Cassilândia, Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019

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30/12/2018 13:00

No ano da fake news, Ele Não e Ele Sim colocaram até famílias em pé guerra

Protestos, brigas nas redes sociais e notícias falsas geraram muita discussão este ano

Campo Grande News

Entre “ele não”, “ele sim” e “fake news”, a constatação sobre 2018 é quase unânime: a divisão de lados e posicionamentos políticos escancarou e estremeceu muita relação, de amigos a familiares. No ano em que Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República, protestos favoráveis e contrários, além de brigas nas redes sociais, marcaram o dia a dia, especialmente entre setembro e novembro.
O “fenômeno” que ganhou força foram as chamadas “fake news”, em tradução para o português, notícias falsas. O volume das mentiras foi grande até mesmo no dia da votação, em Campo Grande, e em outras cidades espalhadas pelo Brasil.

A situação foi tão intensa que o presidente do TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul), João Maria Lós, iniciou seu discurso, durante a diplomação dos eleitos no Estado, em 14 de dezembro de 2018, falando que as fake news atingiram os candidatos em disputa e também o processo eleitoral como um todo.

Afirmou, ainda, que as mentiras serão investigadas, mas que, de um modo geral, a tensão nas eleições não representa, necessariamente, algo negativo. Ao contrário, para ele, significa que as pessoas estão mais atentas e engajadas no processo eleitoral.

Ainda sobre as notícias inverídicas, em outubro deste ano, a justiça eleitoral determinou a remoção de uma página no Facebook, chamada MS Sem Corrupção, por ter publicado conteúdo de “natureza difamatória” contra o governador reeleito Reinaldo Azambuja (PSDB), na época candidato. As mensagens de cunho eleitoral foram consideradas fake news. Esse é só um exemplo do que foi possível ver em todo o País.

“Foi muito tenso, cheio de notícias onde não tinha nenhum fundo de verdade, sempre um tentando derrubar o outro com inverdades. Já acontecia antes, mas nesta eleição foi um absurdo e ainda continuam tais fake news”, afirmou o técnico de enfermagem Andrés Leguizamón Neto.

Diferente de muitos grupos de amigos e familiares, André percebeu divergência ideológicas com os parentes, “mas sempre discussões com respeito”. “As amizades permanecem, mas que houve atrito houve e muito”, lembrou. Durante a campanha eleitoral, André foi um dos que assumiu um lado e fez questão de publicá-lo em sua rede social.

Já o servidor público Paulo Soeira afirma que não se envolveu em muita discussão, até porque, por sorte, em sua família as opiniões eram parecidas. “Mas vi muitas brigas, ofensas e insultos entre amigos. Eu adotei uma linha de procurar opiniões”.

Para Paulo, o que mais pesou negativamente foram as notícias falsas, porque “mostraram imaturidade e a pouca importância com que parte da população tratou o processo”. “Principalmente sem se preocupar em gerar mentiras ou falsas interpretações que pudessem prejudicar injustamente os candidatos. Vi pessoas acreditando cegamente em tudo que liam ou escutavam, sem sequer dar o trabalho de se informar melhor”.

“#EleNão” e “EleSim”, nas ruas e redes sociais

No mesmo dia, protestos favorável e contrário tomaram as ruas de Campo Grande. Encabeçado por mulheres em todo o País, o movimento “#EleNão” surgiu nas redes sociais e nas ruas mostrou resistência contra o presidente eleito, Jair Bolsonaro, então candidato. Na Capital, o ponto de concentração na foi a Praça Cuiabá no dia 29 de setembro e reuniu ao menos 3 mil pessoas, que fizeram passeata ao longo da Orla Morena.

A concentração dos eleitores de Bolsonaro ocorreu no mesmo dia, mas foi nos Altos da Avenida Afonso Pena. Em oposição, os favoráveis ao governo criaram o “#EleSim” e se mobilizaram em ato no mesmo dia. Nos dois casos, os movimentos seguiram pacificamente, diferente do que ocorreu nas redes sociais, onde não houve um dia sem que os mais envolvidos na causa não tivessem se incomodado com postagem alheia ou tentado mudar o voto do “amigo”.

No fim das contas, “EleSim” venceu

Não só em âmbito nacional, o “EleSim” venceu a polarização também em Mato Grosso do Sul, elevando para cinco o que era zero representatividade em MS. Só na Assembleia Legislativa do Estado, o mais votado é do partido e defensor das ideias do presidente eleito, Jair Bolsonaro. O capitão do Exército Renan Contar foi eleito com 79.390 dos votos e, também do PSL, Carlos Alberto David dos Santos garantiu mandato com a escolha de 45.903 eleitores.

O efeito Bolsonaro elegeu também quem nunca havia disputado e em um cargo no qual, geralmente, são eleitos nomes mais antigos da política. Foi o caso da advogada Soraya Tronicke (PSL), que venceu a eleição para o Senado, desbancando velhos conhecidos e com mandatos. Waldemir Moka (MDB) tentava a reeleição, mas não conseguiu votos suficientes. O ex-governador de Mato Grosso do Sul, atual deputado federal, Zeca do PT, também ficou de fora do Senado.

Junto com Soraya, Simone Tebet (MDB), que não disputou, pois ainda cumpre seu mandato no qual foi eleita em 2014, e Nelson Trad Filho (PTB), ex-prefeito de Campo Grande, formam o trio de senadores de MS a partir de 2019.

Outra figura polêmica nas redes sociais, mas desconhecida, até então, na vida política, Loester Carlos, conhecido como “Tio Trutis”, foi eleito deputado federal pelo PSL. Ele é dono do "Trutis Bacon Bar, em Campo Grande, e foi autor de postagens polêmicas.

O médico Luiz Ovando, da mesma legenda, também garantiu uma vaga no parlamento federal e ampliou a representação do partido de Jair Bolsonaro em Mato Grosso do Sul.

MS no governo de Bolsonaro

A prova de que, em MS, o "Ele Sim" predominou é que Bolsonaro só perdeu em 10 dos 79 municípios do Estado, todos da região sul, segundo dados informados após o 2º turno pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Além do apaio, Mato Grosso do Sul também terá "presença" no governo eleito. Atual deputado federal, que em 2018 nem disputou a reeleição, Luiz Henrique Mandetta (DEM), ex-secretário de Saúde de Campo Grande, assume o cargo de ministro da Saúde, a partir de 1º de janeiro de 2019. Ele foi convidado por Bolsonaro e, em novembro, aceitou o cargo.

Tereza Cristina, deputada federal reeleita, do mesmo partido de Mandetta, foi definida como ministra da Agricultura dias antes. Na época da campanha do 2º turno, a parlamentar foi uma das que foi visitar o presidente eleito em sua casa, no Rio de Janeiro, para declarar apoio.

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