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11/03/2008 15:28

MS pode ter estiagem prolongada neste ano

Informe Agropecuário

Mato Grosso do Sul pode registrar estiagem nos meses de maio e junho deste ano, quando as temperaturas devem cair no Estado, o que pode afetar a produção agrícola da segunda safra (a safrinha). A previsão foi revelada no dia 10 de março durante a palestra “Variações Climáticas para Agricultura e Pecuária em MS para 1º e 2º Semestre”, conduzida pelo físico do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), Nelson Jesus Ferreira. Participou também das explanações o meteorologista Natálio Abraão, da Uniderp.

Segundo os dois meteorologistas, os prognósticos agroclimatológicos para Mato Grosso do Sul apontam para possibilidade de secas prolongadas, posteriores a este período de excesso de umidade. No primeiro trimestre, as chuvas foram acima do esperado no Estado e, principalmente, em janeiro e fevereiro, foram verificadas intensas áreas de instabilidades no Estado - com três episódios de Zonas de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) – que causaram as chuvas.

Neste ano, o outono começa no dia 20 de março em MS e termina no dia 20 de junho. “Nesta transição do verão para o inverno teremos mudanças rápidas de temperatura no Estado. As chuvas que hoje estão freqüentes ficarão mais espaçadas com predomínio de períodos de estiagem”, disse Natálio.

O meteorologista afirma que o fenômeno La Nina está perdendo força e tende a a neutralidade, ou seja, deve deixar de influenciar o clima até setembro deste ano. Com isso, os resultados históricos de chuvas e estiagem devem praticamente se repetir, já que nenhum fenômeno vai interferir nas condições climáticas.

No entanto, até o momento, as Zonas de Convergência do Atlântico Sul modificaram o ritmo de chuvas no Estado. Em dezembro, as chuvas atingiram 260 milímetros, 18% a mais que a média histórica do mês. Em janeiro, foram registrados 254 milímetros de chuvas em MS e, em fevereiro, o volume de água caiu, ficando em 175 milímetros, abaixo da média histórica do mês que é de 180 milímetros. Já em março, a média histórica é de 162 milímetros e a estimativa dos meteorologistas era de 120 milímetros de chuvas, mas até o dia 10 de março, a chuva já havia atingido 108 milímetros.

Apesar da intensidade das chuvas até a primeira quinzena de março, a estimativa é que o final do mês possa registrar mais dias secos (sem chuvas), mas os ventos ainda podem influenciar esta análise. Outra previsão dos meteorologistas é que o outono traga baixas temperaturas ao Estado, acompanhadas de estiagem. A partir de abril já será possível sentir queda na umidade relativa do ar. “Será comum termos nevoeiros na região Centro-Sul de MS, com o aumento de pressão e resfriamento do solo. Provavelmente, em abril, alguns sul-mato-grossenses já terão que usar os casacos”, antecipou Natálio.

Além disso, o meteorologista revela que há 80% de chance de o Estado registrar temperaturas inferiores a 10ºC em maio e junho. Em abril, segundo ele, a média histórica de chuvas é da ordem de 140 milímetros, sendo que para este ano a previsão é de apenas 50 milímetros de chuvas. “Abril será um mês caracterizado pela ausência de chuvas em MS e em maio teremos de usar agasalhos com possibilidade de a temperatura oscilar até entre 8 e 10 graus”, afirma.

“A média de chuvas nos próximos meses deve cair cerca de 30% em relação à média histórica do Estado. Podemos ter estiagem no centro-sul, o que pode vir a prejudicar a safrinha de grãos”, confirmou Natálio.

Segundo ele na região central do Estado as temperaturas devem oscilar entre 11ºC e 30ºC em abril; entre 7ºC e 28ºC em maio; e entre 5ºC e 24ºC em junho. Na região Sul de MS, as temperaturas ficam entre 10ºC e 28ºC em abril; entre 6ºC e 25ºC em maio; e entre 3ºC e 24ºC em junho. No Norte do Estado, as temperaturas devem registra mínima de 14ºC e máxima de 31ºC em abril; oscilar entre 13ºC e 27ºC em maio; e ficar entre 11ºC e 26ºC em junho.

Nelson Jesus Ferreira, pesquisador do INPE, ressaltou a necessidade de parcerias locais para incentivar o uso no Estado das informações disponíveis gratuitamente sobre a meteorologia. “No Brasil, ainda temos poucas estações de coleta de dados meteorológicos, o que dificulta a precisão das previsões, mas esperamos que os estados possam ampliar essa rede para disponibilizar mais dados locais aos produtores rurais”, disse.

Hoje, o estado tem 24 plataformas de coleta de dados, sendo que mais 12 estão prestes a ser instaladas, elevando para 36 o número de estações de coleta. O número ainda é pequeno, mas segundo o meteorologista, já serve para dar início à solidificação dos trabalhos de previsão no Estado. No entanto, Santa Catarina, por exemplo, tem área bem inferior a MS e possui 300 estações de coletas de dados, de modo que aquele estado consegue maior precisão nas previsões, ajudando os produtores e empresas em geral. Nelson Jesus Ferreira destacou ainda que as empresas interessadas devem contribuir para que as plataformas sejam instaladas, já que cada uma custa em média US$ 20 mil, além dos custos de manutenção e dos programas de computador para captar e processar os dados.

O gerente de pesquisa da Agraer, Hércules Arce, afirmou que o Estado está começando a organizar sua rede de coleta de dados meteorológicos. “Estamos estreitando a relação do Centro Estadual de Monitoramento com o CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) para termos um programa que oriente os investidores de MS em suas necessidades de informações neste segmento”, disse.

Nelson Ferreira disponibilizou ainda os serviços de previsão do CPTEC aos produtores e à sociedade do Estado que podem ter acesso gratuito via fone a informações sobre o clima. O plantão com o meteorologista é pelo fone: (12) 3186.8459 e funciona diariamente das 6 da manhã à meia noite (horário de Brasília).



O palestrante

Nelson Jesus Ferreira, além de físico do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), é coordenador da pesquisa “Tempestades: Desenvolvimento de um Sistema Dinamicamente Adaptativo para Produção de Alertas para a Regiâo Sul/Sudeste”. Ferreira é mestre, PhD e pós-douto pelo Instituto Astronômico e Geofísico da USP, e é considerado como uma das maiores autoridades nacionais em Meteorologia Sinótica. É autor do livro "Aplicações ambientais brasileiras dos satélites NOAA e TIROS-N"s, e de outros 21 trabalhos científicos, além de constar em mais de 89 citações em diversas publicações científicas.

Atualmente, Ferreira é titular do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) do Inpe. Atuando também como professor das disciplinas Sensoriamento Remoto do Clima e Meteorologia Sinótica. Também desenvolve pesquisas em Climatologia, Meteorologia Sinótica e Meteorologia por Satélites, coordenando outros 17 pesquisadores do Inpe, e de mais três universidades brasileiras.

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