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18/02/2008 07:45

Manoel Afonso - Eleição: nem sempre ganha o melhor

Manoel Afonso

Sem rodeios. Vou logo dando o melhor e talvez o mais conhecido exemplo de resultado incoerente de eleição. Foi naquela disputa entre Orestes Quércia, vice de Franco Montoro, contra o empresário Antônio Ermírio de Moraes. Quércia conseguiu convencer o eleitor de que o adversário era um tremendo mau caráter, péssimo patrão, explorador da mão de obra barata e que se beneficiava de favores do poder público para pagar menos impostos. Resultado: Quércia acabou virando governador do Estado mais importante da União.
Quanto as consequências todos sabem: Quércia quebrou São Paulo mas elegeu Fleury seu sucessor. E o Estado é que se danou durante oito anos (Covas-Alckmin) para pagar as contas e recolocar a locomotiva paulista nos trilhos.
Infelizmente esse é apenas mais um, dentre centenas de casos, onde os resultados contrariaram pelo menos as pesquisas iniciais e os prognósticos de observadores abalizados que se norteiam pelos princípios da administração competente e moralmente sadia.
Isso demonstra que não existe eleição ganha e nem eleição perdida. Quem morre na véspera (do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos) é o peru, diz o velho ditado. Esse papo de encomendar a faixa e o terno é um perigo. Quem não se lembra daquele gesto inoportuno de FHC ao usar um spray para desinfetar a cadeira de prefeito da cidade de São Paulo? A eleição estava quase ganha, mas o velho Jânio acabou surpreendendo nos últimos dias e acabou virando prefeito da maior cidade do país. Ao FHC restou aprender a dura lição.
Não basta ao candidato ser o melhor, portador dos predicados indispensáveis ao exercício do cargo que se pretende. É preciso também ter a competência de passar corretamente sua mensagem ao eleitor, fazendo deste uma espécie de cúmplice. Toda essa operação, processada quase toda durante a campanha, é complexa; exige cuidados e dedicação impar. Um simples deslize, como foi esse de Fernando Henrique contra Jânio, pode ser cruel e determinante para que não alcance o objetivo desejado.
Assim, o vencedor pode não ser o melhor, mas sim aquele que erra menos ao longo do processo e consegue se aproveitar bem das falhas do adversário. Provado está que currículo nota 10 não pode ser considerado passaporte para a vitória. Não basta só ser o melhor, é preciso ser competente. A política tem dessas coisas. É caprichosa! É traiçoeira!

Manoel Afonso




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