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30/04/2008 10:38

MS teve queda drástica na produção de alimentos

Fernanda Mathias/Campo Grande News

Em Mato Grosso do Sul a produção dos principais alimentos presentes à mesa do consumidor teve queda drástica nos últimos anos. É o que aconteceu, por exemplo, com a tradicional dupla arroz e feijão e também com o trigo. A ameaça de falta de alimentos é motivo de preocupação mundial e a discussão já chegou na ONU (Organizações das Nações Unidas). Isso porque ao longo dos anos a produção não acompanhou o crescimento da população e da demanda.

Enquanto culturas mais rentáveis como a soja e o milho tiveram forte expansão desde a década de 70, os alimentos mais consumidos pela população perderam espaço e o consumidor sente estes efeitos no bolso. A disparada no preço do feijão começou no ano passado e agora é o arroz que está bem mais caro.

A área plantada com arroz em Mato Grosso do Sul já chegou a ser de um milhão de hectares e para esta safra a previsão é de pouco mais de 37 mil hectares. Antigamente a maior parte das plantações era de sequeiro e o arroz foi usado para abertura de áreas de pastagem, segundo explica o superintendente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Sérgio Rios. A cultura perdeu espaço e ficou mais tecnificada.

Embora a produtividade tenha aumentado, com a produção irrigada em áreas de várzeas, a produção despencou. Há 30 anos o Estado chegou a produzir 420,1 mil toneladas e para esta safra a previsão é de 194,6 mil. A redução de produção nos últimos anos é apontada como conseqüência dos baixos preços pagos pelo produto.

E é o fator mercadológico também apontado como principal responsável pela redução na produção do feijão. Há 30 anos o Estado chegou a produzir 34 mil hectares com o grão, passando a 27 mil há uma década e para esta safra a previsão é de produzir 14 mil hectares.

Neste caso, a produção é concentrada na agricultura familiar e com preços ruins os produtores acabaram migrando para outras culturas, como o milho. Porém, a redução do plantio acarretou também na redução da reserva de sementes e os custos da produção subiram. “Os insumos estão caros e o produtos descapitalizado”, diz Sérgio Rios.

Não há anúncio de incentivo para produção de arroz e feijão, mas o governo federal, diante da discussão sobre o desabastecimento mundial, já adotou algumas medidas para incentivar a produção do trigo. A intenção é elevar em 25% a área plantada nos Estados. Hoje nível de dependência do trigo importado no País é de 70%.

Em Mato Grosso do Sul o trigo já chegou a ocupar uma área de 428 mil há 20 anos, mas na última safra somente 31,7 mil hectares receberam a cultura. Recentemente o governo federal anunciou aumento de 20% no preço mínimo do milho e aumentou o limite de financiamento. Diante do incentivo, a previsão é que a próxima safra ocupe área de 37 mil hectares rendendo 59 mil toneladas em grãos. Sérgio Rios.

Ele explica que a cultura é de risco e que a produtividade no Estado é bem menor que em outros locais com maior aptidão, como o Paraná. Enquanto em Mato Grosso do Sul a média de produtividade oscila entre 1,4 mil quilos a 1,5 mil quilos por hectare no Paraná é de 2,1 mil quilos. “Até os anos 70 e 80 a comercialização era estatizada, quem comprava era o governo.

Quando acabou o incentivo o risco ficou muito grande e a produção foi diminuindo”, conta Sérgio Rios. O governo brasileiro começou a apostar nas importações como alternativa mais barata, mas como a falta do produto se tornou um problema mundial agora está retomando os incentivos.

Mais rentáveis – Enquanto, principalmente por uma questão de preços, os principais alimentos perderam espaço nas terras de Mato Grosso do Sul, culturas mais rentáveis como a soja e o milho avançaram a largos passos. O milho que na década de 70 ocupava cerca de 100 mil hectares na safrinha agora passa dos 800 mil. No ano passado o grão teve forte valorização puxada principalmente pela destinação da produção norte-americana para o etanol. As exportações brasileiras de milho atingiram um volume recorde.
A soja que há 10 anos ocupava uma área de 494 mil hectares hoje está em 1,7 milhão de hectares. Além do aumento da área plantada o grande impulso na produção foi pela adoção de tecnologias que elevaram a produtividade. A safra deste ano atingiu 4,9 milhões de toneladas, dez vezes mais que na safra de 1997/98 embora a área plantada seja 3,5 vezes maior.

A vedete do momento, porém, é a cana-de-açúcar. Embora a expansão da cultura seja franca e não faltem incentivos para o plantio, Sérgio Rios não acredita que o produto esteja avançando sobre a produção de alimentos e sim sobre áreas de pastagens degradadas.

“A discussão tem de existir para se ter limites, mas não acredito nessa essa invasão. Em Maracaju, Rio Brilhante e Sidrolândia, pode ter entrando onde tinha soja e milho, mas as novas usinas estão fora do eixo de produção de grãos e alimentos. Estão em áreas de pastagem como Paranaíba e chapadão do Sul”, finaliza Rios.

Historicamente a área plantada com cana no Estado era de 150 mil a 160 mil hectares. Nesta safra passa a 260 mil e há uma projeção de que até 2012 chegue a um milhão de hectares.

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