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20/05/2014 08:35

Leishmaniose mata 35% mais, apesar da queda de 30% nas notificações

Campo Grande News

A doença da leishmaniose matou 27 pessoas em Mato Grosso do Sul em 2013, número 35% maior que os 20 óbitos registrados no ano anterior, conforme boletim da SES (Secretaria Estadual de Saúde), divulgado hoje (19). Por outro lado, no mesmo período houve redução de 30% nas notificações em humanos, de 330 para 232.

Os dados refletem maior conscientização da população, analisa a médica veterinária Cristiane Nogueira, que há treze anos clinica na Vila Progresso, em Campo Grande.

“As pessoas começaram a cuidar mais dos animais, com uso de coleiras contra a leishmaniose e borrifação de inseticida. Alguns moradores passaram a borrifar até mesmo do lado de fora das casas, como forma de prevenção, para se ter uma ideia do nível de cautela contra a doença”, explica.

O último “boom” da leishmaniose no Estado veio em 2012, com o maior número de casos registrados desde 1999, o que levou os donos de animais a tomar medidas de proteção. “Ninguém queria tomar multa ou ver o animal sendo levado para ser sacrificado, por isso, passaram a prevenir ou tratar”, acrescenta a veterinária.

Polêmica – Outro fator que pode ter levado à redução das notificações, opina a médica, é a recusa em permitir que amostras de sangue do animal sejam coletadas, em alguns casos.

“O CCZ passa no imóvel para inspeção de rotina, mas o morador se recusa a deixar o agente de saúde entrar, porque, caso dê positivo, o animal pode ser recolhido e sacrificado”, conta Cristina. Ao se negar a entregá-lo, a multa é pesada, e varia de R$ 100 a R$ 15 mil.

Cidades de risco – Campo Grande é, disparada, a que mais concentra notificações. As 232 de 2013 foram registradas em 25 cidades, 164, ou 70% delas, na Capital. Em seguida, vem Aquidauna e Rio Verde, com sete casos, e Anastácio e Miranda, com 5.

Desde 1999, primeiro ano da compilação dos dados, foram 3.088 casos em humanos, em 58 municípios, com 267 óbitos.

A leishmaniose é transmitida pela picada de um inseto que, se picar um cachorro que tem a doença, pode infectar o homem.

Não há cura, mas a veterinária ressalta que, ao ser tratado, o cão não transmite a leishmaniose caso seja picado. “Por isso, não há necessidade de sacrifício”, ressalta. O Ministério da Saúde proíbe o tratamento e determina a eutanásia, no entanto, em Campo Grande, o TRF-3 autorizou a manutenção da doença.

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