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19/02/2009 17:07

Gordura na barriga aumenta risco de demência na 3ª idade

Agência Notisa

Gordura na barriga aumenta risco de demência na terceira idade – ser obeso, porém, diminui, sugere estudo

Segundo pesquisadores norte-americanos, participantes com sobrepeso e obesidade tinham um risco de apresentar demência ou prejuízo cognitivo 48% e 61% menor, respectivamente. Já aqueles com circunferências abdominais intermediárias ou altas apresentaram taxas até 90% mais altas.



Estudo norte-americano acompanhou 1.351 pessoas com ou sem algum prejuízo cognitivo, mas todas sem demência e com mais de 65 anos de idade, e concluiu que a gordura abdominal em idade avançada parece conferir um risco elevado de desenvolvimento de demência ou prejuízo cognitivo, ao passo que a obesidade parece ser um fator protetor. “A acumulação de gordura abdominal, mas não no corpo como um todo, talvez confira um risco elevado de prejuízo cognitivo relacionado à idade”, afirmam as autoras da pesquisa Nancy West, da University of Michigan, e Mary Haan, da University of Colorado, em artigo publicado no periódico científico Journals of Gerontology.



De acordo com o texto, se comparados aos participantes com os índices de massa corporal (IMC) mais baixos, aqueles com sobrepeso e obesidade tinham um risco de apresentar demência ou prejuízo cognitivo 48% e 61% menor, respectivamente. Por outro lado, as pessoas com circunferências abdominais consideradas intermediárias ou altas pelo estudo apresentaram uma taxa de demência ou prejuízo cognitivo 80% e 90% mais altas, respectivamente, se comparadas àquelas com as menores medidas. Ao todo, 8,2% (110) dos participantes foram diagnosticados com um quadro de demência ou de prejuízo cognitivo.



O artigo explica que o estudo teve como objetivo analisar exatamente a associação do índice de massa corporal (IMC) e da circunferência abdominal em idade avançada com o desenvolvimento de prejuízo cognitivo, uma relação que ainda não está completamente clara pra a ciência. Para tanto, as pesquisadoras investigaram prospectivamente 1.789 indivíduos com idade entre 60-101 e residentes em Sacramento, na Califórnia (EUA). Desse total, 1.351 seguiram até o final do estudo, tendo sido submetidos a cinco avaliações cognitivas entre os anos de 1998 e 2006 (média de 5,6 anos), e foram incluídos nas análises finais apresentadas.



“Neste estudo de coorte com pessoas idosas, o IMC no início do estudo foi inversamente associado à taxa de demência ou prejuízo cognitivo durante o acompanhamento. Em contraste, uma circunferência abdominal grande foi associada a um aumento da taxa desses quadros”, ressaltam as autoras no artigo.



Outras análises



Com o objetivo de verificar a validade dos resultados e a interação entre os dados coletados e as diferentes variáveis, os pesquisadores realizaram uma série de análises adicionais. O artigo explica, por exemplo, que a relação entre a circunferência abdominal e o risco de demência ou prejuízo cognitivo foi atenuada, em um primeiro momento, quando os resultados foram ajustados por outras variáveis (fatores de risco para diabetes, acidente vascular-cerebral (AVC) e colesterol-LDL) – sem que qualquer efeito fosse observado no caso do IMC. Segundo as autoras, esses dados indicam que “as anormalidades metabólicas e vasculares podem mediar essas associações”.



Por outro lado, as associações tanto da circunferência abdominal quanto do IMC com o desenvolvimento de demência/prejuízo cognitivo foram fortalecidas quando os resultados foram ajustados exatamente para o peso, o IMC e a circunferência abdominal de cada indivíduo. “Estes resultados sugerem que os efeitos da obesidade generalizada e a obesidade central, em idades avançadas, sobre a taxa de prejuízo cognitivo podem ser mascarados sem um ajuste completo para o tamanho do corpo e a estatura da pessoa”, dizem as autoras. Segundo elas, as associações identificadas podem refletir mudanças relacionadas à idade na composição corporal e a associação de gordura visceral ao desequilíbrio metabólico.





Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

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