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11/10/2011 08:04

Mato Grosso do Sul: Estado completa 34 anos de criação

Presidente Geisel e governador Harry Amorim no Estádio MorenãoPresidente Geisel e governador Harry Amorim no Estádio Morenão

Situado na Região Centro-Oeste do Brasil, Mato Grosso do Sul, uma das 27 das unidades federativas, tem a cidade de Campo Grande como sua capital. Faz divisa com o Mato Grosso seguindo os limites naturais da região que é formada por diversos rios. Com superfície de 358.159 km², limita-se a Oeste com a Bolívia e Paraguai, ao Norte com o Mato Grosso, ao Sul com o Paraguai e o Paraná e a Leste com São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

História - A descoberta do continente americano por Cristóvão Colombo em 1492 fez surgir entre Portugal e Espanha a disputa pelas terras, o que culminou no Tratado de Tordesilhas em 1494, o qual visava dividir o território entre as duas nações. Com a vinda de Pedro Álvares Cabral, teve início a colonização portuguesa ao continente que posteriormente viria ser conhecido como Brasil.

Há notícias de que o primeiro português a pisar no que hoje é Mato Grosso do Sul, teria sido Aleixo Garcia, por volta de 1524. Ele partira de Santa Catarina, atravessou a Serra de Maracaju, desceu o rio Miranda e, pelo rio Paraguai, chegou à Assunção. Aleixo buscava as riquezas das minas do Peru, difundidas em estórias da época.

Pelo Pantanal (conhecido como mar do Xaraés) e por outras terras de Mato Grosso do Sul em geral passaram numerosas bandeiras em direção ao Norte, ao Peru e ao Paraguai. As regiões do Ivinhema, do Iguatemi e a serra de Maracaju eram bem conhecidas dos bandeirantes e muito utilizadas em suas rotas fluviais.

Com o objetivo de aprisionar índios, Pascoal Moreira Cabral chegou ao território dos Coxiponés (atual Cuiabá) em 1718, onde descobriu ouro abundante junto ao rio Coxipó-Mirim. Em 8 de abril de 1719 nascia o arraial de Forquilha, que transformaria mais tarde na cidade de Cuiabá, iniciando-se na região a corrida pelo ouro.

Neste mesmo ano, os irmãos Leme bem armados, com escravos e recursos, seguiram um caminho diferente para Forquilha atravessando um lugar conhecido como Camapuã. Os quatro homens fizeram uma parada e, em 1719, fundava-se o primeiro núcleo de Mato Grosso do Sul, com a fixação dos primeiros homens brancos: a fazenda Camapuã.

Outros povoados começam a nascer no correr dos anos e também fortificações militares tais como o Forte Coimbra em 1775; o Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque (atual Ladário) em 1778; o presídio de Miranda, em 1797, às margens do rio Mondego (que passaria a chamar-se, daí em diante, de Miranda). A função era tanto de apoio aos viajantes que seguiam atrás do ouro fácil do Cuiabá quanto de demarcar e vigiar as fronteiras portuguesas contra os possíveis ataques espanhóis.

Tudo ia relativamente bem no Centro-Oeste brasileiro, mas não por muito tempo. Com a morte de seu pai, em 16 de setembro de 1862, o general Francisco Solano Lopez herda o governo Paraguaio e dá larga ao sonho de conquistar territórios litigiosos argentinos e brasileiros. É assim que no final de 1864 e, mais ferrenhamente, no início de 1865 a capitania de Mato Grosso é invadida pelos soldados de Solano Lopez. A Guerra do Paraguai (1864-1869) destruiu cidades como as de Nioaque, Miranda e Corumbá, que apenas em 1870 puderam começar a ser reconstruídas.

A primeira tentativa de se criar um novo Estado ocorreu em 1892 por iniciativa de alguns revolucionários liderados pelo coronel João da Silva Barbosa. Em 1932, com a Revolução Constitucionalista, foi criado o Estado de Maracaju, abrangendo quase todo o sul de Mato Grosso, que teve Vespasiano Martins como seu primeiro governador. No mesmo ano, foi criada a Liga Sul-Mato-Grossense, propugnando pela autonomia do sul.

