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16/01/2014 08:29

Na hora de dar nomes aos filhos, pais “piram” e homenageiam a si mesmos

Campo Grande News

Jucelina dos Santos, de 46 anos, tem até vergonha de dizer isso, mas, se dependesse do ex-marido, contou, o nome de uma das filhas seria Gina. Para ela, a sonoridade lembrava vagina. Não ficava bem para uma menina, argumentou. Pensando em evitar constrangimentos, a mulher tomou a frente e tratou de batizar a garota de Joélia.

O problema é que, com a decisão, de ser a única responsável pelos nomes da prole dali para frente, outros 4 herdeiros foram registrados com J no início, uma auto-homenagem declarada. “Sou uma guerreira. Fui abandonada quando meu caçula nasceu. Tive que cuidar sozinha de todos eles, dar educação. Graça a Deus nenhum virou ladrão ou bandido”, contou, justificando as escolhas.

Além de Joélia, na família de dona Jucelina tem Joelson, Joelma, Jocássia e Joandro. A quem pergunta ela diz, sem receio, que colocou os nomes porque quis e achou bonito. Simples assim. “Na minha cabeça só vinha isso”, disse, referindo-se à ausência total de inspiração com as outras letras do alfabeto.

A origem, no fundo, tem influência familiar, mais especificamente do pai, um cearense que sempre primou pela tradição no cartório. “Lá eles colocam os nomes dos filhos todos iguais”. Jucelina, por exemplo, é a junção de José (pai) e Celina (avó).

Ao contrário - Acadêmica de psicologia, Arizla Cunha de Moraes, 22 anos, tem o nome da mãe, só que ao contrário. O irmão, Ridoel, carrega as letras do pai, também na ordem invertida. A homenagem tem, em um sua origem, uma bela história de amor. Na época do namoro Alzira e Leodir se correspondiam por cartas e preenchiam o remetente com o nome ao contrário.

A brincadeira começou com ele, que era metido a poeta. Romântico que só, um dia o rapaz enviou à amada um poema assinando como Ridoel. Acostumou-se com a ideia e, desde então, passou pensar nos filhos. Se fosse menino seria Ridoel. Se fosse menina seria Arizla. O destinou deu uma força e os pombinhos, por sorte, tiveram um casal. Pronto. O sonho estava realizado.

Hoje, mais de 20 anos depois, quem conta esse romance é própria filha, que não se incomoda em ser Alzira de trás para frente e, por isso, não pretende alterar a identidade. “Para mim é comum. É como se eu me chamasse Rafaela”, disse. Antes achava que só existia ela com um nome assim no mundo, mas o Facebook provou o contrário.

Arizla, no entanto, continua sendo um nome diferente e isso, no fundo, a deixa feliz. Apesar da identificação, a jovem não chamaria a filha de Alzira, mas já cogitou homenagear o pai. “Ele se chama Leodir Antônio. Pensei em colocar Antônio”, contou. Não seria nada fora do comum.

Um "tiquinho" de cada - A “arte” de criar nomes, pegando um pedaço aqui e outro ali, é, pelo visto, uma das habilidades do pai do advogado Teamajormar Glauco Bezerra de Almeida, de 33 anos. O registro é tão incomum que, para facilitar, ele se apresenta, em alguns casos, apenas como “Teama”. “Mazinho” é outro apelido para os amigos mais próximos.

Teamajormar, mais tarde explicaram, é a junção de outros quatro nomes: Terezinha (mãe), Amabílio (avô), Jorge (avô) e Mario (pai), o próprio “criador”, que, assim como Jucelina, da “Família dos J”, se auto-homenageou. Mas a criatividade tem um motivo mais sério. “Na época meu pai teve o conhecimento de um caso de homônimos, no Rio de Janeiro, onde uma pessoa foi presa no lugar de outra. Ele fez isso para evitar problemas”, disse.

Tamanho cuidado rendeu um nome que, de tão diferente, parece ser único. “Mazinho” afirma que nunca sofreu com isso, nem foi vítima de bullying na escola, por exemplo. Ao contrário, ele afirma que Teamajormar sempre o ajudou. “Sou tímido e reservado. Isso me serviu, muitas vezes, como um ‘quebra-gelo’”.

É por isso que ele não quer e nunca pensou em trocar o nome, primeiro porque não se sente incomodado. Depois, cresceu achando natural ter um registro diferenciado. Para ele, o pai não se auto-homenageou, mas deixou um legado de família.

Só que o bancário não arriscaria batizar o filho desse jeito, nem para perpetuar a tradição. “Acho que hoje em dia quanto mais comum for, melhor. Estamos caminhando para uma época na qual o anonimato vai ser interessante”, disse.

Planejando o futuro - Se vai ser interessante, só o tempo dirá. Enquanto a comprovação não chega, a gerente Acácia de Souza Batista, de 26 anos, moradora de Coxim, quer mais é que a filha, que nem nasceu, brilhe. Grávida de 6 meses, ela já decidiu qual vai ser o nome da bebê: Radassa.

“É bíblico. É o nome de uma estrela, a mais forte, que serve como bússola. Quando as pessoas se perdiam no mar, ela guiava. Hoje é chamada de Estrela Dalva”, explicou.

Apesar dos conselhos e das opiniões contrárias, a gerente não pretende mudar, porque tem certeza que a filha vai gostar. Ela será ensinada, desde o início, a não dar ouvidos para outros, disse. “Acho que esse é o nome certo para ela. Sinto isso no meu coração”.

Acácia e Radassa, mãe e filha, prometem formar uma bela dupla. A sonoridade é parecida, mas a intenção, garante a sul-mato-grossense, passa longe de uma homenagem a si própria. Com nome de estrela, a primeira filha será, para ela, uma luz dentro de casa. Uma ga

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