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26/10/2003 14:12

Fiocruz pesquisa vacina genética contra a dengue

Irene Lõbo/ABr

Um projeto de cooperação internacional entre o Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM), unidade técnico-científica da Fiocruz em Pernambuco, a Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e a Universidade Nacional e o Laboratório de Informações Técnicas de Cingapura poderá resultar na criação da primeira vacina genética contra o vírus da dengue.

Iniciada em junho de 2002, a pesquisa pretende criar uma vacina que, ao invés de utilizar o próprio vírus da dengue atenuado em sua composição, utilizará parte do material genético do vírus na formulação de uma vacina genética que permitirá a produção in vivo da proteína viral, que representa uma segurança maior em relação às formas atenuadas da vacina.

De acordo com a médica e pesquisadora Norma Lucena, um dos maiores desafios é responder cientificamente se a vacina poderá ser utilizada de forma segura, já que a dengue possui quatro sorotipos de vírus e uma segunda infecção pode levar à forma mais grave da doença, a febre hemorrágica da dengue, que pode ser letal.

“Numa primeira infecção você produz anticorpos contra o vírus da dengue que o protege de uma outra infecção por vírus do mesmo sorotipo. Quando ocorre uma segunda infecção por um outro sorotipo viral, você ainda possui anticorpos (produzidos por células de memória decorrentes da primeira infecção), mas que não são tão eficientes e não conseguem neutralizar este segundo sorotipo viral. Ao contrário, é desencadeado um processo imunológico que leva a uma alteração na permeabilidade vascular que caracteriza o quadro de dengue hemorrágico”, explica.

Para contornar a dificuldade, os pesquisadores tentam produzir uma vacina que seja capaz de produzir anticorpos neutralizantes, ao invés de exacerbar a resposta imune não-efetiva, que é a dengue hemorrágica, tanto para as pessoas que nunca tiveram contato com a dengue, como para as que já tiveram contato com algum sorotipo da doença.

Além da criação da vacina, um segundo objetivo da pesquisa é montar um banco de células brancas (leucócitos) de pacientes com quadro bem caracterizado de dengue, dos sorotipos circulantes em Pernambuco, para a realização dos primeiros testes da vacina in vitro, ou seja, em laboratório, até que seja comprovada a sua eficácia.

A parte da pesquisa que envolve o Brasil recebeu do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (National Institute of Health, NIH) US$ 3 milhões (cerca de R$ 10 milhões), que serão aplicados na criação da vacina e na montagem de um sistema eletrônico de biovigilância epidemilógico para doenças hemorrágicas agudas. “Esse esforço conjunto tem como objetivo maior o desenvolvimento de uma vacina efetiva para os quatros sorotipos do vírus da Dengue. Se tudo der certo, num prazo de dez a doze anos poderemos ter a vacina”, comenta o diretor do CPqAM, Rômulo Maciel Filho.

Parte do dinheiro, US$ 400 mil, já foi disponibilizada e vai financiar reparos físicos e a compra de reagentes químicos para o primeiro laboratório de Virologia e Terapia Experimental de Pernambuco e o segundo do Nordeste (o primeiro está na Bahia). O laboratório deve causar impacto técnico-científico na região e será destinado inicialmente a ensaios pré-clínicos (teste em animais e in vitro) da vacina para o vírus da dengue, mas deverá ter suas atividades ampliadas para experimentos de outras vacinas, entre elas a de Aids, Hepatite C e HPV. A previsão é de que o laboratório inicie suas atividades em fevereiro de 2004

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