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22/10/2004 06:09

Jovens: uso de drogas denuncia desamparo familiar

Agência Notisa

Cobertura especial - Agência Notisa - direto do Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira, no campus Praia Vermelha da UFRJ, Rio de Janeiro


A questão do desamparo na sociedade contemporânea e o conseqüente uso de drogas pelos jovens foi a tônica da fala da psicóloga Bianca Savietto, na tarde do segundo dia do Jubra, encontro que discute a realidade do jovem
no Brasil, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo a palestrante, a situação que leva ao uso de drogas pelos adolescentes pode ter sido motivada pela desestruturação dos laços familiares.

Para Savietto, o declínio de valores familiares começou com uma diminuição da autoridade paterna. As transgressões e impetuosidades característicos da adolescência acabam ganhando novas dimensões frente à facilitação do acesso às substâncias entorpecentes. “Muitos autores destacam que a família, hoje, virou um grande emaranhando de indivíduos isolados, que pouco estabelecem relações entre si. Isso pode favorecer o uso das
drogas”, explicou a psicóloga.

Por outro lado, na opinião de Savietto, se ouve um declínio da autoridade paterna, o papel da mulher na família também sofreu mudanças: a mãe de hoje não é mais a figura maternal que foi há tempos. Em sua opinião, ocupando
um novo papel na sociedade, a mulher de hoje também almeja defender seus próprios interesses na família, na sociedade e no trabalho. “A mãe agora tem que se dividir entre a educação dos filhos, o trabalho, o lazer, a vaidade. A própria sociedade ainda não se deu conta disso”, disse.

Como reflexo do desamparo, resultante da transformação das bases familiares, a droga, na opinião da psicóloga, viria a “ocupar o lugar dos pais faltantes”. Sem alternativas para expressar esse desamparo, o jovem acabaria injetando na droga todas as suas frustrações, dúvidas e ansiedades. “O uso de drogas representa a queda, a perda, o declínio dos referenciais paternos. A droga daria ao jovem o bem-estar que ele não encontra no laço familiar”, explicou Savietto.

Mas, o problema maior na questão da dependência química do jovem, na opinião da palestrante, é o poder que o ciclo desamparo-dependência tem. O desamparado se torna dependente, não teria a quem revelar o problema — já
que a família estaria passando por uma reformulação — e acaba se tornando ainda mais dependente, em um ciclo que pode levá-lo à morte. “Cabe aqui citar Freud. Para ele a paz era possível, mas a ameaça da guerra era
sempre uma realidade”, disse a psicóloga.

Contudo, apesar de desenhar um quadro crítico da realidade do jovem e o universo das drogas, Savietto ainda mostra um discurso esperançoso. Na opinião dela, o quadro de transformações por que passa a sociedade pode
anteceder um outro estágio familiar, no qual todos os membros da família possuam igual poder. “Uma nova ordem simbólica pode surgir a partir daqui.
Se o lugar das autoridades paterna e materna está vazio, outros focos de autoridade familiar podem surgir. Todos os membros da família podem, no futuro, ter o mesmo status na sociedade. No futuro da família, todos podem
passar a ter autoridade. As vozes podem ter o mesmo valor”, concluiu.



Agência Notisa (science journalism - jornalismo científico)

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