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29/08/2013 16:03

O acidente teve vítima fatal

Alcides Silva
Alcides SilvaAlcides Silva

Língua portuguesa, inculta e bela


Alcides Silva


Erros comuns:


1 – O acidente teve vítima fatal.


Nas quatro últimas edições do “Fantástico”, da TV Globo, do findado mês de agosto deste 2013, quando o assunto se referia a pessoas mortas de formas violentas, vieram as narrações dos fatos adjetivadas com o inexorível “vítima fatal”.
“Fatal” (do latim fatale – do destino) é adjetivo, isto é, palavra que se junta ao nome para expressar qualidade, propriedade, condição ou estado do respectivo ser. Como adjetivo, fatal significa: marcado pelo fato ( =destino); determinado; decisivo, inevitável, infalível, irrevogável; improrrogável, final; que traz, por determinação do destino, a infelicidade; fnesto, que causa desgraça, nefasto, nocivo, desastroso; e o que causa a morte; mortal, mortífero, letal.
Assim não há vítima fatal, porque vítima (no latim victima originariamente era o animal, ou pessoa, oferecido em sacrifício aos deuses) será sempre o objeto da ação e não seu agente. Na linguagem do ‘Fasntástivo’, as vítimas teriam recebido a morte e não a produzido. O acidente pode ter sido fatal, como letal podem ter sido o tiro, a facada, a pancada, a tijolada, etc... Nunca a vítima.
“Mulher fatal” seria então a mulher que produz a morte? Não. Mulher fatal é a mulher sensual, a sedutora, a irresistível, a de “fechar o comércio”, a capaz de produzir uma real “tragédia doméstica”; a capetinha dos seus sonhos , a anjinha dos seus pesadelos! enfim, a “pantera”!


2 – “Diga-me com quem andas e te direi quem és”.
No exemplo, o verbo dizer está no imperativo afirmativo que é o modo verbal empregado para exortar a pessoa a quem se fala a cumprir a ação indicada pelo verbo. Como a pessoa a quem se fala é sempre a segunda (tu, no singular; vós, no plural), para se conjugar qualquer verbo nesse modo, como regra geral, basta pegar o “tu” e o “vós” do presente do indicativo, sem a letra s final: O verbo dizer, no presente do indicativo é tu dizes e vós dizeis. Assim, em bom português, fala-se ou se escreve “Dize-me com quem andas que te direi quem és” ou “Dizei-me com quem andas que vos direi que sois”. Obs: A regra acima não se aplica, por exemplo, ao verbo ser, cujo imperativo é “se” (2ª pessoa do singular) e “sede” (2ª pessoa do plural).


3 – “Não deixa a música parar”.
Aqui também, é o caso do imperativo, só que negativo: “Não deixe a música parar” é o correto.


4 – “Com a ampliação da sala os móveis serão melhor distribuídos”
“Melhor” e “pior” são comparativos dos adjetivos “bom’ e “mau” e dos advérbios “bem” e “mal”. Embora o advérbio melhor substitua perfeitamente a locução ‘mais bem’ (“Hoje ele cantou melhor”) – e ‘pior’, a ‘mais mal’, - não se pode usar indiscriminadamente qualquer uma dessas formas. A sintética (melhor, pior) deve vir junto a verbo e a analítica (mais bem, mais mal) sempre antes de adjetivo ou de particípio. Assim escrevo: “Dormi melhor” (forma sintética) – “Foram os dias mais bem vividos de minha vida” – “No baile era ela a mais mal vestida” (formas analíticas).
Posto isso, tenho como regra geral que, diante de qualquer particípio, devo usar as formas analíticas “mais bem” ou “mais mal”: “O trabalhador hoje está mais mal remunerado”. Já com o verbo anterior que não esteja no modo particípio, obrigatoriamente, devo utilizar-se da forma sintética: “A situação econômica de hoje é pior que a do ano passado”.. Assim, ampliada a sala, os móveis serão mais bem distribuídos.

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