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11/01/2008 19:20

Futebol profissional perde espaço para áreas de lazer

Paulo Fernandes/Campo Grande News

Sem o prestígio dos tempos em que Operário e Comercial faziam frente aos grandes clubes do país, o futebol continua a perder espaço, inclusive físico. Às vésperas do Campeonato Sul-Mato-Grossense (que começa neste domingo), essa mudança é cada vez mais evidente em Campo Grande. Estádios como o Belmar Fidalgo, no Jardim dos Estados, e mais recentemente o Elias Gadia, no bairro Taveirópolis, foram transformados em praças esportivas. Os campos foram reduzidos de tamanho, passando a ser utilizados apenas para futebol amador.

As transformações desses espaços de redutos do futebol para áreas de múltiplas atividades acontecem porque as competições locais não atraem mais o público dos tempos áureos em que um Comerário, o maior clássico regional, era responsável por preencher quase todos os lugares do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande. No campeonato estadual do ano passado, as partidas foram responsáveis por atrair uma média de 2.500 torcedores.

Mesmo contrariando saudosistas, a mudança do então Estádio Elias Gadia, em setembro deste ano, para praça esportiva parecia uma mudança necessária e natural. O local - conta o servidor da Fundação Municipal de Esporte, Almir de Jesus Moura, de 45 anos, que mora na região - estava abandonado e tinha virado uma boca-de-fumo. “Para mim, foi ótimo; no sentido de valorização do local. O lugar estava abandonado, a grama estava alta e o lugar já servia para uso de drogas”, disse. O Estádio tinha capacidade para 3.500 torcedores sentados.

Já o coração do monitor de futebol, Gaspar Valente, de 46 anos, ficou dividido com a transformação. Apaixonado por futebol, Valente já assistiu muitos jogos no Estádio Elias Gadia, mas hoje trabalha no projeto Atletas do Futuro (antigo Lápis na Mão, Bola no Pé), da prefeitura, que usa a praça para treinar as 85 crianças cadastradas. “É difícil dizer o que eu penso. Como torcedor eu fico frustrado, mas como monitor foi excelente ganhar um lugar desses para treinar as crianças”, disse.

Após a transformação do Elias Gadia em praça, apenas uma partida foi realizada no local, na inauguração, em 2 de setembro. Entraram em campo craques do passado como Biro-Biro, do Corinthians, e Élder, do Atlético-MG. Mas a praça definitivamente nunca mais ficou abandonada.

A praça conta agora com diversas áreas esportivas e de lazer, a exemplo do que aconteceu com o Belmar Fidalgo. Além dos campos de futebol society e de areia, a praça Elias Gadia conta com quadra poliesportiva, arena de vôlei de praia, área para caminhada, parquinho e mesas para jogar xadrez.

Com uma estrutura semelhante, o Belmar é palco dos famosos encontros de futebol entre amigos, dos quais sempre participam jogadores que fizeram histórias no futebol brasileiro, como Biro-Biro, Eder e Diney.

Os cartolas de alguns dos principais clubes de Mato Grosso do Sul concordam que a redução dos estádios de futebol é conseqüência da falta de prestígio do futebol local. O presidente do Operário, Tony Vieira, disse que problemas administrativos no estádio Elias Gadia, a falta de bons resultados dos times do estado nas competições nacionais e a concentração dos jogos do Campeonato Brasileiro no eixo Rio-São Paulo contribuem para a redução do espaço físico do futebol local. “Antes todos os estados tinham representante no Brasileiro”, afirmou.

Para Tony Vieira, a transformação de estádio em praça não chega a ser uma grande perda para o futebol. “O Belmar Fidalgo e o Elias Gadia não atenderiam um jogo maior. A transformação deles não irá influenciar muito”, disse.

Enquanto isso, o presidente do campeão estadual Águia Negra, Ilie Vidal, lembra com saudades dos jogos do time de Rio Brilhante que assistiu no então Estádio Belmar Fidalgo. “Era muito bom o gramado e a arquibancada. Tinha uma boa estrutura. Hoje, Campo Grande carece de um estádio localizado no centro, o que facilita a vinda de mais torcedores”, afirmou.

Mas para Ilie Vidal, o que os times precisam mesmo é de resultados para voltar a atrair os torcedores. “O Morenão antes lotava. O público vai se tem jogo que vale a pena. Em Rio Brilhante, cidade de 23.000 habitantes, tivemos final com 7.000 torcedores”, conta.

Esquecido– Entregue aos morcegos e reprovado pelo Sinaenco (Sindicato Nacional da Arquitetura e da Engenharia), o Morenão é o principal estádio de Mato Grosso do Sul. A comissão formada de engenheiros e arquitetos especializados em projetos de complexos desportivos que visitou o Morenão no dia 18 de setembro de 2007 não gostou do que viu no candidato a sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. Eles apontaram como pontos críticos as condições precárias dos sanitários e do placar, o livre acesso do público as torres de iluminação, o acesso muito estreito dos jogadores ao campo e o estado inadequado dos bancos dos reservas.

Inaugurado em 1971, o estádio universitário Morenão chegou a ser palco de grandes clássicos do futebol brasileiro. O maior público registrado foi em 1978, quando 38.122 pessoas assistiram à histórica vitória do Operário, time mais tradicional de Mato Grosso do Sul, sobre o Palmeiras. O Morenão tem capacidade para 40 mil torcedores.

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