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29/06/2006 10:38

O perfil clínico do portador de doença de Chagas

Agência Notisa

Resultados mostram que a média de idade foi maior no serviço de internação e que o sexo masculino predominou entre os internados. A história familiar da doença foi positiva em 68,9% deles e 53,3% relataram a presença de vetores no domicílio.

A doença de Chagas, que tem como agente etiológico o Trypanosoma cruzi, atinge aproximadamente 15 milhões de pessoas em toda a América Latina, das quais 3,5 milhões somente no Brasil, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Atualmente, a maioria das pessoas infectadas está em fase crônica da doença que pode expressar-se sob forma indeterminada, cardíaca, digestiva e cardiodigestiva. Nesse sentido, Mônica Gomes da Universidade Estadual de Maringá e equipe resolveram descrever o perfil clínico-epidemiológico de pacientes com doença de Chagas atendidos no Hospital Universitário de Maringá (HUM) (PR).

Os pesquisadores realizaram um estudo transversal, por meio da análise de 95 prontuários que corresponderam ao total de pacientes com diagnóstico de doença de Chagas atendidos no HUM no período de maio de 1998 a maio de 2003. De acordo com artigo publicado na edição de maio de 2006 da revista Cadernos de Saúde Pública, “todos os pacientes foram submetidos a um questionário, e foram coletados dados referentes à idade, sexo, naturalidade, procedência, história familiar para doença de Chagas, tipo de atendimento (ambulatorial ou internação), provável mecanismo de transmissão, motivo da procura do serviço médico, formas clínicas da doença, co-morbidades, exames complementares e sorológicos realizados e tratamento etiológico para a doença de Chagas”.

A equipe observou que a média de idade foi maior no serviço de internação e que o sexo masculino predominou entre os internados, e o feminino entre os ambulatoriais. De 95 pacientes, 60% nasceram em Minas Gerais e São Paulo e 25,3% no Paraná. A história familiar para doença de Chagas foi positiva em 68,9% deles e 53,3% relataram a presença de triatomíneos (vetores da doença como o barbeiro) no domicílio. As principais formas clínicas foram a cardíaca, a digestiva, a indeterminada e a cardiodigestiva. A forma indeterminada prevaleceu entre os ambulatoriais e as formas cardíaca e digestiva entre os internados. As complicações crônicas cardíacas e digestivas foram as principais queixas para a internação.

Além disso, em 56,8% dos pacientes foi identificada a presença de co-morbidades. As principais doenças associadas foram: hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica e doença arterial coronária. A insuficiência cardíaca congestiva (ICC), a sorologia positiva para doença de Chagas e obstipação intestinal foram os principais motivos que levaram os pacientes a procurar atendimento no HUM. Os pesquisadores explicam que “a presença dessas complicações em pacientes internados pode ser o reflexo da ausência de intervenções preventivas, incluindo o tratamento etiológico, que poderiam amenizar esses quadros, mas pode também estar relacionada ao fato de esses pacientes apresentarem maior tempo de evolução da doença”.

Dessa forma, eles alertam para a importância do conhecimento do perfil clínico-epidemiológico dos pacientes com doença de Chagas: “os resultados apresentados neste trabalho indicam que ao HUM recorrem tanto pacientes com doença de Chagas sem sintomas, quanto com complicações crônicas dessa doença. O conhecimento do perfil clínico-epidemiológico desses pacientes pode permitir a melhoria no atendimento, desde que condutas sistematizadas, elaboração de protocolos com a finalidade de trabalho preventivo, grupos de apoio psicossocial integrado ao tratamento clínico, terapêutico ou ambos sejam implantados”.

Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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