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08/09/2014 09:00

Mamães e bebês testam, na praça, a experiência de dançar como se fossem um só

Redação
Ao pé da letra, sling quer dizer tipoia e pode ser feito a partir de uma camiseta ou mesmo canga de praia. (Foto: Marcelo Victor)Ao pé da letra, sling quer dizer tipoia e pode ser feito a partir de uma camiseta ou mesmo canga de praia. (Foto: Marcelo Victor)

 

De longe, parece só um tecido. De perto, na gente, ele ganha nós, curvas e cruzadas para dar suporte aos bebês como cangurus. Neste final de semana o Lado B participou, na Praça Itanhangá, da primeira Slingada, encontro de mães adeptas do sling, que trocaram sorrisos e até passos de dança.

 

Ao pé da letra, sling quer dizer tipoia e pode ser feito a partir de uma camiseta ou mesmo canga de praia. No mercado existem até cinco tipos deles e cabe à mãe e ao bebê descobrirem qual o melhor para si. Olhando de fora, nem parece que aquele tecido pode se transformar em alguma coisa, mas ao vesti-lo de forma transversal, ele de cara, já fica parecendo uma redinha, pronta para receber o bebê. Tal modelo chama "pouch".

"É a posição dele, o tecido tem que estar na altura do joelho e a criança em posição de sapinho para formar essa cadeirinha", explica uma das participantes do encontro, jornalista, mãe e empresária de slings, Barbara Vitoriano, de 28 anos. Ela usa o sling há 1 ano, desde que a segunda filha nasceu. "Favorece na alimentação, na criação de apego. De vínculo entre mãe e bebê. Para mim, a diferença gritante foi ajudar nas cólicas, porque a criança fica no calor do colo da mãe", descreve.


Os slings podem ser usados desde o primeiro dia de vida dos bebês até que eles alcancem 20 quilos. "É seguro, se souber colocar", pontua Barbara.

Passada a primeira explicação, é hora da repórter experimentar. Sem filhos, "emprestei" Clara, de 6 meses. O modelo é só uma tira de pano com 5m de comprimento e 60cm de largura. Antes que os nós comecem, ele não te diz nada, mas surpreende no resultado final.

A faixa é amarrada à barriga, trançada em "x" atrás, volta com as pontas para frente para serem postas por baixo da parte presa na cintura. Aí se dá voltas até quando for possível. Por fim, Clara vem para experimentar o teste e para minha surpresa, se acomeda e se aconchega, sem qualquer incômodo já pelo costume. A mãe, Adelyany Batista, de 31 anos, usa o sling desde os 11 dias da filha.

Camila e o bebê Davi: o uso do sling só se tornou familiar agora, no segundo filho. (Foto: Marcelo Victor)
Camila e o bebê Davi: o uso do sling só se tornou familiar agora, no segundo filho. (Foto: Marcelo Victor)
"Fui ter carrinho de bebê há pouco tempo. Você não precisa, ela nasceu sem que a gente tivesse, só usando o sling", conta. No episódio em que apresentou a solução a uma amiga, ouviu o agradecimento como grito de liberdade. "Ela dizia eu tenho mão, eu tenho vida. Porque antes não conseguia fazer nada dentro de casa", explica.

O lance do encontro parece ser este, de compartilhar soluções e experimentos de sucesso entre outras mães. Realizado pela Aldeia Materna, página criada por três mães no Facebook que falam sobre a maternidade desde à gestação até a criação dos filhos, a cada hora uma família chegava com sling e bebê à tiracolo.

"Eu estou prestando atenção em você, mas olhando ali, tá? Eu consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo. É só para eu aprender como coloca esse", dizia a mãe Camila Coelho, de 34 anos, com Davi, de 5 meses, preso ao corpo. O bebê já é o segundo filho, mas o uso do sling só se tornou familiar agora.


"Eu nunca tinha ouvido falar antes. Agora ele usa desde os três meses. É uma experiência legal, a gente tem que descobrir qual é o mais confortável para a mulher e o bebê. Ele come, dorme, acorda sempre aqui, tranquilo", relata. De fato é verdade, Davi dormiu até na hora da dança.

O encontro apresentou às mães uma novidade: a Dança Materna. A prática envolve, claro, mãe e bebê e, pode ser feita da gestação até que a criança faça 3 anos de idade. "A aula começa com aquecimento, alongamento. Os bebês no tapete, ao lado da mãe, depois vai colocar no sling", instrui a enfermeira e professora da Dança, Filó de Souza, de 51 anos.

A técnica trazida do Rio de Janeiro ajuda no alívio das cólicas, deixando o bebê mais tranquilo, assim como contribui para a interação entre bebê e mãe e ainda reduz o peso corporal de quem acabou de dar à luz.

Na praça, a aula experimental pulou direto para o sling. Dessa vez, meu bebê emprestado foi Isadora, de 1 ano, que dançou comigo na "chila", uma versão ergonômica dos famosos cangurus, que se parece mais uma mochila.


Em círculos, as mães que quiseram dispensaram os sapatos para um contato direto dos pés à grama. Eu permaneci, porque sem prática, não conseguiria abaixar para tirar as sandálias com uma criança em mim. A música é de bebê, abusa do instrumental e numa voz doce do outro lado, mãe e filhos dançam como um só.

Os passos, segundo Filó, são livres, o movimento prende atenção dos pequenos e ninguém abriu o berreiro. Davi, o bebê de Camila, citada anteriormente, seguiu a aula toda dormindo. Pernas acompanham os braços como uma valsa, a cada mudança de música, o ritmo também se altera. Ora mãos livres, ora lenços coloridos que os grandinhos já podem segurar, a aula é bem divertida e até cansativa. Em média, Filó explica que sã 40 minutos. Tempo que já dá para sentir que as pernas trabalharam.

A aula de Dança Materna começa dia 27 de setembro, na academia Equilíbrio, na rua Santo Ângelo, 441. A indicação é para bebês que tenham nascido de cesárea há pelo menos 1 mês e meio e para bebês de parto normal, 1 mês. Os contatos da professora são: 9295-4367 e 9959-8664. Para quem se interessou pelo sling, existe uma loja virtual que entrega em casa e até ensina as mamães a usarem, a empresa Puxunga está na internet e também pelo celular 8117-8843. A Aldeia Materna é uma página aberta para todas as mamães através do link: https://www.facebook.com/aldeiamaterna?fref=ts.

Matéria de autoria de  Paula Maciulevicius, Campo Grande News, caderno B

A música é de bebê, abusa do instrumental e numa voz doce do outro lado, mãe e filhos dançam como um só. (Foto: Marcelo Victor)A música é de bebê, abusa do instrumental e numa voz doce do outro lado, mãe e filhos dançam como um só. (Foto: Marcelo Victor)
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