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23/12/2013 12:45

O poder da persistência: por que devemos tentar mais uma vez?

Por Orlando Oda

Quarenta anos atrás a praia que frequento no litoral norte de São Paulo era cheia de árvores e muitas sombras naturais. Não havia necessidade de levar guarda-sol. Bastava estender uma esteira e fazer o “hanami” (como os japoneses fazem para passar o dia se divertindo com os amigos e familiares).

Hoje, as árvores praticamente desapareceram das praias. Restam poucas. Todos os anos elas se esforçam para preservar a espécie. Produzem muitas frutas e sementes que são esparramadas pelo chão, brotando em grande quantidade nas areias. Alguns meses depois não há mais sobreviventes porque foram mortas, pisoteadas pelos banhistas.

Como não adianta reclamar (nem sei para quem reclamar), decidi fazer alguma coisa. Na primeira tentativa apanhei os frutos, esparramei em locais pouco frequentados. Muitas sementes brotaram. Mas não sobreviveram devido à inadequação do lugar. Outras também foram pisoteadas porque não havia uma sinalização adequada.

Na segunda tentativa cavei e levei as mudas das árvores com raízes. Plantei em locais protegidos pela sombra de arbustos nativos. Fiz uma boa sinalização para chamar a atenção. Mesmo assim, todas as mudas foram pisoteadas e mortas. No verão as pessoas estacionavam os carros na sombra, pisoteando tudo que encontravam pelo caminho - só para abrigar o automóvel.

Fiz a terceira tentativa motivado pelas notícias dos efeitos das mudanças climáticas, já bem visíveis na praia. Muitas árvores estavam tombadas devido à ação das ondas que invadiram as areias. A ideia foi plantar mudas bem mais altas, para serem fortes e visíveis. Imaginei que se fosse assim as pessoas iriam respeitar.

Levei muitas sementes para minha casa em São Paulo. Fiz um viveiro de mudas. Cuidei mais de um ano até atingirem uma boa altura. Fiz várias viagens para transportar as mudas com automóvel. Ida e volta são mais de 500 Km. Cavei buracos bem fundos, sinalização bem visível com pedras e troncos de árvores.

Consegui acompanhar o crescimento por muito pouco tempo. Não são todas que conseguem sobreviver mesmo com raízes fortes. Locais distantes do mar tem pouca humidade. Bastou o primeiro feriadão para a decepção total. Os carros e as pessoas haviam pisoteado quase todas as mudas. Mais de cem mudas e restavam pouco mais de meia dúzia.

Desisti. Não costumo fazer isso. Guardo uma frase para enfrentar as dificuldades: “a diferença entre o sucesso e insucesso está em tentar mais uma vez”. Desisti porque não consegui visualizar uma solução, uma outra forma de agir. A minha vã filosofia diz que errar uma vez é normal; errar pela segunda vez é teimosia; fracassar pela terceira vez é burrice.

Não fui mais à praia. A insensibilidade, a individualidade das pessoas me deixava sem vontade. Os frequentadores daquela praia são na maioria jovens. Devem ser jovens com boa educação, bom poder aquisitivo e suponho, bem informados. Incompreensível a atitude de pisotear as mudas ignorando a sinalização, só para estacionar o carro o mais próximo da praia, nas sombras, como se fossem inválidos ou idosos com dificuldade de locomoção.

Apesar do espírito solidário, são muito individualistas. São solidários e participativos depois que a casa cai. Deixam tudo para depois. Por isso, os políticos “deitam e rolam”. Não desenvolveram o senso do dever coletivo. Assim o que é de todos, acaba não sendo de ninguém. Fala, fala, cobra a responsabilidade das autoridades e da sociedade, mas falta iniciativa individual, assumir a responsabilidade, agir e fazer a sua parte.

Depois de quase dois anos, voltei à praia. Fui caminhar. Passei pelos locais onde havia plantado as mudas. Não tinha nenhuma expectativa. Uma grande surpresa! Duas ou três árvores ainda estavam vivas e cercadas. Alguém estava cuidando. Alguém plantou novamente as árvores praticamente nos mesmos locais, com cerquinhas.

Veio à memória a frase inspiradora do Thomas Edson: “Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez”. Alguém captou a mesma ideia. Está tentando preservar as árvores. Pode ser mesmo que Deus existe. Pode ser que esteja dizendo: “tente mais uma vez”. Que 2014 venha cheio de desafios, e que você consiga tentar quantas vezes forem necessárias!

Orlando Oda é administrador de empresas, mestrado em administração financeira pela FGV e presidente do Grupo AfixCode.

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