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10/04/2012 13:10

Mesmo após a morte, papo no Facebook continua

Campo Grande News/ Ângela Kempfer e Marta Ferreira

Por maior que seja o preparo, a morte sempre deixa um espaço difícil de preencher. Para amenizar a distância repentina, tem gente que descobriu na modernidade um jeito de acalmar o coração.

Pelo facebook, Wilson Acosta conversa com a prima morta há mais de seis meses. “Parece coisa de maluco, mas eu ainda conto as novidades para ela”, admite o advogado de 42 anos.

Ele sabe que a resposta não virá, mas usa as mídias sociais para transformar aos poucos o sentimento ruim que ficou. “Sinto muito a falta dela. Preciso exteriorizar”, explica.

A prima Mariza Rios morreu aos 51 anos depois de uma cirurgia de redução de estômago, no final do ano passado. Durante dez dias permaneceu no CTI e pela primeira vez foi motivo de mobilização na internet. “Criamos um grupo de oração, para pedir pela saúde dela, com cerca de 50 pessoas”, lembra o primo.

Mariza não resistiu e as mensagens dos amigos continuaram. No Dia da Mulher, por exemplo, as homenagens vieram de várias partes, de amigos, parentes e colegas de trabalho.

O filho, de 17 anos, já tentou acabar com o perfil da mãe no Facebook, “mas foram tantos os pedidos dos amigos que ele não teve coragem”, comenta Wilson. “É como se pudesse dividir com os outros”, completa.

No Facebook do publicitário Giovanni Dolabani Leite o sorriso (parte responsável pelos amigos que conquistou) continua aberto.

Apesar da morte trágica durante incêndio no prédio Leonardo da Vinci, no ano passado, as postagens são leves, de saudade.

Católico fervoroso, o rapaz de 25 anos participava de grupos de evangelização, retiros espirituais e no dia do incêndio havia passado a manhã com o amigo Erfesson Ferreira, um dos que ainda registra a tristeza diante da morte.

Ainda hoje, os olhos lacrimejam ao lembrar do jovem cheio de vida de alegria que passou a ser como irmão. “A gente era muito ligado. Ainda não me conformei”, explica

Na página do amigo, as postagens são curtas, do tipo “ahhh, saudades”, postada pela amiga Isadora, ou até agradecimentos de quem acredita que Giovanni ainda esta presente. “Passando para agradecer a graça alcançada”, diz o amigo Odiney.

Erferson deixa mensagens maiores, conversa sobre o cotidiano, e assim vai se desapegando do amigo que, para ele, continua por aqui. “Eu sinto a presença dele, sei que ele me ouve e isso conforta”, justifica.

Dois anos depois - “É uma válvula de escape da saudade”, define o empresário Carlos Alberto Coimbra sobre a página da amiga Cleide Teles, jornalista falecida em 2010.

As postagens continuam dois anos depois, com palavras de carinho, quase desabafos.

\"Minha amiga , que saudade de sua voz, de nossas viagens pra Ponta Porã, de sua amizade , de conversar com vc da forma que conversávamos !! Obrigado por tudo , sei que vc está aqui junto de nós e intercedendo junto a Deus sua família e amigos , Amo vc !!\", se declara o amigo em uma das postagens à Cleide.

Carlos diz que não procura voluntariamente a página, mas que, se está no Facebook e vê que tem algo novo no perfil de “Cleidinha”, como chama a amiga até hoje, vai até lá na hora. “As vezes a gente sente saudades, se emociona”.

Carlos conheceu Cleide em 2000, durante um curso de MBA, e os dois se tornaram amigos inseparáveis. Quando ela adoeceu, vítima de câncer, os laços se estreitaram. “Nós falamos diariamente”.

Para ele, o sentimento provocado pelas visitas ocasionais ao perfil da amiga é sempre positivo. “É uma forma de guardar a memória dela”.

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