Cassilândia, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

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13/08/2007 06:42

Leia a íntegra do Café com o Presidente

Agência Brasil

Brasília - Apresentador: Olá, você, em todo o Brasil. Começa agora o programa de rádio do presidente Lula. Tudo bem, presidente?

Presidente: Tudo bem, Luiz.

Apresentador: Presidente, a taxa de desmatamento na Amazônia caiu 25% entre agosto de 2005 e julho de 2006. Que ações do governo produziram esse resultado, presidente?

Presidente: Luiz, primeiro eu estava no Panamá quando eu recebi a notícia e eu fiquei muito feliz porque isso é resultado de um esforço imenso do governo coordenado pela nossa ministra [do Meio Ambiente] Marina [Silva], que aliás eu quero avisar para os nossos ouvintes que a Marina está hoje aqui no Café com o Presidente, porque ela vai falar sobre o assunto. Marina, eu queria que você explicasse para os nossos ouvintes esse ganho que nós tivemos, ou seja, como é que nós conseguimos esse resultado e quais serão as perspectivas daqui para a frente com o desmatamento.

Ministra: Muito obrigada, presidente. Bom dia a todos os ouvintes e primeiro eu quero dizer para o senhor que é uma satisfação podermos estar aqui falando com todos os ouvintes. Mas dizer que o que aconteceu foi a sua determinação, em 2003, de que o desmatamento seria enfrentado de forma estruturante, para isso o senhor assumiu pessoalmente a coordenação de um desmatamento que estava crescendo assustadoramente de 2001 para 2002, saindo de 18 mil quilômetros quadrados para mais de 20 mil quilômetros quadrados, e fez uma verdadeira força-tarefa com 13 ministérios, um plano de prevenção e controle do desmatamento, tivemos cerca de 400 operações do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], 20 grandes operações integradas da Polícia Federal juntamente com o Exército, a apreensão de cerca de 1 milhão de metros cúbicos de madeira. Tivemos também o desmantelamento de 1.500 empresas criminosas que atuavam na Amazônia. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, através do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária], presidente, inibiu 66 mil propriedades de grilagem. Isso que faz com que, durante três anos consecutivos, com a perspectiva de queda também em 2007, se dêem esses resultados, fruto de uma política corajosa e estruturante assumida pelo governo, em parceria com os governos estaduais, com a sociedade civil.

Presidente: É importante, Marina, falar um pouco sobre os dados que eu acho interessantes. A área desmatada, em 2004, foi de 27 mil quilômetros quadrados. Em 2005, foi de 18 mil quilômetros quadrados. E, em 2006, caiu para 14 mil quilômetros quadrados. Ou seja, é possível, o ano que vem, a gente colher no resultado menos desmatamento ainda?

Ministra: É possível, presidente. O plano continua em implementação, nós estamos agora fazendo um processo de correção. Mas a previsão para 2007 é de uma queda em torno de 30% e chegaremos, se tudo se confirmar com os dados do Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais], no final do ano, a uma taxa de 9,6 mil quilômetros quadrados, a menor taxa desde 1988, quando foi criado o sistema de monitoramento do desmatamento da Amazônia por satélite.

Apresentador: Agora, ministra Marina, presidente Lula, o Brasil é classificado como um país em desenvolvimento. É possível crescer, preservando a natureza?

Presidente: Eu estou convencido que é plenamente possível crescer preservando a natureza. O desafio que está colocado para nós é como utilizar a floresta e a preservação ambiental como forma de fazer com que a vida das pessoas seja melhorada. Mas a Marina é especialista sobre isso e eu vou dizer um dado aqui, porque eu acho que a Marina, além de responder a sua pergunta, Luiz, ela pode falar de uma coisa importante. Nos dados que foram anunciados, Marina, está dizendo o seguinte: que esse desmatamento [menor] evitou a emissão de 410 milhões de toneladas de CO2, evitou a destruição de 600 milhões de árvores, evitou a destruição de mais de 20 mil aves e evitou a destruição de mais de 750 mil primatas. Marina, como é que a sociedade ganha com essa política correta?

Ministra: Bem, presidente, primeiro a sociedade, todos os setores reconhecem que, de fato, nós estamos conseguindo um processo de governança ambiental. Esses dados, que o senhor acaba de apresentar, eles são animadores. E há uma expectativa muito grande agora em relação à segunda fase do plano. E o segundo momento do plano são as políticas estruturantes. O Ministério da Agricultura está trabalhando o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Agricultura para Amazônia, o MDA [Ministério do Desenvolvimento Agrário] está trabalhando uma nova lógica para os projetos de assentamento. E o Ministério do Meio Ambiente, juntamente com a Casa Civil, está agora fazendo a revisão do plano, para que possamos atacar os problemas que vão surgindo.

Presidente: Luiz, é importante as pessoas terem consciência que preservar o meio ambiente agora, fazer as coisas de forma muito ordenada com respeito à lei, é condição básica para que o Brasil conquiste mais credibilidade no exterior. É possível crescer a nossa agricultura sem invadir a Amazônia, é preciso crescer a agricultura sem desmatar mais do que já foi desmatado. Nós temos áreas enormes já degradadas que podem ser utilizadas para o plantio, sem precisar adentrar em áreas que nós precisamos preservar. Por isso, Luiz, eu gostaria de agradecer a ministra Marina, mas não agradecer, dar os parabéns a ela pelo sucesso, pelo êxito do programa, e pedindo a Deus que a gente consiga no ano de 2007 colher mais frutos, ou seja, diminuir mais o desmatamento e, quem sabe, em 2008 mais ainda e, quem sabe, a gente chegar no final do nosso governo com o desmatamento, ou seja, sendo considerado uma coisa padrão universal, admissível pela sociedade, sem causar impacto no meio ambiente.

Apresentador: Ok, obrigado presidente, obrigado ministra Marina Silva, ministra do Meio Ambiente.

Presidente: Obrigado, você, Luiz e até a próxima semana.

Apresentador: A gente volta na segunda-feira que vem. Acesse o nosso conteúdo também em www.radiobras.gov.br. Um abraço para você em todo o Brasil e até lá.




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