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21/05/2004 14:02

Médicos alemães descrevem caso inédito

Agência Notisa

É a primeira vez, na Europa, que um paciente HIV apresenta a infecção como primeira manifestação da doença. Os pesquisadores afirmam também que apesar de paciente séptico (com infecção generalizada), obtiveram sucesso terapêutico com retrovirais e tuberculostáticos

O Mycobaterium haemophilum é uma bactéria da família Mycobacteriaceae (a mesma família do Mycobacterium tuberculosis) raramente encontrada na espécie humana, mas que tem sido descrita em pacientes com HIV e em recipientes utilizados para transplantes. Em artigo que será publicado na revista Tuberculosis, médicos do Centro de Investigação de Borstel, do Centro de Referência Nacional para Micobactérias e da Universidade de Hamburgo, Alemanha, descrevem o caso de, segundo eles, o primeiro paciente a ter como manifestação inicial da Aids a infecção por esta micobactéria.

Ao ser admitido no hospital, o paciente de 65 anos, que era portador de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), coronariopata diagnosticado há 22 anos e tabagista de 30 anos/maço, apresentava-se com sinais de doença crônica (emagrecido), febre baixa (38,2ºC), RX com pulmões hiperinflados e pápulas eritematosas nos braços e pernas. Sete dias antes ele havia recebido o resultado de um exame positivo para HIV. Na internação, “a análise linfocitária revelou profunda imunodeficiência com contagem CD4+ de 23cells/ l e uma proporção CD4/CD8 de 0,04. A carga viral foi 100.000 cópias/ml e os outros exames pouco acrescentaram”, dizem Stürenburg e colegas no artigo.

Inicialmente, nada foi encontrado no exame direto do escarro do paciente. Entretanto, em torno de duas semanas após a internação, ambos, hemocultura e cultura de escarro mostravam crescimento de Mycobacterium e o RX de tórax com imagem de pneumonia grave bilateral. “Microscopicamente, a cultura era similar àquela que se observa com o Mycobacterium tuberculosis. Entretanto, a micobactéria não reagiu com provas específicas para DNA ((GenProbe, San Diego, CA) para complexos de M. tuberculosis ou M. avium-intracellulare. Utilizando-se a seqüência de 16S rRNA, a bactéria foi identificada como sendo o M. haemophilum”, dizem os médicos no artigo.

O paciente tinha também grave comprometimento de pele, cujas lesões são inclusive as manifestações mais comuns que foram descritas nos pacientes HIV que apresentaram M.haemophilum até hoje. Na verdade, pacientes que apresentaram pneumonia ou septicemia por este agente etiológico não obtiveram, em geral, bons resultados com o tratamento, evoluindo para o óbito.Segundo os autores, submetido à medicação com tuberculostáticos e terapia retro-viral, o paciente negativou o escarro em seis semanas e as lesões de pele desapareceram após três meses. “Nosso paciente não apenas é o primeiro paciente com infecção disseminada pelo M. haemophilum, incluindo septicemia e pneumonia que respondeu à terapia tuberculostática. É também o primeiro paciente na Europa a apresentar a infecção deste tipo pelo M. haemophilum”, dizem e acrescentam: “o M. haemophilum deve ser considerado além de um sério patógeno em pacientes HIV com contagens CD4 inferiores a 100, história de febre e lesões cutâneas, também um agente infeccioso que pode sim ser combatido com eficácia através da reconstituição imunológica e da terapia antimicobacteriana”.






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