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05/07/2018 14:00

Investigador baleado por agente da PF corre risco de ficar paraplégico

Campo Grande News

O investigador da Polícia Civil Dionathan dos Santos, 34, corre risco de ficar paraplégico devido aos ferimentos provocados durante troca de tiros com um agente da Polícia Federal, na madrugada de quinta-feira (28) em Ponta Porã, a 323 km de Campo Grande.

Internado em um hospital de Dourados desde a semana passada, o policial ainda não passou por cirurgia porque o atual quadro de saúde ainda não permite a intervenção. O Campo Grande News apurou hoje que Dionathan tem estilhaços de bala na coluna e está perdendo líquido da medula. Nesta semana, colegas de profissão e familiares fizeram uma campanha para doação de sangue, mas a cirurgia ainda não aconteceu porque a coluna estaria muito inchada.

A troca de tiros ocorreu na Boate Samara, a poucos metros do território paraguaio, durante uma briga entre o policial federal Alexandre Muniz Dahoui e outro investigador da Polícia Civil, Jeferson Duarte.

Dionathan acabou ferido com pelo menos três tiros ao tentar defender o colega de profissão. Jeferson e Alexandre também ficaram feridos, mas sem gravidade.

Segundo policiais ouvidos pela reportagem, a briga foi provocada por Jeferson Duarte, que já tinha trabalhado em Ponta Porã, mas foi afastado após problemas disciplinares, só que foi aceito de volta pela chefia da Polícia Civil.

Jogo do Brasil – Um policial que atua na fronteira contou que vários policiais assistiram ao jogo do Brasil na sede do Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis) em Ponta Porã, entre eles Jeferson e o Dionathan.

Após o jogo, Jeferson saiu e Dionathan continuou no local. Já de madrugada ,ele recebeu a ligação de Jeferson pedindo ajuda. “O Jeferson não sabia que o PF era policial e vice versa”, revela a fonte ao Campo Grande News.

Policiais que acompanharam o desfecho do caso afirmam que Jeferson Duarte estava bêbado na casa noturna e teria começado a provocar o policial federal e até mesmo a agredido-lo fisicamente.

Pediu ajuda – Durante a briga, ele telefonou para Dionathan pedindo auxílio e teria mentido que estava sendo agredido. “Ele não sabia que o outro cara era policial. Daí ao chegar ao local, em certo momento, o PF sacou a arma e efetuou os disparos. O Dionathan entrou na frente do Jeferson é foi atingido. O PF efetuou os disparos porque o Jeferson sacou a arma”, afirmou o policial ouvido pela reportagem, cuja identidade será mantida em sigilo.

Outros policiais ouvidos pela reportagem afirmam que o fato era “tragédia anunciada” após a chefia da Polícia Civil permitir o retorno de Jeferson Duarte a Ponta Porã.

“Dionathan é um excelente policial, casado e pai de duas crianças. O que está causando descontentamento no meio policial é o fato de terem deixado o Jeferson retornar para Ponta Porã. Todos foram contra o retorno dele, pois havia saído da cidade por causar muitos transtornos”, afirmou o policial.

Na semana passada, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou que já tinha iniciado a investigação “com imparcialidade e profissionalismo” e lamentou o ocorrido.

O Campo Grande News tentou falar com o delegado regional da Polícia Civil em Ponta Porã Clemir Vinicius Júnior, mas ele não foi localizado na delegacia. A assessoria da Diretoria-Geral da Polícia Civil também foi procurada, mas não se manifestou.

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