Em 1974, o governo federal, pela Lei Complementar nº 20, estabelece a legislação básica para a criação de novos Estados e territórios, reacendendo a campanha pela autonomia. No dia 11 de outubro de 1977, o presidente Geisel assinava a Lei Complementar nº 31 criando o Estado de Mato Grosso do Sul, com capital em Campo Grande. Em 31 de março de 1978, o engenheiro Harry Amorim Costa era nomeado Governador do Estado.

Duas razões essenciais foram invocadas pelo governo federal para justificar o desmembramento: o fato de ter o Estado do Mato Grosso uma área grande para comportar uma administração eficaz; e a diferenciação ecológica entre as duas áreas, sendo Mato Grosso do Sul uma região de campos, particularmente indicada para a agricultura e a pecuária, e Mato Grosso, na entrada da Amazônia, uma região bastante menos habitada e explorada, e em grande parte coberta de florestas.

Geologia e relevo - A estrutura geológica do Mato Grosso do Sul é formado por três unidades geotectônicas distintas: a plataforma amazônica, o cinturão metamórfico Paraguai-Araguaia e a bacia sedimentar do Paraná. Sobre essas unidades visualizam-se dois conjuntos estruturais: o primeiro, mais antigo, com dobras e falhas, está localizado em terrenos pré-cambrianos, e segundo, em terrenos fanerozóicos, na bacia sedimentar do Paraná. Não ocorrem grandes altitudes nas duas principais formações montanhosas, as serras da Bodoquena e de Maracaju, que formam os divisores de águas das bacias do Paraguai e do Paraná. As altitudes médias do Estado ficam entre 200 e 600m.

O planalto da bacia do Paraná ocupa toda a porção Leste do Estado. Constitui a projeção do planalto Meridional, grande unidade de relevo que domina a região Sul do país. Apresenta extensas superfícies planas, com 400m a 1.000m de altitude. A baixada do rio Paraguai domina a região Oeste, com rupturas de declives ou relevos residuais, representados por escarpas (ladeiras íngremes) e morrarias (série de morros).

Sua maior porção é formada por uma planície aluvial sujeita a inundações periódicas, a planície do Pantanal, cujas altitudes oscilam entre 100 e 200m. Em meio à planície do Pantanal ocorrem alguns maciços isolados, como o de Urucum, com 1.160m de altitude, próximo à cidade de Corumbá.

Clima - Na maior parte do território do Estado predomina o clima do tipo tropical, com chuvas de verão e inverno seco, caracterizado por médias termométricas que variam entre 26°C na baixada do Paraguai e 23°C no planalto. A pluviosidade é de aproximadamente 1.500mm anuais. No extremo meridional ocorre o clima tropical de altitude, em virtude de uma latitude um pouco mais elevada e do relevo de planalto. A média térmica é pouco superior a 20°C, com queda abaixo de 18°C no mês mais frio do ano.

Vegetação - Os cerrados recobrem a maior parte do Estado. Na planície aluvial do Pantanal surge o chamado complexo do Pantanal, revestimento vegetal em que se combinam cerrados e campos, com predominância da vegetação de campos. Os campos, que constituem cinco por cento da vegetação do Estado, ocupam ainda uma pequena área na região de Campo Grande.

 Hidrografia - O território Estadual é drenado pelos sistemas dos rios Paraná (principais afluentes: Sucuriú, Verde, Pardo e Ivinheima), a Leste, e Paraguai (principal afluente: Miranda), a Oeste. Pelo Paraguai escoam as águas da planície do Pantanal e terrenos periféricos. Na baixada produzem-se anualmente inundações de longa duração.

População - As migrações de contingentes oriundos dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo foram fundamentais para o povoamento do Mato Grosso do Sul e marcaram a fisionomia da região. Essa área era a mais povoada do antigo Estado do Mato Grosso, com uma densidade demográfica bastante alta no planalto da bacia do rio Paraná, onde ocorrem solos de terra roxa com topografia regular.

