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30/10/2018 17:30

MPF chama produtores e Funai para discutir tensão entre índios e sitiantes

Donos de sítios não conseguem plantar soja e dizem se sentirem ameaçados; índios narram ataques armados até a crianças

Campo Grande News

Após novos confrontos entre índios e sitiantes, o procurador da República Marco Antônio Delfino de Almeida convocou representantes da Funai, dos produtores rurais e da prefeitura para uma reunião nesta tarde em Dourados, cidade a 233 km de Campo Grande.

Os índios denunciam pelo menos dois ataques armados feitos por seguranças dos proprietários de sítios localizados na região norte do município, ao lado da aldeia Bororó.

Segundo eles, usando munição não letal e algumas vezes bala de verdade, os seguranças disparam em direção aos grupos e não poupam nem crianças.

“Chegam aqui de caminhonete, de trator, são jagunços dos produtores, atiram na gente, derrubam os barracos, ameaçam matar todo mundo”, disse ao Campo Grande News uma estudante indígena que acompanha o grupo.

Os índios reivindicam a posse de áreas nos arredores da reserva indígena de Dourados, criada em 1917. A própria Funai alega que parte da reserva teria sido expropriada ao longo dos anos, mas até agora não houve uma perícia para identificar se os sítios fazem parte dessa área que teria sido ocupada irregularmente ainda no século passado.

Cinco sítios também nos arredores da reserva de Dourados estão ocupados por índios desde março de 2016. Recentemente o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu as decisões de primeira instância que determinavam as reintegrações de posse.

Sitiantes – Já os sitiantes acusam os índios de espalhar o terror entre os proprietários e muitos já abandonaram as terras temendo violência. Segundo eles, os seguranças foram contratados para garantir proteção às famílias que permanecem nos sítios.

“Eles fazem ameaças, começam a construir barracos, a gente nunca sabe o que vai acontecer”, afirmou ao Campo Grande News o sitiante Nelson Amaral de Assunção.

Segundo ele, o confronto de domingo (28) ocorreu porque um grupo tentou construir barracos em um dos sítios. “Os vizinhos se juntaram, foram lá e derrubaram cinco barracos deles e eles partiram para o ataque”.

Nelson afirma que nasceu no local, sempre foi amigo dos índios da aldeia Bororó, mas agora convive com ameaças de morte constantes. Ele denuncia que índios de outras regiões de Mato Grosso do Sul e até foragidos da Justiça teriam se instalado no local para tomar as terras dos sitiantes.

Os proprietários esperam que na reunião desta tarde ocorra uma solução para o confronto. Nelson teme pelo pior: “a gente não sabe a reação do ser humano, tanto da gente quanto deles, não sabemos onde isso pode chegar”.

Nelson conta que os sitiantes já procuraram o Ministério Público e receberam a garantia de que as terras deles não são indígenas. “Se as terras fossem indígenas a gente já teria ido embora e pedido indenização, mas não são”.

Ele afirma que alguns índios circulam pelas matas escondendo o rosto e fazem atos de terrorismo, como colocar fogo em padrões de energia. “Andam mascarados, com arma, invadem residências para roubar e fazem reféns”.

Os índios negam os ataques às residências e dizem que são eles as vítimas de seguranças armados. Entretanto, no fim de setembro, seis índios foram presos por roubo e cárcere privado após invadirem uma empresa de materiais recicláveis ao lado da aldeia Bororó.

PF – Em nota oficial, divulgada ontem (30), a Polícia Federal informou ter sido comunicada pela Polícia Militar, na manhã de domingo (28), da existência um índio baleado no local. Os PMs informaram que fizeram diligências nos locais informados, mas não encontraram ninguém.

“Na mesma manhã do dia 28 a Polícia Federal encaminhou equipe até o local onde havia sido informado um ataque a indígenas e, apesar de exaustivas buscas, não conseguiu localizar ninguém envolvido na situação”, afirma a PF.

Até agora, segundo a Polícia Federal, nenhum indivíduo procurou a instituição para ratificar as denúncias e auxiliar nas diligências. “O local apontado como aquele em que os fatos teriam ocorrido não se encontra dentro da aldeia indígena, sendo uma propriedade contígua”.

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