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20/07/2006 08:54

Leia: Língua Portuguesa, inculta e bela

Alcides Silva

Língua Portuguesa, inculta e bela
Alcides Silva
Desleixos verbais
De um comentarista esportivo ouvi que “A saúde o afastará da bola por mais de trinta dias”, referindo-se ao jogador Ronaldo. Aí ficou-me a dúvida: o excesso de saúde, a falta de saúde ou um órgão sanitário? Fiquei sabendo pelo desenvolver daquela notícia que quem afastou o jogador foi uma cirurgia corretiva de lesão no joelho. Não seria melhor ter dito: a cirurgia o afastará da bola por mais de trinta dias? O emprego do termo saúde naquela frase é uma metáfora, isto é, uma figura de palavra que consiste no uso de um termo diferente daquele em que ele é convencionalmente empregado em razão da semelhança entre elementos que ambos designam (essa semelhança é resultado da imaginação, da subjetividade de quem emprega a palavra: cirurgia = doença>saúde).
Outro dia ouvi que “os exames vestibulares iniciam no sábado”. Os exames iniciam o quê? Quem inicia, inicia alguma coisa. A frase correta seria “os exames vestibulares iniciam-se no sábado”. Esse se, chamado de partícula apassivadora, é empregado sempre que o sujeito é inanimado, isto é, incapaz de praticar a ação verbal. “Alugam-se casas” – “Consertam-se sapatos” (= casas são alugadas; sapatos são consertados). “Aluga-se casas” é errado e eqüivale a “Casas é alugada”.
Os céus estavam se escurecendo e alguém me disse: “É capaz de chover”. Quem é capaz?, indaguei. Responderam-me, então: “É possível que chova”. Entendi. Capacidade é a habilidade, a aptidão para um determinado fim.
Um velho amigo comunicou-me que iria fazer um “check-up geral” em suas coronárias. No conceito dicionarizado “check-up” significa exame médico minucioso. Se o exame é pormenorizado, é, por sem dúvida, geral. Desnecessário e vicioso o pleonasmo, como também o é em “fazer uma breve alocução” (locução é um ‘discurso curto, lacônico’ - Houaiss) ou em “monopólio exclusivo” (não há monopólio onde não exista a exclusividade) ou, ainda, em “o principal protagonista” (porque protagonista significa o personagem principal).
“A situação está difícil. É preciso encará-la de frente”. Quero ver encará-la de costas ou de lado!
Atendo o telefone do outro lado da linha alguém me pergunta: “Da onde?”. Fico irritado por dois motivos: falta de educação ou pelo menos de urbanidade, e agressão à gramática. “Da onde” não existe em língua portuguesa. Em expressando uma idéia de procedência, a pergunta deveria ser “De onde”: “De onde está falando? de onde você veio?” E mais fico irritado ainda quando aquele dá onde? vem acompanhado de gerundismos: vamos estar mandando.... estar fazendo ...etc.
“Lugar incerto e não sabido”. Embora comum no jargão forense, há desnecessária redundância que nada acrescenta, pois todo lugar incerto, por óbvio, não é sabido!
“Fulano faz parte integrante da diretoria do clube”. Quem faz parte de uma diretoria, dela integra, da mesma forma quem a integra, dela faz parte.
“O clima era festivo; todos exultaram de alegria”. O verbo exultar significa sentir ou manifestar grande júbilo. Daí, impossível alguém exultar de tristeza.
Erário público também é pleonasmo. Erário, do latim aerariu (palavra que designava o Tesouro Público de Roma), em português é sinônimo de “fazenda pública”, de “Fisco”.
Elo de ligação. Se é elo (do latim anellu = anel), é uma argola que compõe uma corrente, portanto só podendo ser de ligação. Absurdo seria um elo de separação.
No cardápio eram me oferecidos ovos estalados. Não os comi, porque ovos que dão estalos devem estar podres ou gorados. Prefiro ovos estrelados

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