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21/05/2013 12:53

Hipnose para emagrecer tem até balão gástrico sem cirurgia; será que funciona?

Campo Grande news/ Elverson Cardoso

Depois que “relaxou”, ele voltou a pesar 130 quilos, mas teve um época, no ano passado, que perdeu 4 em um único mês. Conseguiu emagrecer graças a um balão gástrico implantando no estômago. O rapaz de 22 anos, que prefere não ser identificado, não chegou a passar por uma cirurgia bariátrica. Nem viu o bisturi. Foi “operado”, sem dor, incisão ou ponto, em um consultório de psicologia, graças à técnica da hipnose. A “cirurgia”, feita na base da conversa e no controle da mente, teve a duração de uma sessão.

“Ela mandava eu relaxar e falava assim: ‘engole o balão. Agora que você engoliu, imagina que ele está enchendo e preenchendo todo seu estômago. Quando terminou eu saiu com outra sensação”, contou, ao relembrar o trabalho da psicóloga.

Nos primeiros dias, fora a “sensação de preenchimento”, não houve diferença. O rapaz comia da mesma forma. Lá pelo terceiro, quarto dia, percebeu que se sentia saciado e passou a diminuir a alimentação. Adotou novos hábitos.

Ao invés de comer “besteiras” na hora do almoço, passou a levar a própria comida à faculdade. Em um mês, estava mais magro. Apesar da “reeducação alimentar”, e do “efeito sanfona” que apareceu nas férias, o acadêmico acredita que o resultado só foi possível – e intensificado - graças ao balão inserido durante processo hipnótico.

“É um método não invasivo”, disse, ao ressaltar, na avaliação dele, uma das vantagens. “Dá para emagrecer. Com ele [o balão], você diminui o tanto que você come. Ajuda na redução do peso, mas de forma mais lenta”, acrescentou.

Tratamento - Para a psicóloga que “tratou” e ainda “cuida” do universitário, Regina Márcia Queiroz Nunes Espíndola, o rapaz só voltou a engordar porque não fez as “sessões de reforço”, essencial em um tratamento como esse.

Regina é mais uma profissional de Campo Grande que utiliza a hipnose como recurso no processo de emagrecimento. O método, nas palavras dela, pode ajudar “qualquer profissional de saúde”.

Na área da psicologia a técnica pode ser aplicada para diversos fins, no tratamento de depressão e fobias, por exemplo. A hipnose, explicou, é um processo natural. “Todo mundo entra nesse estado em alguns momentos do dia; na “hora do sono”, em estado de sonolência, quando a pessoa escuta tudo; quando dirige e não sabe como chegou ao local ou quando vê um filme”, exemplificou.

“Você fica totalmente focado em alguma coisa. A pessoa não fica inconsciente, mas é como se desligasse do resto”, disse. No consultório, em sessão, o psicólogo só vai levar o paciente a este estado, fazendo uso de algumas técnicas, acrescentou.

Tem quem demore mais tempo. Outros entram em “transe” mais rápido, espontaneamente. Com a mente “focada”, o paciente que deseja se submeter à implantação do balão gástrico, por exemplo, é levado a acreditar que está, de fato, passando pelo processo físico.

“Você faz ele vivenciar a sensação. É um estado onde a pessoa sente e participa. É como se estivesse recebendo o balão. Ela começa a sentir o estômago cheio”, afirmou, ao contar que outros país, como os Estados Unidos, há clinicas onde o paciente chega e é levado a uma sala de cirurgia, com equipamentos, equipes e todo o aparatado que a intervenção da cirurgia bariátrica exige.

Em casos como esse, para dar veracidade à “cena”, e reforçar a caracterização de cirurgia, sons e cheiros são essenciais.

Cuidados – Apesar de defender a técnica e garantir que, em alguns casos, só o trabalho da psicologia pode ser suficiente, Regina afirma que o tratamento precisa ser reforçado em outras sessões. O paciente também precisa “se ajudar”.

“Hipnose não é mágica”, resume a profissional, ao comentar que o ideal é que o tratamento psicológico seja aliado a uma dieta equilibrada e hábitos saudáveis.

“Se você está passando por um processo de emagrecimento, quer se tratar, resolver seus problemas, fazer uma reeducação alimentar, a hipnose, associada às outras técnicas, vai dar resultado”, garantiu, ao dizer que o tratamento com outros profissionais de saúde não deve ser dispensado.

A psicóloga ressalta ainda que, antes de qualquer recurso, é preciso tratar a causa do problema. Pacientes que tem dificuldades para emagrecer podem ter sofrido algum tipo de trauma.

“Na verdade tudo tem um fundo emocional. Um das coisas que a gente tem que tratar é a ansiedade. Você põe o balão gástrico, mas e o que está por trás disso?”, questiona.

O que diz o Conselho? - Agente de orientação e fiscalização do CRP-MS (Conselho Regional de Psicologia em Mato Grosso do Sul), Patrícia Dantas Silveira, de 24 anos, afirmou que a técnica da hipnose é regulamentada pelo Conselho Federal, mas não há, ainda, nenhuma determinação sobre a utilização do método como tratamento ou auxiliar no processo de emagrecimento.

“Atualmente estamos vendo na prática profissional que os psicólogos estão utilizando sim, mas nós do Conselho ainda não fizemos um estudo sobre isso e não temos posicionamento definido sobre a questão”, declarou.

Em todo caso, a orientação aos profissionais que tenham interesse em trabalhar com o recurso nesse sentido é que procurem o CRP-MS para verificar questões ligadas à regulamentação, legislação e código de ética.

Aos pacientes, a recomendação é que também procurem o órgão para verificar quais profissionais são regulamentados. O telefone do Conselho é o (67) 3382-4801.

O uso da hipnose é regulamentado pela resolução 013/00 (20 de dezembro de 200), do CFP (Conselho Federal de Psicologia).

Clique aqui para consultar ou fazer o download da resolução que regulamenta a hipnose.

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