Cassilândia, Sábado, 10 de Dezembro de 2016

Últimas Notícias

28/06/2006 09:50

Leia: Língua portuguesa, inculta e bela

Alcides Silva

Língua portuguesa, inculta e bela
Alcides Silva

Expressões curiosas

Nas oitavas de finais, terça-feira passada, pela Copa do Mundo, nos acréscimos do primeiro tempo, Adriano recebeu cruzamento de Cafu e, em posição irregular, com a coxa, completou para o gol: 2 x 0. Gol feito ‘com a coxa’ e não ‘nas coxas’.
A expressão ‘nas coxas’ com o significado de ‘coisa mal feita’, ‘feito às pressas’, ‘mal acabada’, nasceu do fabrico de telhas de barro. Nas olarias de antigamente, com trabalho todo manual, não havia formas e as telhas eram moldadas nas pernas do trabalhador, isto é, em suas coxas, sem padronização. Assim, era comum as telhas de uma casa serem feitas por uma só pessoa, para que o encaixe de uma na outra fosse correto, evitando goteiras. Com a chegada da industrialização, as telhas (inicialmente chamadas de ‘francesas’) foram padronizadas e as ‘telhas de barro, ou telhas comuns’, feitas nas coxas, tornaram-se imprestáveis porque irregulares. Tem, também, o sentido chulo de orgasmo sem penetração.
Chaleira, já que estamos em tempo de Copa, é bom saber que não é só a vasilha de metal, bojuda, com bico e tampa, que serve para esquentar água, mas também, em futebol, a jogada em que o atleta toca a bola a meia altura com a lateral externa de um dos pés. O futebol foi introduzido no Brasil pelo paulistano Charles Miller que, estudante na Inglaterra, conheceu lá o esporte, tornando-se um jogador habilidoso. Quando regressou à pátria trouxe consigo um jogo de camisas e duas bolas, com as quais ensinou seus companheiros de juventude o tal esporte bretão. Sua maneira de passar a bola a seus companheiros de jogo com um toque com a lateral do pé, passou a chamar-se ‘jogada do Charles’, depois, ‘jogada charleira’ e, enfim, ‘chaleira’.
Chaleira também é o nome que se dá à pessoa bajuladora, ao puxa-saco. Conta Márcio Bueno em A origem curiosa das palavras, que essa acepção “nos bajuladores que cercavam o senador Pinheiro Machado, líder do Partido Republicano Conservador e que dominava a cena política brasileira no início do século XX. Como bom gaúcho, em casa, o senador mantinha sempre água fervendo e quando queria tomar chimarrão, os presentes se atropelavam para pegar a chaleira e encher a cuia”. O senador morava numa ladeira no Rio de Janeiro. O compositor Costa Júnior compôs para o carnaval de 1909 uma polca, cuja letra começava com os versos “Iaiá, me deixa / subir essa ladeira / que eu sou do grupo / que pega na chaleira”. A música fez tanto sucesso que, logo depois, conta Márcio Bueno, foram produzidos uma peça para o teatro de revista e um filme, ambos com o título Pega na chaleira. No carnaval de 1946, a marchinha Cordão dos puxa-saco, de Roberto Martins e Eratóstenes Frazão, em seus versos iniciais lembrava a letra da polca, atualizando o último dos versos acima citados: que eu sou do bloco/ mas não pego na chaleira”. A marchinha termina com o refrão “E o cordão dos puxa-sacos / cada vez aumenta mais”. A partir daí a palavra popularizou-se com o significado de bajulador.
E para terminar, o termo puxa-saco teria surgido no jargão militar. Quando os oficias superiores estavam de mudança, os soldados, para agradá-los, se encarregavam de carregar a mudança. As roupas e alfaias eram acondicionadas em sacos de lona, que a soldadesca deslocava, arrastando-os pelo chão. Vem daí, o termo tornou-se público com a significação de sabujo, adulador.


Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
Últimas notícias
Scroller Top
Sábado, 10 de Dezembro de 2016
Sexta, 09 de Dezembro de 2016
Quinta, 08 de Dezembro de 2016
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)