Cassilândia, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

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04/02/2008 08:44

Leia o artigo de Rogério Tenório de Moura

Rogério Tenório de Moura

A INTEGRAÇÃO DA INFORMÁTICA NA PRÁTICA PEDAGÓGICA

O microcomputador ocupa um lugar de destaque entre as novas tecnologias pelo poder de processamento de informação que possui, como ferramenta, porque permite ao usuário (professor ou aluno) construir objetos virtuais, modelar fenômenos em quase todos os campos do conhecimento e como instrumento de mediação, ao possibilitar o estabelecimento de novas relações para a construção do conhecimento por meio do mediação, ao possibilitar o estabelecimento de novas relações para a construção do conhecimento por meio do pensamento formal, lógico e analítico.
Mas, para que essas mudanças intelectuais sejam eficazes, é necessário que o computador seja adequado à atividade humana transformadora. A simples presença do computador na escola não assegura uma melhoria do processo ensino-aprendizagem, pois o fundamental é como ele será utilizado por professores e alunos.
Temos que lembrar que, de uma forma geral, os educadores não foram e não estão sendo preparados para tal. Num mundo com mudanças tão aceleradas a dasatualização acontece de forma muito rápida.
Estima-se que mais ou menos em dois anos após a conclusão do curso universitário, qualquer profissional, já está desatualizado. Essa informação reforça a idéia de educação permanente. Essa mesma agilidade nos permite afirmar que a grande maioria dos educadores não teve a oportunidade de conhecer as novas tecnologias da informação e comunicação.
Essas tecnologias podem ser utilizadas para a educação dos educadores não só no que diz respeito a seu uso, mas no sentido amplo de educação permanente, sejam no sentido de educar os educadores para usar as novas tecnologias da informação e comunicação, sejam no sentido de educar os educadores com as descobertas das várias ciências que podem contribuir para a ação docente, como, por exemplo, da Psicologia do Conhecimento, devem ser pensados, propostos e realizados. Tais programas podem ser realizados por instituições privadas, pelas universidades ou pelo poder público. O que parece essencial é que sejam uma realidade..
Usar as novas tecnologias da informação e comunicação para formar educadores nos parece vantajoso sob alguns aspectos. O primeiro diz respeito à questão da democratização do acesso à educação, isto é, através da educação à distância podemos facilitar o acesso à educação a profissionais da educação de todos os lugares do país e não só os que residem ou podem se deslocar para os grandes centros; o outro aspecto refere-se ao princípio do aprender fazendo, com isso queremos lembrar que para aprender é preciso agir intelectualmente ou fisicamente sobre a informação. Se o educador pode ter acesso às informações referentes às novas tecnologias da informação e comunicação agindo por meio e com elas, isso nos parece um caminho bastante facilitador para que o professor aprendiz possa construir seu conhecimento e não apenas memorizar uma série de dados ou mesmo informações.
Com a chegada das novas tecnologias pode também ser a oportunidade para um repensar e uma reflexão saudável sobre a missão do professor. Nem tecnofóbico apavorado, nem tecnomaníaco fanático, ele pode achar, na formação ainda a ser definida, uma chance de reencontrar valores já comprovados e reafirmar a grandeza de sua missão.
É nossa intenção estabelecer uma prática pedagógica na qual o computador possa ser tratado mais como um objeto de conhecimento do que como uma ferramenta.
O que gostaríamos de dizer é que:

• Computadores não parecem ser necessários no processo pedagógico. Há vários meios alternativos para ter um ensino inteligente e processos ativos de aprendizagem na escola sem computadores.
• Computadores não parecem ser suficientes no processo pedagógico, pode haver vários meios bobos de desenvolver currículos com eles, assim como sem eles.
• Computadores não devem ser introduzidos fora de um contexto, como se a escolha de sua entrada fosse neutra, os custos sociais (nos quais há mais do que mero custo econômico) devem sempre ser tomados em conta no processo de decisão.
• O componente informático na escola deve ser introduzido no sentido de fazer as “coisas” melhores e não no de fazer outras “coisas”. Em particular, como já mencionamos, quebrar as tradicionais barreiras entre disciplinas escolares criando espaços transdisciplinares para os alunos.

Referindo-se à introdução da tecnologia da informação e da comunicação no âmbito da educação, assim se posiciona Ramon OLIVEIRA (1997, p. 101) em seu livro intitulado INFORMÁTICA EDUCATIVA, publicado pela editora PAPIRUS:

Não é surpreendente que a reação inicial, no mundo inteiro, tem sido enfocar a introdução de computadores nos processos de ensino e aprendizagem das escolas. Isto é um aspecto mais concreto, direto, experimental, atraente, até mesmo inebriante. De alguma forma, a presença física do poderoso micro dá a alguns professores e escolas a sensação de que eles são “progressistas” e “atualizados”. Utilizar computadores é excitante, pelo menos no começo, e os alunos parecem estar cativados e interessados. Para citar a Grã-Bretanha como exemplo, montou-se um esquema para possibilitar a todas as escolas a aquisição de computadores a preço bem baixo. Algumas escolas promoveram atividades de levantamento de fundos para comprar mais computadores. A reputação por excelência de uma escola era julgada pelos seus recursos em computadores. Infelizmente, este entusiasmo inicial foi progressivamente abafado quando, aos poucos, compreendeu-se que o computador por si só não é válido sem um software de boa qualidade. Poucos ainda se preocupam com o “porquê” de ter computadores, é justo dizer que muitas escolas ainda não têm um claro programa curricular justificável para o seu uso. Um cínico poderia bem sugerir que a introdução dos computadores nas escolas britânicas tinha mais a ver com promover a indústria de microcomputadores britânicos do que com a educação. Certamente um dos resultados foi um tremendo aumento na venda de microcomputadores no mercado interno


Assim sendo, concluímos que Informatização pela informatização não é a saída para nada, é apenas um fim, quando deveria ser um meio; é demagogia! A integração da informática na prática pedagógica deve servir para solucionar problemas já existentes, não criar outros.

Rogério Tenório de Moura
é licenciado em Letras pela UEMS,
especialista em Didática Geral e em
Psicopedagogia pelas FIC.

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