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26/10/2007 07:30

Mulheres escalpeladas reivindicam cirurgias reparadoras

Leandro Martins/Repórter da Rádio Nacional da Amazônia
A secretária de Politicas para as Mulheres do AP e pres. da Associação das Mulheres EscalpeladasAntonio Cruz/ABrA secretária de Politicas para as Mulheres do AP e pres. da Associação das Mulheres EscalpeladasAntonio Cruz/ABr

Brasília - A secretária de Politicas para as Mulheres do Amapá, Ester de Paula Araújo, e a presidente da Associação das Mulheres Escalpeladas do Amapá, durante reunião da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, na Câmara
Brasília - Cabelos longos, irresponsabilidade, falta de fiscalização. Em uma fração de segundo, sonhos são destruídos. O nome é pouco conhecido: escalpelamento. Uma triste realidade que mancha os rios da Amazônia.

O escalpelamento acontece por causa da falta de segurança nas embarcações. Como os motores dos barcos não são apropriados para a navegação, ficam fixados no meio do veículo. Para transferir a força do motor para a hélice, que fica na parte traseira, é preciso a utilização de um eixo. O problema é que esse eixo fica exposto e gira a uma velocidade de 1800 rotações por minuto. Um pequeno descuido e os cabelos podem se enroscar ao eixo e arrancar todo o couro cabeludo, parte da pele do rosto e orelhas.

Para discutir o problema e buscar soluções, um grupo de mulheres vítimas de escalpelamento esteve hoje (25) na Comissão da Amazônia da Câmara dos Deputados, em Brasília. Elas participaram de uma audiência pública para expor a precariedade do transporte fluvial na Amazônia e o drama das vítimas deste tipo de acidente.

As mulheres escalpeladas pedem que o Sistema Único de Saúde (SUS) ofereça cirurgias plásticas de reparação nos estados onde moram. Pedem ainda que possam ser aposentadas por invalidez pela Previdência Social, porque não conseguem arrumar emprego por causa da aparência.

A presidente da associação das mulheres escalpeladas do Amapá, Maria do Socorro Pelaes Damasceno, sofreu escalpelamento aos 7 anos, teve o couro cabeludo e as orelhas arrancadas. Após diversas plásticas, ela ainda apresenta deformidades em seu rosto. Maria pede atenção ao governo federal para casos como o dela.

"Nós estamos pedindo que os médicos que fazem cirurgia reparadora possam ir ao nosso estado. Porque para a gente se deslocar do nosso estado para cá nós temos dificuldades, porque nem todas nós temos condições de ir fazer o tratamento em São Paulo ou no Rio."

Segundo dados da Comissão da Amazônia existem cerca de 100 mil barcos navegando na região amazônica. Um terço deles transita sem qualquer fiscalização. O vice-almirante dos Portos da Amazônia Oriental, Nilton Cardoso, afirma que a Capitania dos Portos vai intensificar a fiscalização nos rios da Amazônia.

"Lamentavelmente, nem todos os problemas são trazidos à Capitania dos Portos. Há um medo da pessoa ser presa. A Marinha não tem poder de polícia. A Marinha apreende a embarcação e só a libera depois que ela estiver dotada de todos os requisitos de segurança", garantiu Cardoso.

Maria disse que, somente no Amapá, existem 240 casos de vítimas de escalpelamento. No Pará são registrados dois casos por mês. A presidente da associação das mulheres escalpeladas do Amapá afirma que pode haver mais vítimas, porque muitas pessoas não registram os casos por medo de punição.

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