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29/01/2019 08:40

Leishmaniose humana tem 6 casos confirmados no Estado

Campo Grande News

Mato Grosso do Sul registrou até esta segunda-feira (28) seis casos de leishmaniose visceral em humanos. O número já se aproximada da média de confirmações de 2018 –com média, a partir dos dados computados até aqui, de 6,8 pessoas doentes por mês– e leva a SES (Secretaria de Estado de Saúde) a reforçar pedidos para que a população se atente aos cuidados para evitar a presença do mosquito flebótomo, vetor da doença, em seus quintais ou terrenos baldios.

O Sinan (Sistema de Informações de Agravos de Notificações) aponta, em Mato Grosso do Sul, que Campo Grande e Aquidauana –a 135 km de Campo Grande– registraram duas confirmações cada quanto a casos de leishmaniose. Na Capital, um garoto de 5 anos, morador do Parque do Sol, no sul da cidade, foi o primeiro caso confirmado no ano.

Bataguassu (335 km de Campo Grande) e Paranaíba (422 km) têm um caso. Não houve mortes causadas pela doença.

“É um número dentro do esperado, infelizmente, até pela época do ano, na qual aumenta a proliferação do mosquito”, afirmou Stephanie Lins, gerente técnica do Centro de Zoonozes da pasta. “O Estado é endêmico para leishmaniose”, prosseguiu. Ela lembra que, apesar de algumas especificidades, a doença não tem um comportamento cíclico como a dengue –cujo vetor, o Aedes aegypti, prolifera-se com mais facilidade em períodos de chuva e calor. “Tem constância ao longo do ano inteiro”.

Os dados do Sinan a 2018 registrados até aqui –e que devem ser atualizados até o meio do ano– confirmaram 82 casos no Estado, média de 6,8 ocorrências ao mês. A leishmaniose causou sete mortes no ano passado, três deles em Campo Grande e os demais em Corumbá, Dourados, Sidrolândia e Três Lagoas.

A leishmaniose é transmitida pelo flebótomo (mosquito-palha), que tem preferências diferentes do Aedes. Enquanto o vetor da dengue, da chikungunya e do zika vírus prefere água parada; o transmissor da leishmaniose se reproduz em matéria orgânica em decomposição, como frutos que caíram de árvores e não foram recolhidos em quintais ou mesmo fezes de animais como galinhas.

Combate – “É muito comum a proliferação em galinheiros porque a predileção do mosquito é o sangue da galinha”, lembrou Stephanie. Ela lembra que outro hábito de famílias, de soltarem cães nas ruas, também aumenta o perigo relativo à leishmaniose. “Além de isso ser contra a lei, porque o cão pode morder, o animal pode ir em um terreno baldio e lá haver o inseto se proliferando. O vetor tem hábito crepuscular noturno, isto é, está ativo das 18h às 6h, bem o horário que os donos soltam cães e eles podem ser contaminados”.

Para enfrentar a doença, a recomendação, em primeiro lugar, é a prevenção no ano inteiro. Embora a recomendação federal e estadual, como medida de saúde pública, seja a eutanásia, a gerente do Centro de Zoonozes salienta que o proprietário pode optar pelo tratamento do cão doente à base de miotefosina –autorizado pelo Ministérios da Agricultura.

“O medicamento não entra como medida de saúde pública porque o tratamento não elimina o fato de o cão continuar a ser portador. Deverá continuar a ser monitorado, com uso de repelentes, pois terá leishmaniose durante toda a vida, mas com uma sobrevida maior, como os humanos”, disse Stephanie, citando coleiras e óleos repelentes e a vacina (que tem 70% de eficiência) como outras alternativas para evitar que o cão seja picado pelo flebótomo.

Já em relação aos humanos, ela adverte que o diagnóstico oportuno reduz consideravelmente a letalidade da leishmaniose visceral, que é fatal em 90% dos casos. Ela ressaltou que crianças, idosos e pessoas com o sistema imunológico vulnerável estão sob maior risco.

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