Cassilândia, Domingo, 11 de Dezembro de 2016

Últimas Notícias

16/11/2007 15:00

Língua portuguesa, inculta e bela - Por Alcides Silva

Água de beber
Vinícius renascia no cedê e no meu copo de uísque, na langorosa tarde de quinta-feira, feriado nacional: “Eu quis amar mas tive medo /E quis salvar meu coração /Mas o amor sabe um segredo /O medo pode matar o seu coração./ Água de beber /Água de beber, camará”. Aí perguntaram-me se a água que se pode beber, a ‘água potável’, tem esse nome pelo fato de ser normalmente guardada em potes.
Não.
Potável é palavra de origem latina com raiz grega, vem de potabile = o que se pode beber, através do verbo poto, as, avi, atum, are = beber.
Potatio, onis, em sentido próprio, era a ação de beber o vinho; na linguagem familiar, era a bebedeira, a orgia.
Potator era o beberrão, hoje alcunhado pelos nossos brasileiríssimos cachaceiro, biriteiro, bêbado e os outros mais da trintena de nomes que se dá ao emborrachado.
Antes, porém, necessária uma incursão histórica para explicar a familiaridade entre o grego e o latim, verdadeiro contubérnio de línguas ao nascer da civilização.
Conjectura-se que no século VI a C., os gregos – povo militar - dominaram as costas meridionais da península itálica, impondo sua língua à população agrícola ali estabelecida desde seis séculos antes. Houve uma como que preponderância cultural que, em se considerando a sociedade primitiva, foi razoavelmente longa, de uns três séculos talvez, constrangendo a sociedade dominada à prevalência da língua e dos costumes do povo dominador. Isso vem a refletir na história das palavras modernas, porque muitos termos recebidos através do latim, tiveram, historicamente, sangue grego.
Inclusive o nosso potator, o bebum do nascer da civilização! A raiz dessa palavra é grega, potamós, rio. Potâmide (ninfa dos rios), potamita (ser que vive nos rios), potamofobia (medo do rio – medo de água é hidrofobia), potamologia (parte da geografia que estuda os rios), hipopótamo (hipo = cavalo, pótamo = rio) são palavras vernáculas, encontradiças em todos os dicionários de língua portuguesa.
Os povoados geralmente se localizavam às margens de um rio, de cujas águas os habitantes se serviam, inclusive para beber. Naqueles idos podia-se tomar a água que vinha dos rios, a água era potável.
O termo pote é de origem desconhecida, possivelmente do latim pottus = vaso de beber; Antônio Geraldo da Cunha (“Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa’, 2ª ed., 16ª impressão, Rio, 2003), deriva do francês. pot = pote, vasilha de uso doméstico; Antenor Nascentes (“Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa”, Rio, 1955), o deriva do provençal pot.
Em Roma e na Grécia, os recipientes para acondicionar líquidos (vinho, azeite ou água) tinham o nome de ‘ânfora’ (do grego amphoreús, através do latim amphora), grande jarro com duas asas para facilitar o transporte.
No latim vulgar (falado pelo povo), rio era um termo expressado pela palavra flumens, derivado do verbo latino fluère = correr, fluir. Fluminense é o natural do Estado do Rio de Janeiro; porto fluvial, lugar de um rio, onde ancoram embarcações. Córrego, regato (rego d’água), era rivus. Rivalis, os ribeirinhos, aqueles que de uma margem e da outra do mesmo riacho, se beneficiavam das águas. E o uso comum muitas vezes deu causa a desinteligência, discussões, demandas judiciais, inimizades. Vem daí a palavra rival, antes, inimigo, hoje, pessoa que disputa o amor de outra.

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
Últimas notícias
Scroller Top
Sábado, 10 de Dezembro de 2016
10:00
Receita do dia
Sexta, 09 de Dezembro de 2016
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)