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24/10/2005 13:54

Mato Grosso: arroba do boi salta para R$ 55

Acrissul

Arroba do boi gordo registra recuperação de 19,56% e atinge melhor cotação do ano em Mato Grosso.

Cuiabá/MT - Depois de oito meses no fundo do poço, quando os preços da arroba do boi atingiram os patamares mais baixos da história desde 1995, a pecuária de corte de Mato Grosso voltou a respirar aliada com a recuperação dos preços e a sinalização de que o mercado continuará em alta nas próximas semanas.

Ontem, a arroba do boi gordo na região da Baixada Cuiabana estava cotada entre R$ 54 e R$ 55, com uma recuperação de 19,56% em relação aos preços médios praticados no Estado no começo do mês, R$ 46.

“Os pecuaristas estavam sufocados. O que está acontecendo agora é apenas a recuperação de uma parte dos prejuízos que tivemos nos últimos anos, quando a arroba não acompanhou a alta dos insumos”, disse o presidente da Associação dos Proprietários Rurais do Estado (APR), Ricardo Castro Cunha. Segundo ele, os custos de produção foram majorados em 12% somente no ano passado, retirando a competitividade dos pecuaristas e deixando a classe em situação bastante difícil. “Estamos voltando aos patamares de 2001, quando a arroba chegou a R$ 60, mas ainda estamos longe do preço ideal, que seria entre R$ 65 e R$ 70 apenas para corrigirmos a defasagem acumulada”, completa.

O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Jorge Pires de Miranda, atribui a alta da arroba do boi ao período da estiagem (entressafra) ao fim do estoque de gado confinado nas regiões de Mato Grosso do Sul e São Paulo e à redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o gado em pé. “Não é nada relacionado ao quadro da aftosa no Mato Grosso do Sul”, faz questão de ressaltar.

Pires explica que, com a escassez de oferta nessas regiões, os frigoríficos voltaram seus olhos para o gado de criação extensiva (pasto), o que fez com que os preços melhorassem em Mato Grosso. “Acredito que nas circunstâncias atuais a tendência é de que os preços se mantenham estabilizados, com possibilidade de nova alta nas próximas semanas”, prevê.


OUTRO LADO

O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Estado (Sindifrigo), Milton Belicanta, discorda: “O mercado da carne está estável, mas o preço da arroba do boi gordo tende a cair, acompanhando o mercado do Mato Grosso do Sul”. Segundo ele, a margem de lucro dos frigoríficos é mínima em função da política cambial e da queda do consumo no mercado interno.

Conforme o presidente da Acrimat, em 2004 foram abatidos 5,2 milhões de animais em Mato Grosso e, para este ano, a expectativa é de que este número seja superado. “Mas temos estoque suficiente de gado e o abastecimento está garantido”, assegura.

Pires lembrou que, apesar da reação dos preços da arroba do boi, os pecuaristas ainda estão descapitalizados. “Os prejuízos que tivemos neste período negro da pecuária são incalculáveis”, disse, revelando que os preços dos insumos subiram, só neste ano, 5,5%, enquanto a arroba do boi sofreu um recuo de 11,80% e somente agora voltou a se recuperar.

No ano passado, a arroba chegou a ser vendida por até R$ 57 nos meses de setembro e outubro. Em janeiro deste ano, a arroba chegou a ser cotada por R$ 54, mas despencou para R$ 46 dois meses depois.

De acordo com Pires, os pecuaristas mato-grossenses estão pagando caro para manter o gado no rebanho. “Atualmente o custo é bem maior do que no ano passado, o que acabou tirando a competitividade do pecuarista e anulando o seu lucro”.


Cai prazo nas escalas de abates
A redução da oferta de gado confinado nas regiões de Mato Grosso do Sul e São Paulo aqueceu o mercado pecuário de Mato Grosso, melhorou os preços para o produtor e diminuiu o prazo de escala de abate nos frigoríficos. A escala (tempo de espera para o abate), que era de 30 a 45 dias até o mês passado, despencou para quatro dias, em média. Isso significa que o pecuarista passou a ter um giro mais rápido do gado vendido aos frigoríficos.

Em Mato Grosso, são 28 frigoríficos que abatem em média 18 mil cabeças por dia. Do total abatido, 95% é destinado às exportações e outros 5% ficam para atender ao consumo local.

A escassez de gado confinado levou o Marfrig, com duas plantas industriais em Mato Grosso, a acelerar o abate. A unidade de Tangará da Serra (242 quilômetros ao médio Norte de Cuiabá) passou a trabalhar na capacidade máxima, abatendo 700 cabeças/dia. Na unidade de Paranatinga (411 quilômetros da Capital), são abatidas 1,1 mil bovinos.

De acordo com informações do frigorífico Marfrig, a empresa incluiu turno extra nas duas unidades mato-grossenses para compensar a queda no volume de abate na unidade de Bataguassu (MS) e Promissão (SP). Toda a carne processada no Estado é direcionada ao mercado externo.


FRIBOI

O diretor de Originação do Grupo Friboi, Artêmio Listoni, informou ontem que o abate em Mato Grosso segue sem maiores alterações, mesmo depois da confirmação dos focos de febre aftosa e também dos embargos às carnes brasileiras.

“O Grupo Friboi, dentro de sua política de transparência, vem informar as medidas a serem tomadas, visando minimizar o impacto em suas exportações”, declara o diretor.

