Cassilândia, Terça-feira, 22 de Agosto de 2017

Últimas Notícias

25/10/2014 16:58

Juíza Luciane Buriasco Isquerdo escreve: "Voto Sofrido"

Luciane Buriasco Isquerdo (*)

Voto Sofrido

Amanhã, 142.822.046 brasileiros têm o direito de votarem para escolher seus representantes do Poder Executivo na esfera federal, Presidente da República, e na esfera estadual, Governador do Estado.

Qualquer pessoa maior de 16 anos pode votar, independente da renda, sexo, cor, escolaridade. As urnas são eletrônicas, seguras e com resultado rápido. Poucas horas depois de terminada a votação, já saberemos quem foram os escolhidos.

É assim há poucos anos no Brasil. No resto do mundo, metade apenas da população têm esse direito de escolher seus representantes.

A prática começou com os druidas, depois os gregos, mas um quinto apenas destes tinham o direito de votar. E muito tempo se passou com esse direito esquecido, como na Idade Média. Na verdade, até o século XIX, a compreensão do voto como um direito da maioria da população era pouco difundida.

O poeta, escritor e também político Victor Hugo foi exilado por dezenove anos da França por defender tal direito e o ensino público, sendo aceito novamente em 1870, quase um século depois da Revolução Francesa, quando a República chegou para ficar naquele país.

Aqui no Brasil, começamos a votar em 1532, mas votavam apenas nobres, burocratas, militares, comerciantes ricos, senhores de engenho, homens de posses. E isso para as governanças na Vila. Somente em 1881, as eleições, para o Congresso, passaram a ser diretas e no ano seguinte não mais se exigiu renda mínima para votar. Mas foram excluídos os analfabetos e nem se cogitava de votos por parte de mulheres e escravos. Assim é que 2% da população brasileira podia votar em 1886.

O voto era declarado pelos eleitores, levados às sessões de votação por coronéis. Ai de quem não votassem em quem tinham mandado votar.

Em 1932 é criada a Justiça Eleitoral. A mulher que trabalhasse para fora podia votar e o voto passou a ser secreto. Mas em 1937 desaparece novamente o direito de votar, até 1945.

Em 1950, 50% da população maior de 18 anos era analfabeta e pelas regras na consideração da maioria, menos da metade dos eleitores levaram Getúlio Vargas de volta ao poder. O mesmo com Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros.

Em razão do golpe militar de 1964, chegou-se a 29 anos sem que se pudesse votar para Presidente. Para Governador, só se pôde votar em 1982.

De 1989 para cá, com eleições diretas para todos os cargos do Poder Executivo e Legislativo, são apenas 25 anos de eleições tal qual a conhecemos. Há 14 anos temos eleições totalmente informatizadas, com urnas 100% eletrônicas.

Foi, como se vê, uma longa caminhada histórica, de articulações, exílios, sofrimento, para que amanhã esse número considerável - 142.822.046 de eleitores dentre os 201.032.714 de brasileiros - pudessem votar.

E há quem reclame do voto ser obrigatório, dos políticos. Há quem vote nulo ou em branco. O voto foi um direito tão sofrido e hoje pouco valorizado. Por certo menos do que o esperado por tantos que lutaram por esse direito.

O dinheiro do Estado, obtido majoritariamente por meio de tributos pagos por toda a população, é de todos, em benefício de todos. Todos os serviços como saúde, educação, estradas, luz, água, etc., são pagos com esse dinheiro. A Justiça recebe parte desse dinheiro para oferecer seu serviço e cresce em demanda a cada ano. A construção de presídios depende desse dinheiro. A erradicação da fome, ditada por nossa Constituição Federal, depende desse dinheiro. A condução da economia depende da direção que será dada pelas pessoas que administrarão esse dinheiro. Não há como, portanto, alguém não sofrer alguma consequência dessa escolha que se dará amanhã. O assunto é muito importante para que a apatia tenha espaço.

Vote, portanto, amanhã. Escolha. E se podia ser eleitor e não foi, pelo voto para você ser facultativo, providencie logo seu título e compareça nas próximas eleições. Afinal, nem sempre foi fácil assim poder escolher seus representantes.

(*) Luciane Buriasco Isquerdo - Juíza de Direito em Cassilândia

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
imagem transparente
Últimas notícias
Scroller Top
Segunda, 21 de Agosto de 2017
Domingo, 20 de Agosto de 2017
10:00
Receita do dia
09:50
Três Lagoas
Sábado, 19 de Agosto de 2017
20:38
Para o fim de semana
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)