Cassilândia, Sábado, 03 de Dezembro de 2016

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03/09/2004 14:38

O atraso no diagnóstico do adenocarcinoma gástrico

Agência Notisa

Em artigo publicado na revista Gastric Cancer, pesquisa do Royal Gwent Hospital compara prospectivamente a história evolutiva de grupo diagnosticado em quadro de emergência com aquele em que a doença foi identificada eletivamente.


Preocupados com a concorrência por hegemonia do câncer gástrico — segundo mais comum no mundo, 10.000 novos casos diagnosticados e 7500 mortes a cada ano só na Inglaterra —, pesquisadores dos departamentos de cirurgia e gastroenterologia do Royal Gwent Hospital de Newport, Reino Unido, investigaram prospectivamente, entre 1995 e 2003, 300 pacientes diagnosticados com adenocarcinoma gástrico. A idade média da pesquisa foi de 71 anos, (entre 27 e 93), sendo 17 o número de menores de 50 anos.A intenção era comparar as características entre aqueles cujo diagnóstico foi feito na vigência de quadro agudo nos setor de emergência e os identificados vindo do atendimento externo, eletivo. Sua hipótese era a de que encontrar a patologia na vigência da complicação emergencial seria mau prognóstico, aumentaria morbidade e mortalidade e, de fato, estaria significando o atraso de um diagnóstico que poderia ter sido feito em um estágio anterior, mais precoce de malignidade.

“Os objetivos deste estudo foram, por este motivo, quantificar a proporção de pacientes admitidos em um grande hospital público da UK, com complicações emergenciais de um câncer gástrico não diagnosticado previamente; identificar fatores que contribuíram para o atraso nesse diagnóstico; estadiar a doença na apresentação do quadro; auditar resultados terapêuticos e determinar taxas de sobrevida”, dizem Blackshaw e colegas em artigo publicado na edição de julho de 2004 da revista Gastric Câncer.

Anemia, hematêmese, massa palpável, perda de peso e disfagia foram mais comuns nos 116 pacientes que foram diagnosticados no serviço de emergência em comparação aos 184 cujo diagnóstico foi obtido eletivamente, em achado endoscópico ou outro procedimento assistencial, “sendo a disfagia mais comum naqueles com tumores da cárdia, se confrontados com tumores mais distais”, diz o texto. Estágios mais avançados da doença e metástases também prevaleceram nos pacientes agudos; ao contrário, o atraso entre início dos sintomas e diagnóstico girou em torno de sete semanas para estes e 20 semanas para os demais. Todas as cirurgias — 20% foram feitas nos pacientes agudos e 38% nos eletivos — foram levadas a cabo pelo mesmo cirurgião, segundo o texto, “com especial interesse por câncer esofagogástrico”. E mais, dizem os pesquisadores: “é nossa conduta fazer ressecção D2 radical modificada com linfadenectomia, mas preservando pâncreas e baço quando possível, como foi descrito por Lees e seus colegas e, mais recentemente, por nós mesmos”. Por outro lado, afirmam que ninguém foi submetido à quimioterapia antes da cirurgia.

Todos os pacientes foram acompanhados no estudo, sendo de cinco anos o tempo de follow up que foi conseguido com 81% deles. Da história pregressar, o uso de supressão antiácida para sintomas dispépticos prévios não foi estatisticamente diferente entre os dois grupos. Prospectivamente, morbidade e mortalidade foram maiores no grupo da emergência e menor para este o tempo de sobrevida, como haviam apostado os pesquisadores ao proporem o trabalho. A questão que eles discutem é sua preocupação com o que consideram inadequado do ponto de vista da prevenção com relação ao câncer gastrico: “nosso principal achado é que mais de um em cada três destes 300 pacientes precisou ser internado com urgência e não menos de 60% tinha doença incurável”, dizem, comparando com os dados japoneses eficazes e sugerindo a má utilização corrente da endoscopia, mesmo estando disponível na Inglaterra bem como indicando procedimentos errados tanto terapêuticos quanto investigativos. “A supressão ácida prescrita por generalistas ocorreu em 38% dos pacientes com primodiagnóstico ao quadro emergencial e em 30% dos eletivos. É significante que estes pacientes tenham sido atendidos previamente com sintomas dispéticos por seus generalistas e não tenham sido encaminhados nem a um especialista e nem ao procedimento gastroendoscópico”, criticam.

Segundo os autores, a pesquisa foi parcialmente fomentada pela Fundação Astra e seus resultados apresentados no 5º congresso Internacional de Câncer Gástrico, em Roma e na Sociedade Britânica de Gastroenterologia, em Birmingham.

Agência Notisa (jornalismo científico - scientific journalism)

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