Dos estados afetados pelo embargo, o Friboi possui apenas uma planta localizada em Campo Grande (MS), que passará a produzir carne in natura apenas para o mercado local, e três plantas no interior de São Paulo, localizadas em Andradina, Presidente Epitácio e Barretos, as quais, além do atendimento ao mercado interno, continuarão com foco na produção de carne industrializada destinada para o mercado externo, como vinha sendo feito.

As exportações de carne in natura maturada para o mercado internacional serão atendidas pelas unidades Friboi situadas em Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Rondônia e também por estados habilitados à exportação.

O Friboi possui 17 indústrias frigoríficas distribuídas em oito estados. O volume produzido atualmente pelo grupo destina 60% ao mercado interno e 40% ao mercado externo. Além disso, estrategicamente, o Friboi adquiriu recentemente a Swift Armour S.A. Argentina, que possui duas plantas naquele país.


Pecuária de corte cresce 8% ao ano no Estado
Como resultado dos investimentos em tecnologia e melhoramentos genéticos realizados pelos produtores, a pecuária de corte mato-grossense vem apresentando acentuado crescimento nos últimos anos. Na década de 90, por exemplo, a pecuária de corte registrou crescimento médio de 8% ao ano.

Atualmente, de acordo com informações da Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), boa parte do rebanho é abatida por volta dos três anos, com 17 arrobas, peso cada vez mais comum também para animais de dois anos e meio. Entre as matrizes, a cada 100 vacas obtêm-se em média 70 bezerros desmamados, enquanto no passado 100 vacas geravam 50 bezerros.

De acordo com as estatísticas, em 2004 o rebanho estadual atingiu cerca de 26,04 milhões de cabeças, sendo abatidos aproximadamente 3,2 milhões de animais. A produção de carne bovina de Mato Grosso é estimada em 733 mil toneladas (t), sendo que cerca de 642 mil/t são destinadas a outros estados e às exportações. Outras 91 mil/t são consumidas dentro do Estado.

Como conseqüência das políticas e campanhas sanitárias desenvolvidas em parceria com o governo estadual e da ampliação do comércio internacional, a carne bovina vem aumentando a participação na pauta de exportações brasileira, sendo responsável pela geração de milhares de empregos. Atualmente, as vendas externas estão cerca de 10 vezes maiores, com o produto chegando a mais de 100 países, o que representa 25% do volume mundial.


FÊMEAS

Atualmente, o abate de fêmeas já atinge 40% do rebanho nacional. De acordo com informações da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a média histórica nacional é de 23%.

O presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira, disse que a "pecuária sucateada” pode atingir as exportações de carne, que registraram aumento significativo nos primeiros seis meses de 2005, mesmo com a valorização do real. A própria CNA estima que neste ano as vendas do complexo carne fiquem, pela primeira vez, acima das exportações de soja.

No acumulado do ano, as remessas do setor ao exterior chegaram a US$ 1,424 bilhão, ou 31% acima do que o registrado no primeiro semestre do ano passado, US$ 1,088 bilhão. Em termos de quantidade, o setor saiu de 802 mil/t de janeiro a junho de 2004 para 1,06 milhão/t neste ano.

Nogueira explicou que, no período pós-julho de 1996, quando foi atingido o antigo preço mais baixo, as vendas ao exterior não foram afetadas, pois apenas 5% da produção estava destinada ao mercado internacional. Atualmente, esse percentual chega a 22%.


Foco faz Acrimat suspender leilões por 10 dias
A Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), diante do surgimento de focos de febre aftosa no rebanho bovino de Mato Grosso do Sul e Paraná, resolveu juntamente com as empresas leiloeiras suspender a realização dos leilões rurais no período de 1º a 10 de novembro, no Parque de Exposições de Cuiabá. A medida faz parte também do incentivo à campanha de vacinação contra a aftosa que o Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) realiza no próximo mês em todo o Estado.

“Vamos suspender a realização dos leilões para que os pecuaristas mato-grossenses possam imunizar o seu rebanho nos primeiros dez dias da campanha e só expor gado vacinado nos leilões”, argumenta o presidente da Acrimat, Jorge Pires de Miranda. Ele disse que a associação está engajada na campanha e irá apoiar as ações do Indea e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A Acrimat entregou na última quinta-feira, dia 20, documento ao governador Blairo Maggi expondo a preocupação da classe pecuarista do Estado e cobrando “ações preventivas e rápidas” em relação à questão da sanidade animal.

Segundo Pires, devido à crescente evolução do setor pecuário de Mato Grosso – maior rebanho bovino do País – e ao aumento na produção de suínos e ovinos com qualidade, a Acrimat está solicitando medidas preventivas diante do surto de aftosa no estado vizinho. Ele pede medidas preventivas também para o setor de aviários, produção de frangos e ovos no Estado em função do surgimento da gripe aviária, considerada pela União Européia como uma nova ameaça mundial.

Entre as providências solicitadas pela Acrimat está a vacinação em massa nas áreas de assentamento, terras indígenas e áreas de fronteiras.

A associação também faz um alerta ao governo no sentido de que intensifique a fiscalização na saída dos animais. “Com o surto de febre aftosa em bovinos do Mato Grosso do Sul, a tendência é de que aumente a busca de boi para abate aqui no Estado”, defende

Marcondes Maciel

Fonte: Diário de Cuiabá

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