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27/10/2014 08:12

Gravidez no trabalho sem estresse

Muitas mulheres se sentem acanhadas no ambiente profissional quando engravidam. Não deixe que a situação atrapalhe a sua carreira ou a maternidade

Uol

O exame deu positivo e, além das dúvidas que chegam com a maternidade, há outro dilema: como contar ao chefe que você está grávida?

"Não existe a melhor maneira de comunicar, existe apenas uma maneira: contar primeiramente ao chefe que engravidou. É melhor ele não saber por outra pessoa", afirma Sonia Valéria Monteiro de Souza, psicóloga especialista em Recursos Humanos.

Quando for fazer o comunicado, tenha em mãos o exame ou ultrassom que comprovem a gravidez. Isso ficará arquivado na empresa. Depois disso, aparece o receio sobre o seu desempenho nos próximos meses.

"Os enjoos, as dores no corpo, o mal-estar e até o sono que neste momento se apresenta de uma forma muito mais acentuada, não necessariamente atrapalham o desempenho das funções. O que pode acontecer, em alguns casos, é uma desaceleração com relação ao cotidiano anterior. Por isso, algumas vezes é preciso reorganizar funções", diz a psicóloga Lourdes Uhlig.

Se o cansaço bater, respeite e lembre-se: mesmo as mulheres mais aceleradas e multitasking devem dar uma pausa e respeitar seu novo ritmo. Além disso, o estresse e a preocupação excessiva podem ser prejudiciais à saúde do bebê e até adiantar o trabalho de parto.

Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Jena, na Alemanha, os bebês absorvem 10% dos hormônios liberados pela mãe. Esse estresse, no futuro, pode resultar em crianças mais agitadas e com dificuldade de concentração.

"Neste momento é comum a gestante enxergar tudo de uma forma bastante ambígua, já que pode estar muito feliz com a gravidez e, ao mesmo tempo, se sentir muito angustiada", observa Lourdes.

Por conta dessa situação, a especialista ressalta a importância de respeitar os seus limites e colocar a empresa a par de tudo que está acontecendo, caso algo lhe deixe desconfortável.

Mas a verdade é que, infelizmente, nem todas as instituições agem com compreensão e humanismo quando recebem a notícia de uma funcionária grávida.

Esse foi o caso de Marcela Lacona, 32 anos. Após contar que estava grávida, ela passou a sofrer assédio moral no local em que trabalhava havia 8 anos.

"A empresa estava enfrentando uma crise financeira quando anunciei que estava grávida e minha chefe não gostou nem um pouco quando dei a notícia. Como a empresa estava se reestruturando, sei que ela queria me demitir, mas não pode, por causa da estabilidade", lembra Marcela.

Se por um lado, a lei ampara as grávidas e garante a estabilidade no emprego até que a licença-maternidade seja cumprida, isso não garante que o ambiente de trabalho seja cúmplice da futura mamãe.

"Aos poucos minha ex-chefe foi tirando as responsabilidades que cabiam a mim, me afastando da minha equipe e diminuindo minhas metas e desafios. Era como uma pressão para que eu tomasse coragem e me demitisse. Cheguei a sentir que eu era apenas uma pessoa ocupando uma cadeira dentro da empresa", revela a mãe de João, que hoje tem 2 anos.

Marcela conta que, gradualmente, outra pessoa foi assumindo as tarefas antes atribuídas a ela. O estresse foi tanto que aos 6 meses de gestação ela passou mal e começou a trabalhar remotamente, sem ir à empresa. Depois que acabou sua licença, pediu demissão.

A gravidez e as leis trabalhistas

Saiba, futura mamãe, que a partir do momento que comunica à sua empresa que está grávida, você ganha estabilidade no emprego, protegida pela lei, o que significa que não pode ser demitida até 30 dias depois do final da sua licença-maternidade, muito menos diminuída de cargo ou receber um salário menor.

E se for uma gravidez de risco e a mãe precisar se ausentar do trabalho?

"Em casos de repouso absoluto, entra em vigor o auxílio-doença e não o salário-maternidade. A empresa arca apenas com os primeiros 15 dias e o INSS com o resto. Depois do parto é que o benefício é revertido em salário-maternidade", explica Lourdes.

Isso é válido para mulheres que trabalham como CLT. Quem atua como PJ (pessoa jurídica) não se beneficia da mesma proteção legal. Neste caso fica mais dependente de um acordo firmado entre as partes. “Geralmente quando uma empresa opta por contratação de um indivíduo via PJ, tende a tratá-lo de forma equivalente a um funcionário CLT, mas isso é deliberação da empresa”, afirma a especialista.

Há casos em que a profissional continua trabalhando em home office dias depois do nascimento do filho. “Mas quando é preciso repouso absoluto, tende a acontecer um afastamento com risco de não ter espaço para retornar. Felizmente estas situações são minoria", conta Sonia Valéria.

E o que acontece com as grávidas que não são registradas, nem emitem nota fiscal? Acredite, é uma situação bastante comum no Brasil.

Carolina Silva* passou por essa situação. "Comecei a trabalhar em uma empresa com a promessa de que seria registrada. Seis meses depois, nada de registro e eu acabei engravidando sem planejar. A primeira pessoa para quem contei foi meu ex-chefe e ele foi bastante solícito. Disse que agiria como se eu fosse registrada", conta.

É bom saber que, nestes casos, a lei protege todas as mulheres. Caso Carolina tivesse problemas, poderia procurar a justiça.

"Depois que engravidei, meu chefe até tentou me registrar; acho que ficou com medo de um processo. No entanto, quando viu que teria que pagar todos os impostos retroativos desde a data que entrei na empresa, mudou de ideia. Mesmo assim, pagou a minha licença conforme combinado", lembra ela.

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