Ao ser constituído, no final da década de 1970, o Estado contava com uma densidade média de 3,9 habitantes por quilômetro quadrado. Alguns municípios chegavam a ter mais de cinqüenta habitantes por quilômetro quadrado, em contraste com o norte (atual Mato Grosso), praticamente vazio. Além da capital, as cidades principais são Dourados e Corumbá. Vivem no Estado vários grupos indígenas.

Migração e Imigração - O crescimento do Sul de Mato Grosso nas primeiras décadas do Séc. XX se deu pela implantação da ferrovia que facilitou o intercâmbio com outras cidades do Brasil. Pessoas e mercadorias circularam mais intensamente dinamizando a vida das localidades por onde os trilhos passavam. A ferrovia foi construída para o Oeste sob a alegação da guarnição das fronteiras internacionais com a Bolívia e com o Paraguai.

A construção da ferrovia teve duas forças de trabalho: uma iniciada em Bauru e outra em Corumbá com um grande número de trabalhadores, onde muitos deles acabaram ficando na cidade.       

Os japoneses atuaram na construção da ferrovia tendo a opção de permanecer no local, dando um grande passo para a colonização no sul de Mato Grosso. O grupo de japoneses que chega com os trilhos são oriundos, na maioria, da ilha de Oknawa, ao Sul do Japão. Tem como característica o tom da pele mais escuro e elementos culturais específicos. A obra foi concluída em 1914.

A formação das cidades na capitania de Mato Grosso, depois, província, teve como estímulo: a descoberta do ouro e a defesa territorial. Já no atual Mato Grosso do Sul, onde não há a ocorrência de jazidas auríferas, a ocupação foi realizada devido a interesses estratégico-militares.

A consolidação da região de forma articulada a uma base econômica expressiva aconteceu após a Guerra do Paraguai em função da erva-mate e da dinamização da pecuária tradicional.

Presente no Estado de Mato Grosso do Sul desde o primórdio, a migração das mais diversas regiões do país contribuiu para o seu desenvolvimento e com as características culturais do povo deste Estado.

Os mineiros vindos da região de Uberaba chegaram à região em busca de negócios, pois eles tinham papel importante com a atividade da pecuária, além de ter familiaridade em semear povoados e interesses comerciais.

Em Paranaíba, cujos domínios se estendiam até o Rio Paraná, foi freqüente a presença de paulistas especialmente os da Vila Franca de Imperador e Botucatu.

Pela fronteira paraguaia, chegaram ao Sul de Mato Grosso, na década de 1890, os gaúchos que se refugiaram das turbulências políticas que aconteciam em Rio Grande do Sul.

O surgimento dos mascates, quem garantia a distribuição de mercadorias promovendo o comércio, fez abrir portas para os imigrantes que chegavam descapitalizados, em busca de oportunidades. Em Corumbá, vieram muitos turcos, sírios e libaneses que consolidaram negócios na região.

Com o tempo a base comercial, outrora sediada em Corumbá, transfere-se aos poucos para a capital, Campo Grande, com contribuição da visão estratégica dos árabes.

No censo demográfico de 1920, os estrangeiros representavam apenas 9,12% da população, entretanto eles contribuíram para uma influência decisiva na vida das cidades do Estado. Os japoneses porque participavam da construção da ferrovia, fatos primordiais da identidade campo-grandense, e os árabes porque lhe agregaram uma nova função, que passa a ser um de seus traços, o de centro do comércio regional.

A estes seguem os portugueses, italianos e espanhóis que vieram em busca de oportunidades. Chegam também os armênios e palestinos, além de paraguaios e bolivianos que, dada a proximidade com seus países de origem, tinham aqui uma oportunidade para emigrar. Cada grupo contribuindo do seu jeito com suas características para a diversidade e riqueza cultural do Estado de Mato Grosso do Sul. 

