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28/01/2012 13:34

Mais de 500 "ex-mulas e "ex-soldados" do tráfico estão marcados para morrer

José Ribamar Trindade, 24 horas news

No submundo, onde a lei é a bala, traficantes traídos não perdoam “Mulas” e “Soldados” traidores. Resultado: as execuções acontecem quase que diariamente na Grande Cuiabá, com um detalhe lembrado por um “ex-mula” que já não tem paradeiro certo: “A Polícia não investiga morte de bandido”





Mais de 500 “Mulas” e “soldados” – pessoas usadas pelo tráfico de drogas – estão numa lista negra de marcados para morrer nos próximos meses em Cuiabá e Várzea Grande. Com medo, pois mais de 1.200 “companheiros” já foram executados nos últimos cincos anos, os antes queridinhos de traficantes, agora dormem em um bairro e acordam em outro. “Não dá para esperar a bala, né”, esbravejou um ex-funcionário do “pó”. Mesmo assim eles não param de vender droga. Alguns já trocaram de casa mais de 50 vezes nos últimos dois anos.

E de galho em galho a reportagem do Portal de Notícias 24 Horas News conversou com pelo menos oito ex-“soldados” e ex-“mulas” marcados para morrer. Como não sabem fazer outra coisa, ou desaprenderam depois que começaram a ganhar um dinheiro que eles achavam fácil, os ex-funcionários do pó agora usam as mulheres, companheiras ou namoradas para comprar droga e revender com entrega em domicílio.

Paulo (todos os nomes dessa reportagem são fictícios), de 24 anos, que começou usando droga aos 13 anos, não esconde que já teve que mudar de residência, pelo menos 50 vezes depois que foi flagrado por um ex-“patrão” fazendo “correria” – traficando, na gíria dos bandidos -, por conta própria e passando a perna no traficante dono da droga.

“Teve uma vez que eu mudei de casa três vezes numa mesma noite porque os homens estavam atrás de mim. Na última eles ainda chegaram a disparar pelo menos 20 tiros contra o meu barraco no Pedra 90, mas que eu já estava em outro mocó - gíria de casa ou esconderijo de bandido -, mas só que eu já estava no bairro Verdão, no outro lado da cidade”, conta Paulo em tom de ironia.

“Jefinho” ainda chegou a levar três tiros. Fingiu que estava morto e escapou da sepultura. Mesmo assim teve que ser levado para outra cidade do interior para ser medicado, tudo porque “pistoleiros” – assassinos à serviço do tráfico de drogas -, descobriram que “Jefinho” não morreu e voltaram para acabar o “serviço”.

“Depois eu voltei, mas não fui morar no mesmo bairro. Só que, dois meses depois os pistolas - apelido de pistoleiro -, descobriram que eu havia voltado e passaram a me perseguir. Daí em diante já mudei para vários bairros, sempre pela madrugada. Não sei se vou sobreviver por muito tempo, pois mais de um mil e duzentos ex-soldados como eu já foram executados e hoje ninguém nem se lembra mais dos casos, até porque a Polícia não investiga a morte de quem tem passagens pela Polícia”, afirma.

O primo de Paulo, um jovem de 22 anos, que pediu para não ter o nome divulgado, nem mesmo o fictício, também já escapou das balas a mando de traficantes por pelo menos quatro vezes, e sabe que não terá vida muito longa porque a perseguição é implacável.

“Os caras não desistem de matar quem trai a organização. Mais dia, menos dia, e o fim chega. Meu caro repórter, o senhor já acompanhou e sabe quantos caras que mexiam com droga foram executados nos últimos 20 anos. Todos os anos morrem mais em 200 caras na bala, na faca e na pedrada. Tem traficante que faz questão que o pistola destrua toda a cara da vítima. Muitos são até degolados. E o senhor também sabe que bandido morto é bandido morto e nada mais”.

Os bairros Dom Aquino, Santa Isabel, Alvorada, Tijucal, Pedregal, Jardins Fortaleza, Florianópolis, Vitória e quase todos os bairros da região da Grande Morada da Serra, em Cuiabá. Manga, Mapim, Cristo Rei, Parque do Lago, Figueirinha e São Matheus em Várzea Grande (Grande Cuiabá), são os campeões em extermínio de “Mulas” e “Soldados” traidores.

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