Cassilândia, Domingo, 23 de Julho de 2017

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06/07/2005 09:12

Língua portuguesa, inculta e bela, por Alcides Silva

Alcides Silva

Preço caro ou preço alto?

A violência no Iraque e a possibilidade de mudança na política de petróleo do Irã com a eleição do novo presidente – um ultra conservador – preocupam o mercado internacional que teme uma disparada nos preços, posto que já se estima que em dezembro o barril do petróleo será cotado a US$ 80, quase que o dobro dos valores de janeiro. Aí especulam alguns: “ficarão mais caros os preços dos combustíveis?”
Não existe preço caro ou preço barato. As mercadorias, as coisas, os produtos, as utilidades enfim, aquilo que é exposto à venda ou troca, ou que se pretende que o seja, é que é caro ou barato. Já os preços são altos, estabilizados ou baixos. Os preços, em razão da lei da oferta e procura, são cotados e, como tal, poderão estar em alta, custando os olhos da cara, ou em baixa, na bacia das almas.
Cotar, segundo conceito correntio, é fixar o valor, o preço de determinada coisa ou a taxa que incide sobre ela. É avaliar, estimar, orçar, isto é, mostrar ou demonstrar que determinado bem é de valor superior ou inferior àquilo que, até inconscientemente, se lhe havia estimado. O verbo ‘cotar’ nasceu da locução latina quota pars (= a parte que toca a cada um dos herdeiros, sócios ou condôminos, e que normalmente é comparada ou confrontada com as demais).
Expectativa ou espectativa?
A resposta está na etimologia. Existe em latim spectare = olhar. Daí espectador, aquele que vê qualquer coisa, o observador, a testemunha. Também do latim o verbo exspectare = olhar de longe, aspirar (tirar do peito, desejar), cujo particípio passado era exspectatus¸ esperado, desejado, ex + specatatu + iva = expectativa, isto é, esperança. O sufixo latino iva tem o sentido de ação. Daí expectativa é exteriorizar (pôr para fora) um desejo.
Importante relembrar que o prefixo ex em latim (como em português) contém a idéia de exclusão: exonerar = tirar o ônus (latim, onus, peso, encargo), exorbitar = sair da órbita (latim = orbitam, roda, círculo), excêntrico = esquisito, fora do comum, que desvia ou se afasta do centro (latim = centrum, centro), expatriar = pôr fora da pátria; exacerbar = agravar, tornar mais áspero (latim, acerbu, duro, difícil, trabalhoso, severo, cruel, doloroso); exarar = gravar, registrar, escrever, lavrar, assinar (latim, arare, lavrar, sulcar a terra).
Assim, como expectativa é esperar, é desejar (expor um desejo, tirá-lo de dentro do peito - em latim, pectus = o peito, considerado como sede do coração e da alma), enfim, ter esperança, a grafia correta é com x.
Álibi ou alibi?
A palavra é originária do advérbio latino alibi (= em outro lugar) e é empregada na linguagem forense para alegar que o réu ou o suspeito, no momento do crime ou do fato, encontrava-se em local diferente daquele que ocorreu o delito. É proparoxítona: a sílaba tônica é a antepenúltima, no caso a primeira, álibi. Alibi, com tonicidade na última sílaba é pronúncia afrancesada, galicismo não aceitável em linguagem correta.
Mídia ou mídias?
“Mídia” é uma palavra de origem inglesa, “media” que, por sua vez, adveio do neutro plural do latim “medius, a, um” = meios. “Mídia” significa meios de comunicação, portanto, dispensa o plural. Mídia não é um dos meios de comunicação, mas os meios em sua totalidade, a saber: o jornal, o rádio, a televisão, o cinema, o sítio (site) de propaganda na Internet, etc.

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