois lados dos passadores, um com cada mão, e puxe para as laterais. O primeiro nó ficará mais firme e o laço tenderá a ficar melhor centralizado. Esta técnica é ideal para sapatos com cadarços redondos, que desamarram facilmente quando o laço não é firme. Bem mais fácil e bonito do que dar um nó em cima do laço. Em pedagogia, uma das competências que se exige de uma criança com cinco anos é que ela tenha capacidade cognitiva para amarrar o tênis. As duas orelhinhas de um bicho, quase sempre coelhos, são temas de brincadeiras e cantigas para facilitar o aprendizado dos pequenos, no Brasil e mundo afora. Por incrível que pareça, uma pesquisa recente revela que 19% das crianças entre dois e cinco anos sabem usar aplicativos de equipamentos eletrônicos, enquanto somente 9% sabem amarrar o sapato. Por isso, foi lançado um aplicativo para smartphone para contribuir para o aprendizado em um ambiente moderno. Certeza que amarrar o calçado não é fácil para crianças e nem para adultos, que ainda têm dúvidas de todas as ordens.

Calce o sapato, puxe os cordões para ajustar, sem apertar demais a ponto de incomodar e sem deixar folgado para o calcado não cair. Apertado, pode inclusive prejudicar a circulação sanguínea, e frouxo, o calçado deixa o pé instável, situação que pode levar a queda, torção ou traumatismo. É importante encontrar o ponto para não ficar solto nem preso demais. Quem tem inchaço precisa refazer o laço sempre no final do dia, para que o pé continue cabendo no calça; isso evita problemas para os pés e para os sapatos, que podem soltar os ilhoses quando muito pressionados. A folga deve ser preparada sem o nó, a partir dos passadores da ponta do pé, subindo em direção ao tornozelo. Os calçados com mais buracos oferecem mais possibilidades de ajustes para mais ou para menos e também possibilitam que se use quatro cadarços, dois em um mesmo pé de sapato, de maneira que possam ser feitos ajustes diferentes em cada fio. Outra alternativa é amarrar o cadarço ou passá-lo duas vezes pelos mesmos passadores paralelos, já na metade da coluna de buracos, fazendo o ajuste de parte do pé, e seguindo com o cadarço enfiado nos demais buracos para um segundo ajuste. Isto é bom para pessoas que têm pés largos na frente e estreito no calcanhar. Para melhorar o ajuste, pessoas com pés gordos devem deixar os ilhoses de um lado mais separados do outro, de maneira que a língua do sapato apareça mais no peito do pé, o que permite ampliar a área para comportar o pé. O ajuste do cadarço é justamente para que o calçado se adeque ao formato de cada pé.

O sistema de amarração do calçado é fundamental para dar estabilidade na passada por ser essencial para a firmeza do sapato no pé. Os tênis modernos são projetados com diferentes cadarços e passadores para atender às necessidades de cada prática esportiva. São idealizados para o conforto do pé e para a segurança da pessoa no que se refere ao risco de torção ou fratura. Cadarço bom é resistente o bastante para não romper quando se vira o pé, não importa se a fibra resulta em uma trama chata ou circular, de algodão ou não. Os passadores também são variáveis, em forma de buracos ou ilhoses. Tudo vai depender do objetivo para o qual o calçado foi projetado. Por exemplo, o calçado para o caminhador, que anda em superfície acidentada e montanhosa, é aquele que tem passadores em forma de ganchos, alças que ajudam a manter sustentado o cabedal no pé. Se a caminhada for em região com neve ou muita umidade, o calçado pode ter uma lingueta por cima da amarração para evitar que os pés fiquem molhados. O tênis para ciclista tem o sistema de amarração inclinado na lateral de fora do pé para evitar que o cadarço enrosque na corrente da bicicleta. O tênis para o corredor é geralmente com cadarços finos passados em furos pequenos concentrados na região da lingueta, já que o movimento do peito do pé exige mais desta parte do tênis durante a atividade. Tanto para caminhada quanto para corrida há especialistas recomendando o uso de tênis livre de laço, apenas nós, para não correr o risco de cadarço solto.

Sempre vem à moda a ideia de personalizar o calçado trocando o cadarço. Não é aconselhável mudar o original do tênis para a prática de esporte, porque a função do calçado foi estudada e testada, portanto, há um bom motivo para que seja da maneira que é. E não é apenas por questões de segurança, o projeto do calçado esportivo normalmente considera também o desempenho do atleta, que pode ser melhorado com o uso do tênis durante a prática do esporte. Para quem quer seguir a moda de muitas cores nos modelos para passeio, considere o número de pares de passadores para escolher o cadarço do tamanho certo. Inclusive, homens mais descolados estão usando sapato social com o cadarço da cor da gravata ou da camisa. Décadas atrás, foi moda usar sapato com cadarços imensos para fazer laços com múltiplas laçadas, que nunca ficavam firmes e faziam com que crianças e jovens caíssem com mais facilidade. O cumprimento do cadarço deve corresponder ao total de furos (dois pares de buracos, 45 centímetros ou quatro pares, sessenta centímetros). Existem quase dois trilhões de possibilidades para passar o cadarço pelos passadores para personalizar o calçado, segundo o site www.fieggen.com/shoelace. As diferentes maneiras fazem lindos desenhos, mas é preciso ter bom senso para perceber se a forma não compromete a finalidade do sistema de amarração, deixando o calçado frouxo ou apertado no pé. No caso de tênis, o cadarço cruzado atende bem a quase todas as modalidades esportivas. Outras modas que talvez precisem ser abandonadas são a de trocar o cadarço por elástico e a de andar com o calçado desamarrado. As duas alternativas representam um perigo a mais já que o calçado geralmente fica solto no pé, o que pode acarretar queda, bolha e o que é pior: o desenvolvimento do dedo em garra, uma lesão que em nível muito avançado pode resultar na incapacidade de movimentar os dedos. Se bem que, há uma novidade em tênis para corrida: um modelo preso por elásticos, mas o calçado foi projetado para funcionar assim. Aliás, estão surgindo soluções inusitadas como um tênis, sem costuras internas, que dispensa o uso de meias.

Amarre sapatos e tênis corretamente e mantenha a saúde. Para quem tem dificuldade em amarrar os sapatos, há alternativas de calçados com zíper ou velcro, muito usadas por crianças pequenas e idosos; porém, não são ideais para a prática esportiva, por não oferecerem tantas opções de ajustes e segurança para pés extremamente ativos. Lembre-se que o sapato inadequado ou amarrado incorretamente pode ser causador de problemas, como unha preta, fascite plantar, calosidades ou bolhas.

Fabio Ferraz do Amaral Ravaglia* (CRM-SP 54.294 e RQE 11.990/89)

Cirurgião ortopedista e traumatologista, Fabio Ravaglia é presidente, desde 2005, do Instituto Ortopedia & Saúde (IOS) – organização da sociedade civil que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção a doenças, principalmente aquelas associadas à terceira idade, e que organiza o Projeto Cidadania – Caminhadas com Segurança, evento mensal que incentiva a atividade física e conta com uma feira social de saúde aberta à população para a realização de exames gratuitos.

www.ortopediaesaude.org.br www.osso.org.br

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