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23/02/2005 14:33

Método Mãe-Canguru traz benefícios para mãe e filho

Agência Notisa

Bebês prematuros ou com peso abaixo do normal necessitam de cuidados intensivos ao nascer. O Método Mãe-Canguru (MMC) surgiu como uma alternativa para casos onde a assistência tradicional não fosse possível. A maneira como as mães carregam os filhos após o nascimento – semelhante aos marsupiais – dá nome a esta prática. Sonia Isoyama e Honorina de Almeida, pesquisadoras do Instituto de Saúde CIP/SES/SP, analisaram os benefícios deste método em relação à qualidade de vida e ao desenvolvimeto dos bebês.

A prática foi criada e implantada em 1979 na Colômbia e, desde então, vem sendo amplamente difundida. O Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, apóia a iniciativa desde o início devido aos resultados positivos na redução da mortalidade, aos benefícios psicológicos – para mãe e filho - e ao baixo custo para implantação. Conforme artigo publicado no Jornal de Pediatria, ed.nov. 2004, o MMC, também conhecido como Cuidado Mãe Canguru ou Contato Pele a Pele foi originalmente idealizado diante da necessidade de se “dar alta precoce para recém-nascidos de baixo peso em situações críticas como falta de incubadoras, infecções cruzadas, ausência de recursos tecnológicos, desmame precoce, altas taxas de mortalidade neonatal e abandono materno”. Para implementação do método, o contato pele a pele entre a mãe e o bebê era incentivado desde o nascimento – sendo a criança colocada entre as mamas –. O leite materno deveria ser a única fonte de alimentação do recém-nascido. A alta precoce passou a ser indicada independente do peso do bebê, desde que suas condições clínicas fossem estáveis.

De lá para cá, muitas adaptações foram feitas e em 1992 o MMC foi aplicado pela primeira vez no Brasil . O Hospital Guilherme Álvaro de Santos, São Paulo e o Instituto Materno-Infantil de Pernambuco foram os pioneiros. A expansão da prática no país contribuiu para que se tornasse política pública, como ocorre na Colômbia, Peru, Moçambique e Indonésia. Em 2000, o Ministério da Saúde aprovou a Norma de Atenção Humanizada aos recém-nascidos de baixo peso, recomendando e definindo as diretrizes para a implantação do Método Mãe-Canguru nas unidades médico-assistenciais integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo as pesquisadoras “a Norma do Ministério propõe a aplicação do método em três etapas. A primeira tem início nas unidades neonatais (UTIN). Em seguida mãe e bebê são encaminhados às unidades canguru e, após a alta hospitalar, aos ambulatórios de seguimento”.

A primeira etapa do programa consiste em dar acesso precoce dos pais à UTIN, estimulando a amamentação e a participação da mãe nos cuidados do bebê. O contato pele a pele tem início assim que o recém-nascido apresentar condições clínicas favoráveis. Para entrar na segunda etapa a criança deve ter alcançado estabilidade clínica, peso mínimo de 1.250g e ganho de peso maior que 15g. Mãe e bebê permanecem em enfermaria conjunta - denominada alojamento canguru -. Neste estágio, o bebê deve ser colocado na posição canguru sempre que possível. Para receber alta hospitalar e chegar a terceira etapa do processo, a mãe deve comprometer-se a realizar o método fora do ambiente hospitalar e retornar sempre que for preciso. Esta etapa termina, normalmente, quando o bebê atinge 2.500g. De acordo com o artigo, “a proposta brasileira para aplicação do MMC baseia-se em cinco pilares: cuidados individualizados, centrados nos pais; a estimulação precoce - e prazerosa - do contato pele a pele; o controle ambiental de luz e som; adequação postural para evitar futuros distúrbios funcionais; e a amamentação, capaz de prevenir doenças no primeiro ano de vida e fortalecer o vínculo entre a mãe e o bebê”.

Segundo as pesquisadoras, as UTIs convencionais costumam impor a separação entre o bebê e sua família. Este afastamento, principalmente da mãe, pode levar a uma interferência negativa na formação dos laços afetivos. Para Sonia e Honorina,” existem evidências de que um contato íntimo da mãe com o bebê prematuro pode interferir positivamente na relação dessa criança com o mundo. A pele é maior órgão do corpo e recebe estímulos sensoriais em várias escalas. No MMC, o contato entre a pele do recém-nascido prematuro – em especial do tórax - e sua mãe, pode promover várias mudanças no organismo dos dois. Os bebês apresentam redução do choro aos 6 meses de idade. As mães reduzem os sintomas de estresse, inclusive em casos que necessitam estadia hospitalar prolongada. O contato pele a pele também estimula a liberação de ocitocina pela mãe. Há indícios de que este hormônio seja capaz de interfirir positivamente no seu humor, além de facilitar o contato com o recém-nascido”.

Ainda segundo o artigo, entre os principais benefícios da aplicação do Método Mãe-Canguru em bebês prematuros estão a capacidade de reduzir o risco de infecções hospitalares e do trato respiratório, o aumento no ganho de peso diário, melhor desenvolvimento mental e motor, além de períodos de sono mais tranqüilos e profundos. O aleitamento materno também é estimulado, já que, segundo estudos citados, as mães que praticam o método apresentam maior volume diário de produção de leite quando comparadas aquelas que não o seguem. O abandono da lactação também mostrou-se menos freqüente. Segundo as pesquisadoras, “o MMC foi proposto no Brasil com o objetivo de humanizar a assistência ao recém-nascido prematuro e estreitar o vínculo mãe-bebê - semelhante ao que ocorre nos países desenvolvidos - e não em substituição a tecnologia das unidades neonatais. Pesquisas sobre a efetividade dessa estratégia no contexto brasileiro são fundamentais para fornecer subsídios e apontar caminhos para a organização da assistência canguru em nosso país”.

Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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