Economia - As principais fontes econômicas do Estado são agricultura e pecuária. A área econômica que mais se destaca do Estado de Mato Grosso do Sul é a do planalto da bacia do Paraná, com seus solos florestais e de terra roxa. Nesta região, os meios de transporte são mais eficientes e os mercados consumidores do Sudeste estão mais próximos.

A maior produção agropecuária concentra-se na região de Dourados desenvolvendo-se uma agricultura diversificada, com culturas de soja, arroz, café, trigo, milho, feijão, mandioca, algodão, amendoim e cana-de-açúcar. Nos campos limpos, pratica-se a pecuária de corte, com numeroso rebanho bovino, e os suínos assumem importância nas áreas agrícolas. No pantanal, a Oeste, estão as melhores pastagens do Estado.

 Energia e mineração - A maior parte da energia consumida no Estado é produzida pela hidrelétrica de Jupiá, instalada no rio Paraná, no Estado de São Paulo. As indústrias do Mato Grosso do Sul são responsáveis por 20% desse consumo.

Importantes jazidas de ferro, manganês, calcário, mármore e estanho são encontradas no Estado. Uma das maiores jazidas mundiais de ferro é a do monte Urucum, situado no município de Corumbá. De modo geral, o solo tem boas propriedades físicas, mas propriedades químicas fracas, o que exige a correção de cerca de 40% da área total com o emprego de calcário.

 Indústria - A principal atividade industrial do Mato Grosso do Sul é a produção de gêneros alimentícios, seguida da transformação de minerais não-metálicos e da indústria de madeira. Os beneficiamentos de carne bovina e de arroz têm seu centro na capital. Até antes do desmembramento, toda a carne produzida no Mato Grosso era beneficiada no atual Mato Grosso do Sul. Corumbá é o maior núcleo industrial do Centro-Oeste, com indústrias de cimento, fiação, curtume, beneficiamento de cereais e uma siderúrgica que trata o minério de Urucum.

 Transporte e Comércio - O Estado é servido por uma única linha ferroviária, que corta o Mato Grosso do Sul, da divisa com São Paulo, em Três Lagoas, até Santa Cruz, na Bolívia. A mesma linha serve as cidades de Campo Grande, Aquidauana e Corumbá, com um ramal em direção a Ponta Porã.

O principal eixo rodoviário é o que liga Campo Grande a Porto Quinze de Novembro, no rio Paraná, e a Ourinhos SP. O sistema viário contribui em boa medida para o escoamento da produção agropecuária. A navegação fluvial, que já teve importância decisiva, vem perdendo a preeminência. O principal porto é o de Corumbá, ao qual seguem-se os de Ladário, Porto Esperança e Porto Murtinho, todos no rio Paraguai.

O turismo ecológico também representa uma importante fonte de receita para o Estado. A região do pantanal mato-grossense atrai visitantes do resto do país e do mundo interessados em conhecer a beleza natural na região.

 

Referências Bibliográficas 

CAMPESTRINI, Hildebrando; GUIMARAES, Acyr Vaz. História de Mato Grosso do Sul. 4 ed. Campo Grande - MS: Papelaria Brasilia, 1995.

PALERMO, Miguel A. Nioaque: evolução política e revolução de Mato Grosso. Campo Grande - MS: Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, 1992.

RODRIGUES, J. Barbosa. História de Mato Grosso do Sul. Sao Paulo: Do Escritor, 1985.

SOUZA, Lécio Gomes de. História de uma região: Pantanal e Corumbá. São Paulo: Resenha Tributária, 1973.

MAIA DA CUNHA, Francisco Antônio. Campo Grande – 100 anos de construção. 1ª ed. Campo Grande-MS: Matriz Editora, 1999.

GUIMARÃES, Acyr Vaz. Mato Grosso do Sul, sua evolução histórica. 1ª ed. Campo Grande: UCDB, 1999.

Internet, Wikipedia: (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mato_grosso_do_sul)

Internet, IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (www.ibge.gov.br).

Fonte: www.ms.gov.br

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