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27/07/2016 06:51

No calor de Aquidauana, o traje do noivo roubou a cena no dia do casamento

Thailla Torres, Campo Grande News
Charles ficou feliz de usar o traje e confessou que amou o Brasil. (Foto: Gabriela Bernardes)Charles ficou feliz de usar o traje e confessou que amou o Brasil. (Foto: Gabriela Bernardes)

 

Com flores na cabeça e um vestido delicado, Lucilene realizou o sonho de casar rodeada de amigos e da família aqui no Brasil. Mas foi o figurino do noivo que roubou a cena em uma cerimônia simples, cheia de sorrisos e emoção dos dois apaixonados. Charles usava saia, que faz parte do kilt, um traje típico escocês utilizado pelos homens.

Lucilene Pereira Cruz, de 28 anos, é brasileira. Charles Caldes, tem 39 e é escocês. Ela vive na Espanha, ele na Escócia. Como Lucilene sempre fez questão de casar em casa, ele decidiu realizar a vontade da noiva, mas também não abriu mão de usar o traje que faz parte da cultura de seu país.

“A gente teria muita dificuldade para levar todo mundo para outro país. E como eu disse que não casaria longe da minha família, ele topou conhecer o Brasil e a gente só veio para casar. Foi aí que ele fez questão de usar o kilt. Eu já sabia dessa possibilidade e aceitei, porque o irmão dele também casou do mesmo jeito e, se não fosse assim, eu sei que ele não se sentiria bem”, conta Lucilene.

Como em cenas de filme, a história dos dois começou com amor à primeira vista. Ela já morava e trabalhava alguns anos na Espanha e durante as férias os dois acabaram se conhecendo. Entre a troca de olhares e um recado não enviado, ele tomou a iniciativa de lhe entregar um bilhete com elogio e número de celular. “A gente estava em um bar e ele pediu para o garçom entregar o número de celular. Mas o garçom não fez isso, a gente ficou se olhando e ele resolveu levantar para falar comigo”, descreve.

Apaixonada, ela descreve que o romance começou ali. “Começamos a nos ver e ficar juntos, não demorou muito para ele me pedir em namoro. Como a gente morava em países diferentes, tínhamos que viajar para namorar”, conta.

O amor resistiu a distância e a saudade. No Dia dos Namorados, que é comemorado em fevereiro na Espanha, ela decidiu fazer uma surpresa para o amado. Mas foi ele quem chegou com o pedido de casamento. “Foi tão lindo, ele simplesmente chegou e me pediu em casamento. Eu achei que seria apenas um jantar romântico, mas terminou em casamento”, se emociona.


Grande dia - De volta a Mato Grosso do Sul, em Aquidauana a cerimônia foi simples, mas do jeito que eles imaginavam. Na presença de um juiz de paz e uma tradutora, os dois disseram um sim cheio de amor. Depois, a comemoração aconteceu em um salão de festas ao lado da família da noiva.

As diferenças culturais acabaram atrapalhando o figurino escolhido por Charles. "Ele ficou com o traje só até o meio da festa, depois ele ficou um pouco constrangido e resolveu trocar de roupa", ri a esposa.

Para o noivo, além emoção, a vinda ao Brasil rendeu descobertas e alegrias. Ele ainda não fala nada em português, a tradução ficou por conta da esposa, enquanto esteve por aqui. Mas ele diz que amou os lugares e se surpreendeu com a gastronomia. "Eu levei ele para Bonito e ele ficou apaixonado. Acho que assim como todo mundo né? Mas ele estranhou algumas comidas também, o tempero do arroz e do feijão ele achou bem diferente. Só que ele amou demais comer um pãozinho francês, lá na cidade dele quase não tem", conta.

Em poucas palavras ele até arriscou "Eu amo o Brasil", descreve Lucilene. Dias após a cerimônia, ele retornou para Escócia, enquanto ela ficou em Aquidauana para resolver algumas documentações.

Em breve, Lu segue viagem para viver a vida ao lado do marido que ela confessa já estar sentindo saudades. "Foi um sonho realizado. A gente se apaixonou muito e não via a hora de casar. Quando a gente chegar lá vamos fazer uma comemoração com a família dele também", avisa.

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