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08/07/2005 06:47

Karina confirma contatos de Valério no PT

Agência Câmara

A secretária Fernanda Karina Somaggio, que trabalhou para o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, afirmou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios que o empresário Marcos Valério tinha “grandes conhecimentos” no PT e no governo, mas que nunca o ouvira falar sobre ter participado da indicação a cargos no Executivo. Valério é acusado de ser operador do suposto esquema de pagamento de "mensalão" a parlamentares da base aliada do governo.
Fernanda Karina disse que, a pedido do ex-patrão, fazia ligações freqüentes para o tesoureiro e o secretário licenciados do PT, respectivamente Delúbio Soares e Sílvio Pereira, na sede do PT em São Paulo, além de ter telefonado uma vez para o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.
A secretária lembrou que marcou encontro em Brasília e em São Paulo entre Marcos Valério e o deputado José Mentor (PT-SP), na ocasião em que o parlamentar relatava a CPI do Banestado. Segundo Fernanda Karina, o ex-patrão teria pedido a retirada de nomes do relatório do deputado. A CPI sugeriu o indiciamento de 91 pessoas. A secretária disse ter picotado, na frente de Marcos Valério, o conteúdo de diversas pastas relacionadas à CPI do Banestado.
Ela também reafirmou que o publicitário mantinha relações com o secretário-executivo de Comunicação de governo, Marcos Flora, e com o diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato.
A secretária entregou à CPMI um fichário com 200 nomes de contatos de Marcos Valério. Amanhã pela manhã, a CPMI volta a se reunir para definir os próximos depoimentos.

Saques por motoboys
Fernanda Karina confirmou à CPMI que o ex-patrão usava motoboys (identificados como Rapidinho, Marquinhos e Orlando), pelo menos uma vez por semana, para fazer grandes saques em bancos. Segundo ela, o dinheiro retirado pelos motoboys era entregue às funcionárias Simone Vasconcelos e Geisa dos Santos, que distribuíam as notas em maletas “tipo 007”. Ela contou que, algumas vezes, os motoboys encarregados de fazer saques em bancos chegavam à empresa com uma mala grande, que era deixada no Departamento Financeiro da SMP&B. A secretária revelou ainda que os motoboys faziam os saques no início da manhã, antes da abertura das agências bancárias.
Em resposta à senadora Heloísa Helena, a secretária declarou que não faz sentido a versão apresentada ontem pelo empresário de que os saques em dinheiro seriam utilizados para pagar fornecedores. "Já trabalhei em grandes empresas multinacionais e a lógica é pagar por meio de boletos bancários e transferência", disse.
Fernanda Karina admitiu ao relator da CPMI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que nunca viu o dinheiro, mas sabia de sua existência por comentários dos motoboys. Ela relatou ainda uma ocasião em que a funcionária Simone Vasconcelos, gerente-financeira da SMP&B, retornou para Belo Horizonte exausta porque passara todo o dia em Brasília contando dinheiro, enquanto homens entravam e saíam do quarto do hotel em que se hospedava - ela costumava usar os hotéis Grand Bittar e Blue Tree.

Acareação
O relator da CPMI considera o depoimento da secretária coerente e lógico. Ele afirma que será inevitável uma acareação entre ela e Marcos Valério. Sua preocupação é quanto à possibilidade de o empresário valer-se do habeas corpus que obteve para manter sua versão dos fatos sem cair em contradições. Com o habeas corpus, ele teve o direito de, no depoimento de ontem, não responder as perguntas que pudessem incriminá-lo.


Reportagem - Newton Araújo Jr.
Edição - Patricia Roedel

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