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12/05/2006 11:19

Língua portuguesa, inculta e bela, por Alcides Silva

Alcides Silva

Língua portuguesa, inculta e bela
Alcides Silva
Modos verbais

Num dos vestibulares da Fuvest foi apresentada uma frase mais ou menos semelhante a esta (lembro-me de memória): Para vires à minha casa, é preciso que vires à esquerda quando vires o viaduto”. Parece jogo de palavras, mas é emprego rigoroso dos tempos e modos verbais.
Tal frase, no prosear cotidiano, poderia perfeitamente ser dita de outra maneira: ‘Para você vir à minha casa, é preciso virar à esquerda ao ver o viaduto’. Para nós, no falar descompromissado do dia a dia, essa segunda maneira é a mais inteligível. Os verbos que compõem essa frase (vir, virar e ver) estão no infinitivo, no caso, infinitivo pessoal, pois eles se flexionam de acordo com o sujeito. Ao invés da segunda pessoa verbal, típico falar português, usemos aqui o brasileiríssimo ‘você’, como pronome da frase: para vocês virem à minha casa é preciso que vocês virem à esquerda quando vocês virem o viaduto.
Para nós brasileiros, principalmente os desta região – noroeste do Estado de São Paulo, Bolsão de Mato Grosso do Sul e Pontal mineiro – nós os da linguagem da porrrta -, a primeira forma parece ser a da linguagem culta porque emprega o verbo na segunda pessoa e essa flexão não nos é comum. Na primeira oração (‘para vires à minha casa’) o verbo ‘vir’, no infinitivo pessoal, está flexionado na segunda pessoa do singular (para [tu] vires); na segunda oração, o ‘que’ exige a conjugação do verbo ‘virar’ no presente do subjuntivo (‘é preciso que [tu] vires’); e na terceira, a conjunção ‘quando’ reclama o verbo ‘ver’ no futuro do subjuntivo: (‘quando [tu] vires o viaduto’).
Existem três modos de se expressar um acontecimento através do verbo: o da informação objetiva, da certeza, ou modo indicativo; o da hipótese, da dúvida, da vontade, que é o modo subjuntivo; e o do pedido, conselho ou ordem: modo imperativo.
O modo subjuntivo (do latim subjunctivus = subordinado, dependente) indica um fato ligado à idéia de ordem, de desejo, de vontade, de súplica, de condição, de subordinação.
Na segunda oração do exemplo trazido por este comentário, há uma idéia de subordinação (‘é preciso que vires’), de ordem atual, presente: presente do subjuntivo; na terceira oração (‘quando vires o viaduto’), o verbo está expressando um fato (condição) que está por ocorrer: futuro do subjuntivo.
O subjuntivo presente é um tempo verbal derivado, isto é, formado a partir do presente do indicativo. Sem a terminação ‘o’, da 1ª pessoa do singular dos verbos da primeira conjugação que é substituída por ‘e’, e, por ‘a’, nos da 2ª e 3ª conjugações, obtém-se o tema para todas as pessoas do presente do subjuntivo: eu viro (viro-o = vir; vir + e = vire, que eu vire, que tu vires, que ele vire, etc.) Dessa regra excetuam-se os verbos ‘haver’ (que eu haja, que tu hajas, que ele haja), ‘ser’ (que eu seja), ‘estar’ (que eu esteja), ‘querer’ (que eu queira), ‘saber’ (que eu saiba), ‘ir’ (que eu vá), e ‘dar’ (que eu dê).
O futuro do subjuntivo é formado a partir da conjugação de outro tempo. Conjuga-se na 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito o verbo que se pretenda levar ao futuro do subjuntivo e tirando-se dele suas duas últimas letras (am), obtém-se a 1ª pessoa do singular do futuro do subjuntivo: eles viram (-am = vir): quando eu vir, quando tu vires, quando ele vir, etc.).
O assunto não está esgotado, principalmente quanto aos tempos verbais.

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