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06/01/2005 13:21

Gestantes precoces enfrentam mais problemas

Agência Notisa

Pesquisa mostra que, entre as adolescentes de 12 a 16 anos, há maior rejeição à gravidez por parte do pai do bebê e da família, bem como piores condições financeiras.

Apesar de as taxas de fecundidade terem declinado a partir da década de 70, o índice de gravidez na adolescência aumentou e se tornou um sério problema de saúde pública em diversos países. E nesse contexto, geralmente, quanto menor a idade das adolescentes que engravidam, maiores são os problemas enfrentados. Essa é a conclusão de um estudo realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, que levou em consideração 1.228 gestantes do município do Rio com idade entre 12 e 19 anos.

De acordo com artigo publicado, em 2004, nos Cadernos de Saúde Pública (vol. 20, supl. 1), “a precocidade do início das atividades sexuais, aliada à desinformação quanto ao uso adequado dos contraceptivos e à deficiência de programas de assistência ao adolescente são alguns dos fatores responsáveis pelo aumento da gravidez, abortamento e doença sexualmente transmissível na adolescência”. No estudo, todas as participantes foram submetidas a um questionário, composto por questões sobre o estilo de vida, os aspectos emocionais, a reação familiar e o apoio recebido pelas adolescentes.

Os pesquisadores observaram que 74% das meninas possuíam idade entre 17 e 19 anos e era de cor parda ou negra. Eles constataram que entre as mais jovens (de 12 a 16), foi maior a proporção de adolescentes cuja primeira gravidez ocorreu antes dos 15 anos. Também foi maior neste grupo a proporção de mulheres sem trabalho remunerado, o mesmo ocorrendo com seus companheiros, e com menor utilização de métodos contraceptivos. O desejo de engravidar foi significativamente menor neste grupo, assim como a ausência de uma união consensual com o pai da criança.

A equipe verificou ainda que a reação negativa do pai do bebê e dos familiares foi maior entre as adolescentes mais novas: “as adolescentes mais jovens, na maioria das vezes, não apresentam trabalho remunerado, sendo mais dependentes financeiramente, seja da família, seja do companheiro. Paralelamente, a tendência para estabelecer uniões com homens ainda adolescentes, e muitas vezes desempregados, deixa-as em uma situação sócio-econômica mais precária, o que pode torná-las mais expostas a outras situações de risco social”.

Com base nos resultados do trabalho, os pesquisadores ressaltam a importância do desenvolvimento de políticas públicas que privilegiem a educação sexual como forma de se adiar a ocorrência da gestação. Segundo eles, “essas medidas possibilitarão o desenvolvimento de todo o potencial psíquico da adolescente, bem como a ampliação de oportunidades de vida, que venham a garantir uma melhor condição social futura para as gerações subseqüentes”. No caso das que já engravidaram, eles sugerem que sejam feitas assistências pré e perinatais que incluam não somente a gestante, mas todos os envolvidos, como o companheiro e as famílias de origem de ambos. “Tais medidas favoreceriam o estreitamento do vínculo com o pai do bebê e a criação de uma rede social mais efetiva de apoio à adolescente”, afirmam no artigo.

Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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