Cassilândia, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

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08/03/2006 16:27

Indígenas suruahá praticaram "suicídio cultural"

Thaís Brianezi/ABr

Entre o segundo semestre de 2003 e o final de 2005, 28 indígenas da etnia Suruahá praticaram o chamado suicídio cultural, com a ingestão do veneno da planta timbó. O dado foi fornecido pelo coordenador regional do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Francisco Loebens. "Até 2004, foram 23 mortes. No ano passado, foram apenas cinco. Essa prática preocupa a todos".

O coordenador estadual da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Francisco Ayres, informou que existem atualmente apenas 137 representantes dos Suruahá, que vivem no sul do Amazonas, mas não pode confirmar o dado apresentado pelo Cimi. "Não temos como fazer essa confirmação porque estamos na área apenas desde dezembro".

"Todas as pessoas da etnia tentam em algum momento de se matar. O suicídio é o único caminho possível para se encontrar os antepassados, ele é estimulado culturalmente", contou Loebens. "Cada pessoa cultiva sua planta, vai para o roçado tomar o veneno e depois corre para a maloca para morrer. Os Suruahá acreditam que é na maloca onde vivam os antepassados."

"Nesse momento a comunidade tenta salvar a pessoa envenenada, esquentando seu corpo, fazendo ela vomitar", revelou Loebens. "Mas têm parentes próximos que correm para o roçado para tomar o veneno. É um momento de grande tensão, grande corre-corre na comunidade, de gente querendo salvar a pessoa e outros querendo morrer também."

De acordo com Loebens, a ingestão do veneno de timbó tem uma explicação histórica, que remonta ao início do século 20. "Os Suruahá são sobreviventes de vários grupos indígenas massacrados, que se juntaram", explicou. "Lá por 1900 uma pessoa iniciou a prática do suicídio: manifestando saudade dos líderes assassinados, ela tomou o veneno e morreu."

"A gente já está com um enfermeiro e dois técnicos na área, desde dezembro. Vamos lidar com essa questão do suicídio cientificamente, pesquisando suas causas e a melhor maneira de solucioná-las", afirmou.

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